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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ato de campanha à reeleição
G1 — Política · 2026-09-17T00:47:14.000Z
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ato de campanha à reeleição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16), em evento de campanha em Brasília ao lado de aliados, que o governo federal não vai "dar dinheiro" para ajudar a solucionar a crise patrimonial do Banco de Brasília (BRB).
"O BRB comprou títulos que não existiam. Nós não vamos deixar o povo sem dinheiro, mas não vamos dar dinheiro para o BRB", continuou.
O BRB enfrenta a pior crise de sua história desde novembro de 2025, quando a operação Compliance Zero revelou as suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
O BRB tentou comprar o Master e chegou a injetar R$ 16,7 bilhões no banco de Vorcaro. A compra foi barrada pelo Banco Central e, depois, o BRB descobriu que parte das carteiras compradas era fraudulenta e sem lastro.
O governo do DF é acionista majoritário do BRB e tenta, agora, um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para recompor o patrimônio da instituição. O governo federal já informou que não pode dar garantia a essa operação, mas o DF vem insistindo no pedido.
No discurso, Lula fez duras críticas à governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), ao ex-governador Ibaneis Rocha (MDB).
"Vocês estão acompanhando o que aconteceu com o BRB. A governadora, de forma cínica e mentirosa, quer jogar a responsabilidade no governo federal. Quem quebrou [o banco] foi a ligação do Ibaneis e do [ex-banqueiro Daniel] Vorcaro", declarou Lula em ato de campanha em Brasília.
"Na verdade, a governadora deveria estar preocupada com a prisão do Ibaneis. Ele está escondido onde, gastando o dinheiro que foi roubado?", seguiu Lula.
Lula discursou ao lado dos candidatos do PT e de partidos aliados que disputam as eleições de 2026 em Brasília. O ato em Ceilândia foi o primeiro evento público de campanha do presidente na capital federal nas eleições deste ano.
Investigação da Polícia Federal aponta que direção do BRB sabia das fraudes
Que crise é essa do BRB?
O BRB, atualmente, encontra-se em crise por causa de negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões, segundo dados do próprio banco.
O BRB estimou que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação.
O governo do DF disse que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões.
Uma lei que autoriza o acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões foi sancionada no dia 24 de junho.
O governo do DF é o acionista controlador do banco e utiliza o BRB para operar mais de 30 programas sociais, oferecer crédito habitacional e até para operar a folha de pagamento do funcionalismo distrital.
Por isso, cabe ao Executivo local garantir que o banco funcione dentro das regras do sistema financeiro do país – o que foi comprometido pelas supostas fraudes nas transações com o Master.
Ex-presidente do banco foi preso
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações.
Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança.
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