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Quando uma criança ou adolescente recebe o diagnóstico de câncer, o tratamento é apenas uma parte de uma jornada que envolve diferentes etapas. Antes de chegar a um serviço especializado, é preciso identificar os sinais, investigar a…
G1 — Brasil · 2026-09-16T12:30:01.000Z
Quando uma criança ou adolescente recebe o diagnóstico de câncer, o tratamento é apenas uma parte de uma jornada que envolve diferentes etapas. Antes de chegar a um serviço especializado, é preciso identificar os sinais, investigar a doença, confirmar o diagnóstico e encaminhar o paciente para o atendimento adequado.
No Brasil, esse caminho ainda apresenta desafios. O câncer é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. Para cada ano do triênio 2026–2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil no país. Em 2024, foram registrados 2.262 óbitos pela doença.
Os números também revelam diferenças entre as regiões. Segundo as estimativas do INCA, a Região Sul apresenta as maiores taxas estimadas de incidência do país: 165,96 casos por milhão entre meninos e 181,09 por milhão entre meninas.
Mais do que dimensionar o número de casos, esses dados ajudam a mostrar a importância de entender como a assistência está organizada e quais caminhos estão disponíveis para crianças e adolescentes que precisam de atendimento especializado.
É nesse cenário que o Hospital Erastinho participa do Mapeamento Nacional do Câncer Infantojuvenil – Projeto OncoBrasil, iniciativa que pretende conhecer a estrutura dos serviços que atuam nessa área em diferentes regiões do país.
Um desafio que começa antes do tratamento
Falar sobre câncer infantojuvenil também significa olhar para o que acontece antes da chegada ao tratamento.
A identificação de sinais e sintomas, o acesso à investigação médica, a confirmação do diagnóstico e o encaminhamento para um serviço especializado fazem parte desse percurso. Quando essas etapas não acontecem de maneira adequada ou no tempo necessário, o acesso ao cuidado pode se tornar mais difícil.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima cerca de 400 mil novos casos de câncer por ano entre crianças e adolescentes de 0 a 19 anos em todo o mundo. A organização também aponta diferenças importantes nos resultados do tratamento entre países. Em países de alta renda, mais de 80% das crianças com câncer são curadas, enquanto em muitos países de baixa e média renda esse percentual fica abaixo de 30%.
Essas diferenças estão relacionadas a diversos fatores, entre eles dificuldades ou atrasos no diagnóstico, acesso limitado ao tratamento e disponibilidade de estruturas especializadas.
Por isso, conhecer a realidade de cada região é uma etapa importante para compreender os desafios da assistência ao câncer infantojuvenil.
O que o mapeamento pretende descobrir
É justamente esse retrato que o Projeto OncoBrasil pretende construir.
A proposta é reunir informações sobre os serviços que atendem crianças e adolescentes com câncer, identificando suas diferentes capacidades e características. O levantamento considera aspectos relacionados ao diagnóstico, tratamento, seguimento dos pacientes, cuidados especializados e terapias de alta complexidade.
A iniciativa prevê alcançar até 211 hospitais e 111 instituições de apoio em todo o país.
O levantamento será realizado em três etapas: questionário on-line, entrevistas em profundidade e observação participante presencial. A ideia é reunir informações que permitam compreender não apenas onde estão os serviços, mas também quais são suas condições de atendimento e necessidades.
O mapeamento não tem caráter de auditoria, fiscalização ou criação de ranking entre as instituições. O objetivo é conhecer tecnicamente a rede existente.
“Quando falamos em câncer infantojuvenil, não basta existir tratamento. É preciso que a criança chegue ao serviço adequado no momento certo. Conhecer a capacidade instalada, identificar vazios assistenciais e organizar os fluxos de encaminhamento são passos fundamentais para reduzir desigualdades no acesso ao diagnóstico e ao tratamento”, afirma Dr. Robson Coelho, diretor técnico do Hospital Erastinho.
Uma fotografia da assistência pediátrica no país
Para chegar a esse retrato, o projeto reúne diferentes instituições e áreas envolvidas na assistência ao câncer infantojuvenil.
O Mapeamento Nacional foi idealizado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) e pela Confederação Nacional das Instituições de Apoio e Assistência (CONIACC). A iniciativa é conduzida pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Departamento de Atenção ao Câncer (Decan/Saes/MS), o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Coordenação-Geral de Projetos (CGPROJ) da SAES, por meio do PROADI-SUS, tendo o Einstein Hospital Israelita como instituição executora.
A participação dos serviços permite reunir diferentes realidades em um mesmo levantamento. Com isso, o projeto pode ajudar a identificar pontos de atenção, necessidades regionais e características da rede que nem sempre aparecem quando os dados são analisados de forma isolada.
As informações também poderão subsidiar discussões sobre políticas públicas, integração entre serviços, fluxos de encaminhamento, investimentos e habilitações.
O papel do Hospital Erastinho
Enfermeira acompanha paciente durante atendimento no Hospital Erastinho.
No Paraná, o Hospital Erastinho participa desse processo apresentando sua estrutura e os fluxos de atendimento de uma instituição dedicada exclusivamente à oncologia pediátrica.
Primeiro hospital exclusivamente oncopediátrico do Sul do Brasil, o Erastinho recebe pacientes de diferentes regiões e realiza mais de 75% de seus atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A participação no mapeamento permite que a realidade da instituição faça parte desse levantamento nacional e, ao mesmo tempo, contribua para uma visão mais ampla sobre a assistência disponível no estado.
Mais do que reunir informações sobre cada serviço, a proposta é entender como essas diferentes estruturas se conectam e quais pontos podem ser fortalecidos para melhorar a organização da rede de atenção.
Setembro Dourado chama atenção para o câncer infantojuvenil
O mapeamento acontece durante o Setembro Dourado, período dedicado à conscientização sobre o câncer infantojuvenil.
A campanha também ajuda a colocar em evidência uma característica importante desse tipo de câncer: diferentemente de muitos tumores que acometem adultos, os cânceres infantojuvenis não estão, em geral, associados a fatores de risco que possam ser prevenidos.
Por isso, a atenção aos sinais e sintomas, a investigação médica e o acesso ao atendimento adequado têm papel importante no cuidado.
Não existe um único caminho para todos os pacientes. Cada diagnóstico exige uma avaliação individual e pode envolver diferentes profissionais, exames e etapas de tratamento.
É justamente por isso que conhecer a estrutura disponível em cada região importa. Quanto mais claro for o cenário da assistência, maior é a possibilidade de identificar onde estão os desafios e quais necessidades precisam ser consideradas.
Um olhar para o futuro da assistência
O câncer infantojuvenil envolve números, estruturas e políticas de saúde, mas, no centro dessa discussão, estão crianças, adolescentes e suas famílias.
O Mapeamento Nacional do Câncer Infantojuvenil busca transformar diferentes realidades em informações que ajudem a compreender a assistência oncológica pediátrica no Brasil.
Para o Hospital Erastinho, fazer parte desse movimento significa contribuir com a experiência de uma instituição especializada e ajudar a construir um retrato mais próximo da realidade vivida pelos serviços que atendem pacientes com câncer infantojuvenil.
Conhecer essa realidade é um passo para entender os desafios existentes e pensar nos caminhos que podem fortalecer a assistência no país.
Sobre o Hospital Erastinho
O Hospital Erastinho é o primeiro hospital exclusivamente oncopediátrico do Sul do Brasil. Integrado à Liga Paranaense de Combate ao Câncer, oferece assistência especializada a crianças e adolescentes com câncer e suas famílias.
A instituição conta com estrutura voltada às necessidades do público infantojuvenil e realiza mais de 75% dos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).