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Emater confirma redução de área plantada de arroz no RS
G1 — Brasil · 2026-09-16T12:28:45.000Z
Emater confirma redução de área plantada de arroz no RS
O Google fechou o maior acordo de remoção de carbono de sua história para apoiar um projeto em mais de 200 mil hectares de plantações de arroz no Rio Grande do Sul.
A iniciativa, conduzida pela empresa Terradot, pretende reduzir o metano liberado pelo cultivo e, ao mesmo tempo, retirar dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera.
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O projeto combina duas ações: reduzir o metano produzido nas plantações de arroz e usar rochas para retirar CO₂ da atmosfera. A segunda parte funciona ao acelerar uma reação que já acontece naturalmente: algumas rochas absorvem o CO₂ presente no ar.
Por que o arroz está no meio dessa história?
O arroz é cultivado, em muitos casos, em áreas alagadas. Esse ambiente favorece a ação de microrganismos que produzem metano, um gás de efeito estufa.
Segundo uma avaliação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), os arrozais respondem por cerca de 10% a 12% das emissões globais de metano.
O projeto pretende reduzir essa emissão e, depois, contabilizar essa redução na forma de créditos de carbono. A previsão é que a iniciativa gere créditos equivalentes a 1 milhão de toneladas métricas de metano que deixariam de ser emitidas até 2030. Mas o metano é apenas metade da história.
🔍 O que é um crédito de carbono? É uma forma de contabilizar uma redução ou retirada de gases de efeito estufa da atmosfera. Em geral, 1 crédito corresponde a 1 tonelada de CO₂ equivalente que deixou de ser emitida ou foi retirada do ar. Empresas podem comprar esses créditos para compensar parte de suas emissões. Para ter valor, a redução ou remoção precisa ser medida e verificada por regras específicas.
E onde entram as rochas?
A segunda parte do projeto usa uma técnica conhecida como meteorização aprimorada de rochas.
Alguns tipos de rocha conseguem reagir naturalmente com o CO₂ presente na atmosfera. O processo, porém, é lento. A técnica busca acelerar essa reação para retirar mais carbono do ar.
É como tentar aumentar a velocidade de um processo que já acontece na natureza.
A Terradot pretende usar a técnica no projeto do Rio Grande do Sul para gerar outros 1 milhão de toneladas de créditos de remoção de carbono até 2040. Os créditos de redução de metano e de retirada de CO₂ serão contabilizados e verificados separadamente.
Segundo a Reuters, o projeto será o maior já anunciado de meteorização aprimorada de rochas. A parte de remoção de carbono do acordo é dez vezes maior que projetos anteriores desse tipo.
O projeto pode crescer?
A ideia do Google e da Terradot é justamente testar o modelo em uma escala grande para, depois, levá-lo a outras regiões do planeta.
As empresas afirmam que a iniciativa poderia ser ampliada para os cerca de 1,5 milhão de hectares de áreas de cultivo de arroz do Brasil. O modelo também poderia ser levado a outros grandes produtores de arroz, como Índia e Vietnã.
A Terradot planeja iniciar projetos-piloto em outros países em 2026 e prevê uma expansão comercial a partir de 2028.
Por que o Google está investindo nisso?
O investimento também está relacionado ao aumento do consumo de energia das grandes empresas de tecnologia, especialmente com a expansão dos data centers usados por serviços de inteligência artificial.
O Google já é investidor da Terradot. A empresa comprou uma participação na companhia em 2024.
Para a empresa, reduzir o metano e retirar CO₂ da atmosfera são medidas complementares. O metano contribui fortemente para o aquecimento no curto prazo, enquanto o CO₂ pode permanecer na atmosfera por séculos.
A aposta, portanto, é agir nas duas frentes: diminuir a quantidade de gases que chegam à atmosfera e retirar parte do carbono que já está no ar.
Quanto custa tirar carbono do ar?
O preço é um dos principais desafios para que tecnologias desse tipo sejam usadas em larga escala.
Google e Terradot não divulgaram o valor do novo acordo. Em 2024, porém, um contrato público da Terradot para remover 90 mil toneladas de carbono indicava um preço de cerca de US$ 300 por tonelada.
Esse valor é bem superior aos US$ 100 por tonelada que muitos desenvolvedores consideram necessários para estimular uma demanda maior por tecnologias de remoção de carbono.
Segundo James Kanoff, CEO da Terradot, o novo projeto terá um custo menor que os acordos anteriores. A empresa ainda não chegou aos US$ 100 por tonelada, mas considera o projeto um avanço nessa direção.
A Terradot também afirma que a verificação dos resultados pode acrescentar mais de US$ 100 por tonelada aos custos. A expectativa é que esse valor diminua conforme a tecnologia avance e seja aplicada em projetos maiores.
*Com informações da Reuters