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Flávio Bolsonaro durante live nesta quinta-feira, 17 de setembro
G1 — Política · 2026-09-18T00:31:49.000Z
Flávio Bolsonaro durante live nesta quinta-feira, 17 de setembro
Candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro afirmou que irá recrutar pessoas para fazer a fiscalização das urnas eletrônicas no dia das eleições.
Em live na noite desta quinta-feira (17), o senador afirmou que ele precisa ter "gente nossa, pelo Brasil inteiro", para evitar que "pessoas mal-intencionadas votem no lugar de outras" -- o que não acontece nas eleições por uma série de ferramentas de segurança do Tribunal Superior Eleitoral, como a biometria digital.
🔎 Desde a primeira eleição com urnas eletrônicas, nunca houve um caso de fraude no equipamento.
"A gente vai começar a fazer um trabalho de arregimentação de pessoas para nos ajudar na fiscalização no dia da eleição. Então, vamos divulgar os fiscais de urna", disse o candidato, que prometeu um site para a inscrição dos interessados.
"Basicamente, a gente vai recrutar as pessoas, [elas] vão poder se inscrever, vão ser credenciadas, vai ter um rápido ensinamento como é que faz para a gente fazer a fiscalização das urnas, em especial no momento em que a urna fechou. A gente tem que ter gente nossa, pelo Brasil inteiro, fiscalizando para evitar que pessoas mal-intencionadas votem no lugar de outras e façam alguns tipos de atitudes ilegais como essas aí", sem dar exemplos de malfeitos.
Em julho deste ano, Flávio Bolsonaro atacou as urnas eletrônicas durante reunião com diplomatas com acusações já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral. O senador repetiu atitude de seu pai, Jair Bolsonaro, que em julho de 2022 atacou o sistema eleitoral, afirmando, sem provas, que as urnas não seriam seguras.
Ferramentas de proteção da urna
Antes de cada eleição, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) promove uma série de testes públicos para tentar identificar falhas nos sistemas eleitorais.
Um exemplo é o chamado Teste de Segurança, iniciativa que permite a especialistas em computação e a qualquer cidadão brasileiro maior de 18 anos tentar encontrar vulnerabilidades nos sistemas usados nas urnas eletrônicas.
Um dos principais alvos dos testes é o código-fonte dos sistemas da urna. É o conjunto de instruções que determina como o software deve funcionar. Segundo o TSE, desde a primeira edição do teste, em 2009, nenhum participante conseguiu encontrar uma falha capaz de comprometer o sigilo do voto ou o resultado de uma eleição.
O teste público de segurança é apenas um dos mecanismos de verificação usados pela Justiça Eleitoral. Confira as principais etapas do processo:
Inspeção do código-fonte
Um ano antes da eleição, os códigos-fonte dos sistemas eleitorais são abertos para análise. Entidades autorizadas podem examinar os códigos, acompanhar o funcionamento dos sistemas e solicitar esclarecimentos ao TSE.
Assinatura digital e lacração
Mais próximo da votação, as urnas que serão utilizadas passam por um processo de assinatura digital e lacração. A partir desse momento, qualquer alteração nos programas pode ser identificada.
Teste de integridade
No dia da eleição, algumas urnas são sorteadas para passar pelo teste de integridade. Na véspera, representantes de entidades e partidos preenchem cédulas de papel com votos e as depositam em uma urna de lona. No dia da votação, os mesmos votos são digitados na urna eletrônica sorteada para o teste — todo o processo é acompanhado e filmado.
Ao final, é feita a comparação entre o resultado registrado pela urna eletrônica e os votos preenchidos nas cédulas de papel. É assim que se verifica, na prática, se o equipamento registra e contabiliza corretamente os votos.
Zerésima e boletim de urna
Antes do início da votação, cada urna emite a chamada "zerésima", documento que comprova que o equipamento começou o dia sem nenhum voto registrado.
Ao final da votação, a urna emite o boletim de urna, com os totais de votos recebidos por cada candidato e partido, além dos votos brancos e nulos. Uma cópia do boletim é afixada na seção eleitoral, e o documento traz um QR Code que pode ser lido por qualquer pessoa, permitindo comparar o resultado daquela urna com os dados publicados posteriormente pelo TSE.
Como a urna eletrônica é testada antes das eleições