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Dino x Fachin: sessão do STF também foi marcada por críticas de ministro ao presidente da Corte

Dino critica condução de Fachin no STF: 'clima é daí para pior'

G1 — Política · 2026-09-16T19:49:56.000Z

Dino critica condução de Fachin no STF: 'clima é daí para pior'

A primeira sessão do julgamento que pode determinar a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes foi recheada com críticas ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin – a maior parte das queixas veio do ministro Flávio Dino.

Um dos momentos mais tensos do julgamento de terça-feira (15) foi o que antecedeu o pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino. Tudo começou com o bate-boca acalorado entre os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes.

Mendonça estava respondendo a uma manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, quando foi interrompido por Mendes, que o chamou de "sujeito" e disse que o colega agia com "desfaçatez".

"É impressionante, é impressionante a desfaçatez desse sujeito", disse Mendes.

Mendonça, aos gritos, respondeu: "A desfaçatez de vossa Excelência. Me respeite!"

Pouco tempo depois disso, Dino criticou a condução do julgamento por Fachin, anunciando que pediria vista do caso.

“Ministro Fachin, com todo o respeito, se vossa excelência não toma uma providência, eu vou pedir vista. É impossível, ministro Fachin. O poder de polícia da sessão compete a vossa Excelência. Nós estamos em termos que degradam a imagem do Tribunal”, disse Dino.

“Eu sei e já pedi… estou tentando acalmar”, respondeu Fachin.

“Não, ministro, vossa Excelência está assistindo a isso há horas. E está transformando o Supremo, nas próximas semanas, quiçá meses, neste debate. Se vossa Excelência vai assistir a isso, eu não vou. Porque sou funcionário público deste país e tenho respeito a ele”, rebateu Dino.

Ministro Edson Fachin

Na avaliação de Dino, há uma degradação "do ponto de vista ético" da Corte e isso também tem relação com a condução de Fachin.

O presidente do STF não respondeu às críticas diretamente durante a sessão.

Após reiterar o pedido de vista, Dino disse que Fachin deixou o Tribunal exposto em um período eleitoral.

E afirmou que o presidente da Corte está condenado a convocar diversas sessões sobre o tema diante das revelações de mais ministros citados em conversas encontradas no celular de Daniel Vorcaro.

"A 15 dias da eleição, o Tribunal se expõe a isso e veja, sem ponto final, senhor presidente. Acho que o senhor não se deu conta disso. Porque vossa excelência, além de marcar esta sessão desastrada, ainda marcou outra na próxima semana. E, nas próximas semanas, vossa excelência está condenado a marcar dezenas de sessões iguais”, disse Dino.

Nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Fachin precisa atuar para não permitir que a crise no Supremo atrapalhe as eleições — cujo primeiro turno está marcado para 4 de outubro.

Sessão marcada por embates

Gilmar interrompe Mendonça e fala em leviandade: 'É impressionante a desfaçatez'

Ainda no início da sessão de terça-feira (15), o primeiro movimento de contestação de Dino a Fachin veio por meio de outro ministro, Gilmar Mendes.

Dino enviou uma questão de ordem contra decisões do presidente do STF a Gilmar, por ser este o decano, ministro com mais tempo na Corte.

O drible a Fachin demonstrou o tom dos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF). No ofício a Mendes, o ministro Dino falou em "atos ilegais" por parte do presidente da Corte.

Dino critica a reunião de processos no gabinete do presidente do STF decidida pelo próprio ministro Fachin.

No caso do pedido de investigação contra Moraes, o processo foi enviado do gabinete de André Mendonça para a presidência por ordem de Fachin, seguindo o argumento de que decisões contra ministros cabem ao plenário do STF.

Para Dino, os atos de Fachin não estão previstos em lei. "Não existe avocação entre iguais. A capa de vossa Excelência é igual à minha. Porque esse é um Tribunal de iguais", disse o ministro.

"Se nós aceitarmos a avocatória, presidente, nós estaremos abrindo uma avenida de autoritarismo, de despotismo, de tirania nos tribunais que ninguém vai controlar", completou.

Fachin concordou que puxar casos é algo autoritário, e pediu cuidado a Dino por classificar suas decisões dessa forma.

O presidente do STF ainda rebateu: "Eu, em momento algum, destituí relator algum. Vossa Excelência parte da premissa de que avoquei os casos Master e INSS. Isso não é verdade. Isso não ocorreu, embora o ministro Gilmar tivesse pedido que eu o fizesse".

Durante a sessão, Fachin disse também que não tinha conhecimento do ofício de Dino questionando suas decisões.

A partir desse momento, o julgamento se deslocou para decidir se as decisões de Fachin seriam mantidas. Entre as quais, se o julgamento de Moraes seria realmente separado de Mendonça, que enfrenta acusações de ser parcial na condução dos inquéritos do Master e do INSS.

Ministro Flávio Dino, ministro do STF

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