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PF conclui que concessionária de carros de luxo lavava dinheiro de esquema do PCC e CV que usava o Porto do Rio

PF conclui que concessionária de carros de luxo lavava dinheiro de esquema do PCC e CV

G1 — Brasil · 2026-07-25T18:23:14.000Z

PF conclui que concessionária de carros de luxo lavava dinheiro de esquema do PCC e CV

A Polícia Federal concluiu que uma concessionária de veículos de alto luxo, em Osasco (SP), era usada para lavar dinheiro de uma organização criminosa ligada ao tráfico internacional de drogas. Segundo os investigadores da Operação Commodity, o estabelecimento fazia parte da estrutura financeira responsável por dar aparência legal aos recursos obtidos com o envio de cocaína para a Europa, em um esquema que envolvia criminosos do CV e PCC. A Justiça determinou intervenção judicial na empresa.

A investigação também incluiu nesse núcleo Rodrigo de Paula Morgado, apontado pela PF como o "Contador do PCC", e Wanderson Machado de Oliveira, conhecido como "Del Piero" ou "Pen Drive". Os dois já estavam presos por outras investigações, mas agora passam a responder também pelos crimes apurados na Operação Commodity.

PF mira esquema do CV e do PCC que enviava toneladas de cocaína à Europa

Segundo a denúncia apresentada pela PF, "a macroestrutura de lavagem corporativa foi desenhada e gerida pelo operador Rodrigo de Paula Morgado (...), responsável por prover estruturas societárias instrumentais ao grupo investigado".

Morgado também foi investigado na Operação Narco Fluxo, que levou às prisões dos funkeiros MC Poze do Rodo e MC Ryan SP. A Polícia Federal aponta o empresário como integrante do núcleo financeiro da organização criminosa investigada.

A concessionária alvo da investigação ocupa um amplo showroom em Osasco, na Grande São Paulo, onde são expostos dezenas de veículos de alto padrão. As imagens obtidas pelo g1 mostram modelos de marcas como Ferrari, Porsche, Corvette e Land Rover, além de SUVs e esportivos.

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Organização tinha divisão de tarefas

De acordo com a investigação, a organização criminosa mantinha uma estrutura altamente especializada, dividida entre um núcleo responsável pelo envio internacional da droga e outro dedicado exclusivamente à lavagem dos recursos obtidos com o tráfico.

A PF afirma que o grupo possuía vínculos operacionais com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV), utilizando empresas de fachada, movimentações em criptomoedas e negócios aparentemente regulares para ocultar a origem do dinheiro.

Enquanto Wanderson Machado de Oliveira seria o responsável por coordenar a logística internacional do tráfico e controlar a movimentação financeira da organização a partir da Europa, Rodrigo Morgado seria o operador encarregado de inserir os recursos ilícitos na economia formal.

Rodrigo Morgado foi preso pela Polícia Federal em Santos (SP)

Segundo a investigação, Morgado fornecia empresas de fachada, utilizava notas fiscais sem lastro e convertia milhões de reais em criptoativos para dificultar o rastreamento das movimentações financeiras.

Porto do Rio era rota

Embora a organização atuasse em diversos estados e mantivesse operações internacionais, parte importante da investigação foi conduzida pela Polícia Federal no Rio de Janeiro, a partir de apreensões realizadas no Porto do Rio.

As investigações identificaram ao menos seis carregamentos ligados ao grupo entre 2023 e 2025.

Entre eles estão:

junho de 2023: apreensão de 25 kg de cocaína no Porto de Le Havre, na França;

março de 2024: apreensão de 1.321 kg de cocaína no Porto do Rio de Janeiro, em carga que seguiria para a Bélgica;

maio de 2025: apreensão de 651,2 kg de cocaína no Porto de Hamburgo, na Alemanha;

setembro de 2025: apreensão de 450 kg de pasta-base de cocaína no Porto do Rio de Janeiro, em remessa destinada à Eslovênia;

outubro de 2025: apreensão de 1,5 tonelada de cocaína em porto na Espanha;

novembro de 2025: apreensão de cocaína diluída em carga embarcada no Porto de Navegantes (SC), com destino à Eslovênia.

Segundo a PF, a organização escondia cocaína em cargas de café, cimento e argamassa e também utilizava técnicas de adulteração química para tentar escapar da fiscalização, como a diluição da droga em garrafas de refrigerante.

Cão farejador encontra cocaína em sacas de café

Relação com MC Poze e MC Ryan

Rodrigo Morgado já estava preso desde outubro de 2025, quando foi alvo da Operação Narco Bet. Posteriormente, ele também passou a responder na Operação Narco Fluxo, investigação que resultou nas prisões dos funkeiros MC Poze do Rodo e MC Ryan SP.

Segundo a PF, Morgado era responsável por estruturar o braço financeiro da organização criminosa, criando empresas de fachada, emitindo notas fiscais sem lastro e utilizando criptomoedas para ocultar e movimentar recursos do tráfico internacional.

As investigações da Commodity apontam que esse mesmo conhecimento técnico também teria sido empregado para dar suporte financeiro ao esquema responsável por enviar toneladas de cocaína para a Europa por meio de contêineres embarcados em portos brasileiros.

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