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Lula diz que sociedade não pode ficar assistindo 'denuncismo' e critica forma como debate ocorreu no STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16) que a sociedade brasileira não pode ficar "assistindo denuncismo" diariamente sem que haja conclusão das apurações envolvendo a crise no Supremo Tribunal Federal (STF).

G1 — Política · 2026-09-16T14:11:48.000Z

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16) que a sociedade brasileira não pode ficar "assistindo denuncismo" diariamente sem que haja conclusão das apurações envolvendo a crise no Supremo Tribunal Federal (STF).

Lula defendeu a investigação das denúncias, disse que ninguém está acima da lei e avaliou que o debate ocorrido na Corte nesta terça-feira (15) "não é correto".

As declarações foram dadas um dia após a sessão do STF que analisava se deve ou não ser aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino antes de a Corte entrar no mérito do caso.

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Segundo Lula, é necessário esclarecer as denúncias que vieram à tona nos últimos dias para preservar a credibilidade do Supremo.

"A Suprema Corte não pode ter a sua vida manchada. Ela é a instância máxima de poder nesse país. Quando ela toma uma decisão, ninguém pode mudar a decisão da Suprema Corte", afirmou.

O presidente voltou a defender que todos os envolvidos tenham direito à ampla defesa e à presunção de inocência, mas disse que eventuais irregularidades precisam ser investigadas.

"É importante que se apure, que dê direito de defesa às pessoas. A presunção de inocência tem que ser garantida a todo mundo, mas é preciso apurar."

Lula afirmou ainda que "ninguém está acima da lei", incluindo integrantes do próprio Judiciário. "Ninguém está acima da lei, nem eu, nem o Fachin, nem ministro da Suprema Corte."

As falas foram dadas em entrevista ao podcast 'Desce a Letra Show".

O presidente Lula durante cerimônia no Palácio do Planalto em 3 de setembro de 2026

Ao comentar a sucessão de acusações envolvendo integrantes do Judiciário, o presidente disse que a população acompanha as denúncias sem respostas definitivas.

"O que não dá é para a sociedade ficar assistindo esse denuncismo. Fulano pegou não sei quantos milhões, fulano recebeu não sei quantos milhões, e a sociedade está ouvindo tudo isso todo santo dia."

Na avaliação do presidente, o STF precisa conduzir o processo de forma a impedir que a crise tenha impactos sobre a disputa eleitoral.

"O [Edson] Fachin tem a responsabilidade de não permitir que isso atrapalhe o processo eleitoral."

Reforma do Judiciário

Lula também afirmou que a crise reforçou sua "convicção" de que o país precisa discutir mudanças no sistema de Justiça.

"Vamos fazer uma reforma no Poder Judiciário. A partir de agora, eu acho que não tem como não discutir mais isso."

Segundo o presidente, existem reclamações recorrentes sobre o funcionamento do Judiciário e a imagem da instituição atravessa um momento de desgaste.

"Tem muita queixa e a imagem não está boa", emendou.

Ao comentar a sessão do STF desta terça (15) , Lula afirmou que o confronto verbal entre ministros exibido durante o julgamento não contribui para a imagem da Corte.

"Aquele debate na televisão que eu assisti não é correto."

Apesar das críticas ao clima de tensão no Supremo, o presidente disse continuar admirando os ministros e voltou a elogiar a atuação de Alexandre de Moraes.

Elogios a Moraes

Lula afirmou que Moraes teve papel importante na defesa da democracia após as eleições de 2022 e relacionou as críticas ao ministro às investigações conduzidas pelo STF.

"Acho que o Alexandre de Moraes fez um trabalho extraordinário para garantir a democracia deste país."

O presidente também associou os ataques ao ministro às decisões que atingiram o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados investigados por tentativa de golpe de Estado.

Lula disse também estar indignado com a crise institucional, mas afirmou confiar que a situação será esclarecida.

"Estou confiante de que nós vamos encontrar uma saída, apurar, punir quem tiver que punir."

Ele acrescentou que a discussão sobre mudanças institucionais deve ir além do Judiciário e alcançar também o sistema político.

"Tem que fazer uma reforma no Poder Judiciário e também na política. A política está muito apodrecida no Brasil."

- Esta reportagem está em atualização

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