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Professor mineiro é medalhista de prata com projeto de I.A. em evento do Brics na China
G1 — Brasil · 2026-09-17T07:00:00.000Z
Professor mineiro é medalhista de prata com projeto de I.A. em evento do Brics na China
A conquista de uma medalha de prata em um evento internacional do BRICS, realizado em Guangzhou, na China, levou um professor de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) a discutir um tema que considera fundamental para o futuro da inteligência artificial: os limites do uso da tecnologia na tomada de decisões que afetam a vida das pessoas.
O pesquisador Hélio Lemes Costa apresentou um modelo de governança para laboratórios e projetos de inovação que utiliza inteligência artificial para analisar documentos, áudios, vídeos e outros registros produzidos ao longo de projetos, atribuindo indicadores de risco, transparência e andamento. Apesar do potencial da ferramenta, ele afirma que a tecnologia não deve substituir a análise humana.
“A IA não pode ser a última palavra para poder decidir o futuro de uma família, de uma pessoa. O humano precisa permanecer no circuito de tomada de decisão”, afirmou.
O alerta parte da avaliação de que a inteligência artificial se tornou uma das maiores transformações tecnológicas das últimas décadas. Segundo ele, embora a tecnologia exista há muito tempo, sua popularização ocorreu recentemente, ampliando rapidamente as possibilidades de aplicação em diferentes setores.
Pesquisador mineiro premiado pelo Brics na China alerta: 'IA não pode decidir sozinha o futuro das pessoas'
Arquivo Pessoal/Hélio Lemes Costa
“Assim como a internet, a IA é aplicada em todos os setores, todas as áreas. Não é uma tecnologia que afeta um setor específico. Ela é muito abrangente e provoca transformações profundas onde chega”, disse.
Durante entrevista ao g1, o professor citou exemplos internacionais que demonstram os riscos da utilização inadequada da inteligência artificial. Um dos casos mencionados ocorreu na Holanda, onde um sistema utilizado para revisar benefícios sociais classificou milhares de pessoas, de forma equivocada, como fraudadoras.
Segundo o pesquisador, a ferramenta apresentava vieses que levaram cidadãos a perder benefícios, empregos e até moradias. Após revisão humana, o governo precisou rever as decisões, ressarcir os afetados e enfrentar uma crise política.
“São coisas muito novas. A inovação sempre envolve riscos, e os riscos não são apenas financeiros. Eles podem ter impacto real na vida das pessoas”, afirmou.
Para ele, o caminho mais seguro é utilizar a inteligência artificial como instrumento de apoio. A tecnologia pode acelerar tarefas repetitivas, organizar informações e auxiliar análises complexas, mas a validação final deve permanecer sob responsabilidade humana.
Pesquisador mineiro premiado pelo Brics na China alerta: 'IA não pode decidir sozinha o futuro das pessoas'
Arquivo Pessoal/Hélio Lemes Costa
“Eu utilizo muito a IA no começo dos processos, para fazer tarefas repetitivas e acelerar o trabalho. Mas ela nunca finaliza as minhas atividades. Sempre é necessário revisar, conferir e corrigir eventuais erros”, explicou.
Projeto premiado na China
Foi justamente nessa lógica que surgiu o projeto premiado na China. O modelo RGF-Agent começou a ser desenvolvido há cerca de cinco anos e foi reformulado recentemente para incorporar recursos de inteligência artificial. O objetivo é ajudar gestores a lidar com uma das principais dificuldades dos projetos de inovação: a análise de informações que normalmente estão dispersas e sem padronização.
O software desenvolvido pelo pesquisador é capaz de processar desde atas e documentos formais até gravações de reuniões, vídeos e anotações informais. Com base nesses dados, o sistema calcula indicadores relacionados ao risco dos projetos, à transparência das ações e às chances de sucesso das iniciativas.
De acordo com o professor, essas informações permitem que gestores identifiquem projetos que exigem atenção adicional antes que problemas comprometam os resultados.
Pesquisador mineiro premiado pelo Brics na China alerta: 'IA não pode decidir sozinha o futuro das pessoas'
Arquivo Pessoal/Hélio Lemes Costa
“Quem administra os projetos pode olhar para esses indicadores e perceber onde precisa atuar para reduzir riscos e aumentar as chances de sucesso”, disse.
O trabalho foi apresentado em uma competição que reuniu cerca de 500 projetos de países integrantes do BRICS e das nações que passaram a integrar o bloco. O pesquisador afirmou que participou do evento sem expectativa de premiação, mas acabou conquistando a medalha de prata.
“Foi realmente surpreendente. Eu fui o único brasileiro a ser premiado com medalha nesse evento”, afirmou.
Inovação produzida no interior
Além de discutir os impactos da inteligência artificial, o professor vê a conquista como uma oportunidade para estimular a produção de conhecimento e inovação fora dos grandes centros do país. Segundo ele, ideias desenvolvidas no interior têm potencial para competir internacionalmente.
“Muitas vezes as pessoas acham que o que fazem não é bom o suficiente para mostrar ao mundo. Mas a inovação acontece a partir de boas ideias compartilhadas. Nós temos condições de fazer coisas muito boas aqui e competir no mesmo nível de projetos que estão sendo desenvolvidos em qualquer lugar do mundo”, afirmou.
Pesquisador mineiro premiado pelo Brics na China alerta: 'IA não pode decidir sozinha o futuro das pessoas'
Arquivo Pessoal/Hélio Lemes Costa
O modelo teórico apresentado pelo pesquisador já foi publicado em artigos científicos. Já o software utilizado durante a competição ainda passa por ajustes e aperfeiçoamentos antes de uma eventual disponibilização para uso mais amplo.
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