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Além da expansão do mercado tradicional, o setor de desenvolvimento de jogos independentes tem crescido e buscado cada vez mais por profissionais capacitados
G1 — Brasil · 2026-09-16T17:12:16.000Z
Além da expansão do mercado tradicional, o setor de desenvolvimento de jogos independentes tem crescido e buscado cada vez mais por profissionais capacitados
O mercado de jogos eletrônicos no Brasil deixou de ser uma cultura de nicho para se consolidar como um dos pilares centrais do entretenimento contemporâneo. Hoje, o hábito de jogar alcança 74,5% da população brasileira, segundo dados da PGB Data Insights 2026.
O levantamento demonstra que os jogos se integraram de maneira definitiva ao consumo cultural diário de pessoas de todas as idades, gêneros e classes sociais. A audiência nacional apresenta a amplitude desse mercado: declaram-se gamers 83,2% da Geração Z, 73,6% dos Millennials, 53,4% da Geração X e 41,7% da geração Boomer.
Sem contar que o número de estúdios e de lançamentos de empresas brasileiras no exterior tem crescido. A 2ª Pesquisa Nacional da Indústria de Games, uma colaboração entre a Abragames e a ApexBrasil, aponta que o número de estúdios nacionais cresceu, gerando mais de 13 mil empregos diretos e lançando mais de mil títulos autorais entre 2023 e 2024.
Nesse cenário de rápida transformação, a sanção do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos (Lei nº 14.852/2024) marcou uma virada histórica ao estimular expressivamente o apoio governamental a cursos de nível técnico e superior dedicados à computação e ao desenvolvimento de jogos.
Izequiel Norões, docente do curso de Ciência da Computação da Universidade de Fortaleza (Unifor) — mantida pela Fundação Edson Queiroz —, destaca que a Unifor se antecipou a essas demandas ao tratar os games como ciência de alta complexidade, unindo a fundamentação teórica à prática aplicada em laboratórios de ponta e projetos de extensão.
Por meio de iniciativas como o GIRA Lab e o Grupo de Aprendizagem e Desenvolvimento de Games, Entretenimento e Tecnologia (Gadget), a instituição une academia e indústria, focando na pesquisa de jogos sérios e transformacionais para áreas como saúde e educação, além de fomentar a criação de propriedades intelectuais brasileiras.
O Marco Legal oficializou que criar um jogo não é só um ato criativo ou comercial, mas um processo de alta complexidade tecnológica. É o que destaca Izequiel, que é pesquisador do GIRA Labs, cofundador do Gadget e presidente da União Cearense de Gamers (UCEG).
“Aqui mesmo na Universidade já notamos isso, pois os nossos alunos não querem apenas aprender a programar para empresas tradicionais, eles querem aplicar ciência, inteligência artificial e computação gráfica para fundar seus próprios estúdios e impactar o mercado nacional”, conta.
O diferencial da formação de excelência em um mercado plural
As transformações regulatórias e tecnológicas mudaram drasticamente o perfil exigido pelas empresas. Segundo o professor, o perfil profissional vai além do entusiasmo pelos jogos, priorizando:
o domínio de ferramentas modernas de IA,
o conhecimento em arquitetura e performance de código
as soft skills aguçadas para o trabalho em equipe multidisciplinar.
A construção de um portfólio recheado de projetos autorais ou por participações em Game Jams são diferenciais decisivos que a Unifor incentiva desde os primeiros semestres de formação.
“Recomendo sempre aos meus alunos que busquem ter um portfólio prático e a capacidade de execução em mente, pois mais do que o diploma isolado, o mercado avalia a capacidade de tirar ideias do papel. Aí vem ter um portfólio no GitHub ou ArtStation, por exemplo. [Criar] protótipos na universidade ou ter publicado um jogo autoral, por menor que seja, vale mais do que apenas o conhecimento teórico”, afirma Izequiel.
Izequiel Norões, professor da Unifor, cofundador do Gadget e presidente da União Cearense de Gamers
A nova legislação traz segurança jurídica ao setor, equiparando os jogos a obras audiovisuais interativas e produtos culturais, abrindo acesso a mecanismos de incentivo fiscais, como a Lei Rouanet. Outro ponto central é a separação categórica entre os videogames tradicionais e os jogos de apostas virtuais (as chamadas “bets” ou jogos de azar) com diretrizes rigorosas de proteção a crianças e adolescentes no ambiente online.
O Marco Legal, portanto, reconhece o desenvolvimento de games como uma atividade de pesquisa e inovação tecnológica, o que facilita a formalização de estúdios, microempreendedores individuais (MEIs) e atrai investimentos nacionais e estrangeiros.
“A maior mudança para quem desenvolve jogos no Brasil é a transição de um cenário de ‘resistência informal’ para uma indústria formalizada, sustentável e reconhecida. Historicamente, o desenvolvedor brasileiro enfrentou a falta de segurança jurídica, a escassez de financiamento e a barreira do custo de ferramentas e equipamentos. Não havia nem uma classificação específica para uma empresa que desenvolve jogos, só para ilustrar isso, destaca o professor Izequiel Norões
Segundo ele, as novas regulamentações e o reconhecimento do setor alteraram a rotina e o futuro do desenvolvedor em quatro pilares fundamentais:
a segurança jurídica,
o maior acesso a investimentos para a importação de ferramentas e hardware para o setor,
o fomento à produção autoral.
As múltiplas frentes de atuação: da programação autoral ao sound design
A articulação entre teorias de algoritmos, disciplinas focadas em computação gráfica e projetos práticos de extensão do Centro de Ciências Tecnológicas (CCT) da Unifor permite que os estudantes direcionem suas carreiras para diferentes nichos da indústria. Essa pluralidade reflete-se na trajetória de seus graduados, que encontram a segurança necessária para atuar na liderança de estúdios autorais até a criação de elementos sonoros imersivos.
O egresso Cauã Melo utilizou a estrutura dos laboratórios da Universidade para aprender a lógica de construção do zero e estruturar protótipos autorais. Hoje, ele lidera sua própria equipe na criação de um jogo ao lado de colegas que conheceu durante a graduação.
“O curso de Ciência da Computação me ajudou muito com o básico da programação, já que eu não sabia de nada antes de entrar no curso. Além disso, as cadeiras de Experimentação Orientada e Computação Gráfica são focadas no desenvolvimento de jogos, eu mesmo aprendi muito nelas e nunca esqueço os primeiros jogos que fiz. Além, claro, professores incríveis que tive, como os professores Izequiel Norões e Juliana Martins [também responsável pela criação do Gadget]”, compartilha.
Cauã concilia sua atuação profissional com o desenvolvimento de um jogo independente, enfrentando a complexidade de gerenciar tempo, equipes e recursos. Para ele, a estrutura de laboratórios e grupos de estudo da Unifor, como o Gadget, proporcionam uma base acadêmica sólida para encarar os desafios de um mercado dinâmico. O egresso vê no Marco Legal o estímulo necessário para que projetos autorais brasileiros ganhem o mundo.
“Grandes empresas estão estagnadas em fazer sequências ou jogos com a mesma fórmula de sempre, e desenvolvedores indies estão fazendo jogos diferentes, com temas, mecânicas e histórias únicos. E para você se destacar nesse meio, você precisa ser adaptável e o seu jogo precisa ser divertido”, relata.
Por outro lado, a formação em Ciência da Computação também se desdobra em especializações técnicas altamente específicas, como o sound design e a composição sonora interativa. Essa é a área de atuação do egresso Guilherme Leocádio, que atua como compositor e designer de áudio na VENN Studios, empresa brasileira de desenvolvimento de jogos.
Guilherme Leocádio, egresso do curso de Ciência da Computação da Unifor
Em sua rotina de trabalho, ele é o responsável pela criação de efeitos sonoros e pela composição das trilhas sonoras originais de títulos como Rogue Reigns (um jogo de cartas tático no estilo deckbuilder), Paradoxical (jogo de quebra-cabeças baseado em mecânicas de portais) e Dark Island (um roguelike de fantasia sombria).
“Sempre tive vontade de entrar na indústria de games. Comecei nas Game Jams e daí nunca parei. Sempre programava e fazia músicas para os jogos da minha equipe”, conta Guilherme, que uniu sua inclinação musical ao seu amor pelos jogos, construindo um portfólio robusto ainda durante a graduação.
“O curso [de Ciência da Computação] como um todo, além da programação, me ajudou a formar conexões e ter mais maturidade. Dentro da Universidade, o Gadget e o Vortex me ajudaram imensamente a crescer como pessoa, além de proporcionar conexões incríveis fora e dentro do mercado, me inspirando ainda mais a continuar”, conclui Guilherme.
Estude Ciência da Computação na Unifor em 2027.1
Quer transformar sua paixão por tecnologia e jogos em uma carreira de destaque no mercado nacional e internacional? O curso de Ciência da Computação da Universidade de Fortaleza oferece uma formação moderna e alinhada às principais demandas do mercado global, unindo teoria sólida em algoritmos e engenharia de software à prática intensiva em computação gráfica e inovação.
Na Unifor, os estudantes desenvolvem suas habilidades em ecossistemas práticos de aprendizado, como:
Laboratório de pesquisa voltado ao desenvolvimento de serious games (jogos sérios) aplicados à saúde, educação e cultura.
Espaço de aprendizagem focado no desenvolvimento de jogos, entretenimento e estudos sobre o mercado de games.
Núcleo de inovação e tecnologia que conecta alunos a projetos reais e maratonas de programação (como as Game Jams).
Com laboratórios de ponta, corpo docente formado por mestres e doutores atuantes no mercado e incentivo contínuo ao empreendedorismo, a Unifor prepara os alunos para liderarem as transformações da era digital.
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