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Câmeras de segurança revelam feminicídio, e agosto se torna mês mais letal para mulheres em MS

Morte de Wandete Gois da Silva em Ponta Porã é classificada como feminicídio

G1 — Brasil · 2026-09-16T20:36:14.000Z

Morte de Wandete Gois da Silva em Ponta Porã é classificada como feminicídio

O caso envolvendo a morte de Wandete Gois da Silva, de 58 anos, atropelada em agosto de 2026 na BR-463, em Ponta Porã, passou a ser investigado como feminicídio. Inicialmente, a ocorrência havia sido registrada como homicídio culposo na direção de veículo automotor.

De acordo com a Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Ponta Porã, a mudança na tipificação ocorreu após novas analises nas imagens de câmeras de monitoramento do local e depoimentos de testemunhas.

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Wandete morreu após ser atropelada por um caminhão na noite de 2 de agosto, no km 102 da BR-463, na região do trevo de Santa Puitã, em Ponta Porã. O principal suspeito é o marido da vítima, de 49 anos.

O homem se apresentou na delegacia acompanhado de advogados e foi preso em flagrante. Testemunhas relataram à polícia que ele havia ingerido bebida alcoólica antes do atropelamento e que o casal participava de um encontro de caminhoneiros nas proximidades do distrito de Santa Puitã.

Na fase inicial das investigações, o caso foi registrado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, com suspeita de que o condutor estivesse sob influência de álcool ou de outra substância psicoativa.

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Após a realização de novas diligências, análise de provas e depoimentos, a Polícia Civil alterou a tipificação do caso para feminicídio.

De acordo com a DAM, a investigação continua sob sigilo a fim de não prejudicar algumas diligências que ainda estão em andamento.

Agosto se torna o mês com mais feminicídios da série histórica

Com a nova tipificação da morte de Wandete, agosto se tornou o mês com o maior número de feminicídios registrados em Mato Grosso do Sul desde o início da série histórica.

A tipificação do feminicídio foi criada em 2015 para casos de homicídio de mulheres em razão da condição do sexo feminino, em contextos previstos pela legislação.

Desde então, o maior número registrado anteriormente em um único mês era de sete casos, em janeiro de 2022. Outros sete meses acumularam, no máximo, seis feminicídios.

Relembre o caso

Segundo o boletim de ocorrência, equipes foram acionadas para atender a um atropelamento. Quando chegaram ao local, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) já preservava a área até a chegada da Polícia Civil e da perícia. O corpo da vítima estava caído sobre a pista, na faixa no sentido Ponta Porã.

Durante a perícia, foi encontrado ao lado do corpo um fragmento de plástico que aparentava ser parte do para-lama do veículo envolvido no atropelamento.

Duas testemunhas relataram que a vítima estava em um encontro de caminhoneiros com o marido. Segundo elas, o casal deixou o evento junto, mas não foi possível confirmar se os dois seguiram no mesmo veículo.

Depois disso, ninguém mais teria visto Wandete. As testemunhas também informaram que o suspeito havia consumido bebida alcoólica e estaria dirigindo o próprio caminhão.

Diante da suspeita de que o fragmento encontrado no local pudesse pertencer ao caminhão do marido da vítima, policiais civis foram até a residência do casal.

O caminhão estava estacionado na rua. Durante a verificação, os policiais constataram que o para-lama de uma das rodas do lado esquerdo estava quebrado.

A perícia foi acionada novamente e, após análise técnica, confirmou que a peça recolhida na rodovia pertencia ao caminhão conduzido pelo suspeito.

Mais tarde, o homem se apresentou na delegacia acompanhado de dois advogados. Por determinação da autoridade policial de plantão, ele foi preso em flagrante.

Segundo o registro policial, o suspeito se recusou a realizar o teste do bafômetro.

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