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Kleber Nunes negou o crime e diz que nunca fez ameaças a testemunhas
G1 — Brasil · 2026-09-17T14:39:20.000Z
Kleber Nunes negou o crime e diz que nunca fez ameaças a testemunhas
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou à Justiça, nesta semana, um empresário e mais 12 pessoas investigadas na segunda fase da Operação Armagedom, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de praticar agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro no Vale do Paraíba.
A denúncia do MP-SP aponta que o grupo teria continuado a atuar mesmo após prisões e condenações ocorridas na primeira fase da operação, em 2024.
Entre os denunciados está o empresário Kleber Nunes Faria de Sousa, conhecido como "Klebinho", apontado pelo Ministério Público como um dos líderes do grupo. Ele foi preso em agosto, durante a segunda fase da operação, após a Justiça decretar sua prisão preventiva.
Na ocasião, Kleber negou as acusações e afirmou ser inocente. Procurada pelo g1 nesta quinta-feira (17), a defesa do empresário disse que "irá se manifestar somente nos autos".
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Ao todo, a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) atribui aos 13 denunciados crimes de organização criminosa, lavagem ou ocultação de bens, usura e extorsões relacionadas às atividades investigadas.
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Segundo o Ministério Público, mesmo após a primeira fase da Operação Armagedom, os principais integrantes teriam reorganizado a estrutura do grupo e dividido funções para manter as atividades.
A denúncia aponta Kleber como responsável pela coordenação das atividades a partir da prisão domiciliar. O documento cita mais de 1,2 mil acessos de pessoas e veículos à residência dele durante o período monitorado pela investigação.
Outro homem apontado como líder estaria preso na Penitenciária de Registro e, segundo a acusação, teria continuado a participar das atividades por meio de outras pessoas.
A investigação também aponta a participação de familiares e outros integrantes em funções relacionadas à administração de empresas, movimentação de dinheiro, cobrança de dívidas e administração de bens.
Operação mira grupo suspeito de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro no Vale do Paraíba
Manuella Patta/TV Vanguarda
Empréstimos e cobrança de dívidas
De acordo com a denúncia, o grupo oferecia empréstimos com juros considerados abusivos pelo Ministério Público. A acusação aponta taxas que variavam de 5% a 15% ao mês, enquanto contratos poderiam registrar taxas menores.
Ainda segundo o MP, pessoas que não conseguiam quitar as dívidas eram pressionadas a entregar imóveis e veículos como forma de pagamento. O documento também descreve o uso de contas de terceiros e empresas para movimentar e ocultar valores.
Relatórios financeiros citados na denúncia apontaram movimentação superior a R$ 205 milhões entre os investigados. O Ministério Público afirma ter identificado cerca de R$ 108 milhões sem origem declarada ou incompatíveis com as rendas formais analisadas.
A denúncia também descreve uma estrutura utilizada, segundo o MP, para ocultar patrimônio. Entre os bens investigados estão imóveis residenciais e comerciais, veículos, empresas e cavalos.
Na segunda fase da Operação Armagedom, a Justiça autorizou medidas patrimoniais que podem alcançar R$ 205,7 milhões. Entre os bens atingidos estão 37 cavalos da raça Mangalarga Marchador.
O Ministério Público também pediu à Justiça o perdimento de bens que considera provenientes das atividades criminosas e a fixação de um valor mínimo para reparação dos danos causados pelas infrações investigadas.
Operação mira grupo suspeito de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro no Vale do Paraíba
Manuella Patta/TV Vanguarda
A primeira fase da Operação Armagedom foi deflagrada em novembro de 2024. Na ocasião, integrantes apontados como líderes do grupo foram presos e posteriormente condenados pela Justiça.
Segundo o Ministério Público, a segunda fase foi necessária porque as investigações apontaram que as atividades teriam continuado mesmo após as prisões.
Com a nova denúncia, caberá à Justiça analisar a acusação apresentada pelo Ministério Público.
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