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Formigas usadas em prato na Coreia do Sul
G1 — Brasil · 2026-09-16T14:52:53.000Z
Formigas usadas em prato na Coreia do Sul
Um restaurante de Seul, na Coreia do Sul, premiado com duas estrelas Michelin, foi multado por servir sobremesas com formigas, ingrediente que não é autorizado pela legislação de segurança alimentar do país. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (16).
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O proprietário do restaurante Evett foi condenado a pagar 10 milhões de wons, cerca de R$ 37 mil, enquanto a diretora-executiva da empresa que administra o estabelecimento recebeu uma multa de 15 milhões de wons, aproximadamente R$ 56 mil.
A decisão é diferente do pedido feito anteriormente pelo Ministério Público. Os promotores haviam solicitado um ano de prisão para a diretora-executiva e uma multa de 20 milhões de wons para a empresa, de acordo com o jornal The Guardian.
Segundo a acusação, o restaurante importava formigas desidratadas dos Estados Unidos e da Tailândia e as servia como cobertura de uma sobremesa feita com sorvete de sikhye, uma bebida doce coreana à base de arroz. A prática ocorreu de abril de 2021 a janeiro de 2025.
O juiz Lee Se-chang, do Tribunal Distrital Ocidental de Seul, afirmou que a infração "não era de forma alguma leve". Ele citou o longo período em que os pratos foram vendidos, o uso das formigas para promover o restaurante e o resultado de testes que encontraram metais pesados acima dos níveis permitidos nos insetos.
Ao mesmo tempo, o magistrado considerou como fatores favoráveis aos réus a admissão do delito, a ausência de antecedentes criminais relacionados à legislação de segurança alimentar por parte da diretora-executiva, a quantidade de formigas servidas, que pareceu inferior à calculada pela Promotoria, e o fato de o restaurante ter deixado de usar o ingrediente.
Formigas não são autorizadas
Na Coreia do Sul, apenas dez espécies de insetos são aprovadas para uso como ingredientes alimentares. A lista inclui gafanhotos, larvas de tenébrio e pupas de bicho-da-seda.
Empresas que pretendem utilizar insetos que não estão na lista precisam obter uma autorização temporária do Ministério da Segurança Alimentar e Farmacêutica. O Evett não tinha essa autorização.
A investigação começou depois que o ministério encontrou menções ao uso de formigas pelo restaurante em blogs e nas redes sociais.
Os promotores estimaram que a sobremesa tenha sido servida a mais de 12 mil clientes, com o uso de cerca de 49 mil formigas, o que teria gerado uma receita de aproximadamente 120 milhões de wons, ou cerca de R$ 450 mil.
A defesa contestou a estimativa. Os advogados afirmaram que apenas cerca de 60% dos clientes aceitaram a cobertura de formigas quando ela era oferecida.
O restaurante também argumentou que as formigas apareciam em apenas uma pequena parte de seu menu degustação, de 15 etapas, e citou o uso do ingrediente em restaurantes de países como Dinamarca, Reino Unido e Austrália.
O Evett foi fundado pelo chef australiano Joseph Lidgerwood, que participou do programa de culinária da Netflix Culinary Class Wars. Ele é a principal figura pública associada ao restaurante, mas não foi acusado nem é réu no processo.
Pela legislação sul-coreana, a responsabilidade legal recai sobre a pessoa registrada como operadora do estabelecimento. Ginny Kim, esposa de Lidgerwood, aparece como diretora-executiva da empresa e foi incluída no processo junto com a companhia responsável pelo restaurante.
Tanto a defesa quanto a Promotoria têm sete dias para recorrer da decisão.