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Zenaide Maia (PSD) foi a entrevistada do Bom Dia Inter desta sexta-feira (18)
G1 — Brasil · 2026-09-18T12:42:01.000Z
Zenaide Maia (PSD) foi a entrevistada do Bom Dia Inter desta sexta-feira (18)
Elizama Cardoso/Inter TV
A candidata à reeleição ao Senado Federal pelo Rio Grande do Norte Zenaide Maia, entrevistada desta sexta-feira (18) do Bom Dia Inter, disse que vai seguir em busca da aprovação da lei que garante 5% das vagas em terceirizadas do governo federal para mulheres vítimas de violência.
Zenaide também falou que vai seguir em busca da aprovação da PEC da Taxa de Juros, que prevê a limitação da taxa de juros dos cartões de crédito no Brasil. "A culpa principal do endividamento das famílias brasileiras é, sim, os juros. A taxa de juros maior do mundo é essa desse país", acredita.
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O Bom Dia Inter realizou entre segunda (14) e sexta-feira (18) uma série de entrevistas com os candidatos ao Senado Federal pelo Rio Grande do Norte. Veja as entrevistas que aconteceram:
Segunda-feira (14): Rafael Motta (PDT)
Terça-feira (15): Samanda de Lula (PT)
Quarta-feira (16): Styvenson Valentim (Podemos)
Quinta-feira (17): Coronel Hélio (PL)
Sexta-feira (18): Zenaide Maia (PSD)
Agora no g1
Rompimento com Fátima Bezerra e apoio a Lula
A candidata falou sobre o rompimento com a atual governadora Fátima Bezerra (PT), de quem foi aliada política em eleições anteriores. Nas eleições de 2026, Zenaide apoia o candidato do União Brasil, Allyson Bezerra, ao governo do RN.
Fátima Bezerra tinha a pretensão política de sair candidata ao Senado Federal neste ano, o que acabou por não se concretizar após o rompimento político dela com o vice Walter Alves.
"Em 2022 eu tive um encontro com Fátima e ela disse claramente que tinha o projeto político dela, que seria ela senadora, mais outro senador e um candidato ao governo. Então, o que é que eu fiz? Continuei o meu trabalho pelo Rio Grande do Norte, que essa era minha função", disse.
Segundo a senadora, Fátima Bezerra já tinha um grupo de candidatos fechado para as disputas eleitorais deste ano.
Apesar do rompimento com o PT nas eleições estaduais, Zenaide Maia disse que nacionalmente apoia o presidente Lula à reeleição. Nacionalmente, o PSD, partido dela, apoia Ronaldo Caiado para a presidência.
"Na hora que foi definido que o PSD teria candidato, mas, desde o início, eu tinha falado que para o presidente da República que o meu candidato era Lula. Nós somos 12 senadores do PSD. Dos 12, sete são da base de Lula", disse.
Segundo Zenaide, isso não representa um problema para o partido, porque a sigla "já é consciente". Questionada se o apoio pode soar como oportunismo político, já que apresenta diferenças em relação à escolha nacional do partido, que tem o presidente Gilberto Kassab como vice na chapa de Ronaldo Caiado, ela disse que não.
"Isso não vai confundir, isso não é oportunismo. Em todos os momentos, como o meu partido já decidiu: cada um veja a nível estadual o que é. E eu jamais deixaria de apoiar projetos importantes para as pessoas, porque era de A B ou C", disse.
Ela citou apoio a projetos como o novo Mais Médicos, Piso Nacional da Enfermagem e salários iguais para homens e mulheres na mesma função.
"Eu sou da base, isso desde o início. Sou da base de Lula e voto em Lula. Não é oportunismo porque eu nunca mudei isso aí", garantiu.
PEC dos juros do cartão de crédito
A candidata falou ainda que pretende seguir com o Projeto de Emenda à Constituição (PEC) 79/2019, que propõe limitar os juros do cartão de crédito e do cheque especial. O projeto foi apresentado em 2019, mas ainda não foi aprovado.
Questionada se falta articulação política para conseguir aprovar essa pauta de autoria própria, Zenaide disse que esse tipo de movimentação política "não é simples", mas que acredita que tem chances de aprovar o projeto.
"Vocês sabem que o sistema financeiro para aprovar uma PEC dessa, apesar dela ser de uma importância fundamental... É uma coisa que não dá para acreditar. Nos países de origem, esses cartões de crédito e cheques especiais cobram 3,5%. Você vê agora os os Estados Unidos chateado com 3,5% ao ano. No Brasil é 420%", pontuou.
A candidata citou o poder do sistema financeiro em relação à resistência do projeto, mas disse que vai seguir na luta pela matéria. "É uma das batalhas, da luta, que eu não vou renunciar a isso", garantiu.
"Juros altos prejudicam não só as pessoas físicas, mas o setor produtivo e eu sempre digo: o setor produtivo deveria se unir a gente para a gente aprovar uma PEC dessa que é a vida de cada um. Quem é que chega ao final do mês sem usar o cartão de crédito? O cartão de crédito não é luxo, hoje faz parte do orçamento", disse.
Sobre ser favorável ao Novo Mais Médicos, a candidata disse que o projeto funciona para permitir que médicos sejam deslocados "para os locais distantes", onde, segundo a candidata, a maioria dos médicos com carreiras estabilizadas não queria ir.
Projetos para mulheres vítimas de violência
A candidata também falou sobre quatro projetos que foram apresentados ou relatados por ela enquanto senadora ligados ao combate à violência contra a mulher. Um dos projetos trata sobre a disponibilização de 5% de vagas de empresas terceirizadas do governo federal para mulheres que foram violentadas e também prioridade para que essas mulheres possam receber o Bolsa Família.
Os projetos foram aprovados no Senado, mas pararam na Câmara dos Deputados.
"O mais importante desse projeto é que ele não onera. Apenas a gente quer que essas empresas terceirizadas, contratadas pelo governo federal, que tem todos os municípios do Brasil, no mínimo 5% seja para mulheres vítimas de violência", disse.
A candidata disse que quando os trabalhos na Casa retornarem, após o período eleitoral, vai pedir para acelerar o projeto para que seja aprovado.
"Apesar de a violência doméstica estar presente em todas as camadas sociais, 80% [das vítimas] são mulheres negras e pobres. A gente sabe que independência só existe se for financeira. Se você para ter um teto, para se vestir ou se alimentar, depender de outro, isso não é uma independência. Então, luto diuturnamente todas as semanas. Eu fiquei ultimamente de conversar com o presidente da Câmara", disse.
Emendas parlamentares e contas de campanha
A candidata falou ainda que que as emendas parlamentares representam "apenas o direito dos parlamentares indicar, porque eu lhe garanto, o governo central, ele não tem como saber chegar na ponta e saber o que o município precisa".
Zenaide disse que, entre emendas impositivas, individuais e de bancada, conseguiu destinar emendas para os 167 municípios do Rio Grande do Norte.
A candidata também foi perguntada sobre um processo que correu no Tribunal Regional Eleitoral do RN (TRE-RN) no qual o PSDB questionou os gastos de campanha dela, nas eleições de 2018, em relação a depósitos que não foram identificados. O TRE rejeitou a acusação, mas o partido chegou a retornar com a acusação em última instância.
"Uma ou duas pessoas colocaram esse recurso e não nos informaram. Uma parece que foi R$ 1 mil e outra R$ 500. A gente, quando viu, devolveu, mas deveria ter sido devolvido para o TRE. A gente devolveu ao quem tinha colocado. Esse processo foi usado aqui e, mesmo que ele fosse considerado, o erro na minha prestação de conta era menos de 0,01%. Mas você sabe que quando a questão é eleitoral, o julgamento é político", falou.
A candidata reforçou ainda que as contas dela foram aprovadas pelos órgãos de fiscalização.
Escolha de suplência
Zenaide Maia falou ainda na entrevista sobre a escolha de Netinho Lins, um ex-cantor de forró e empresário paraibano do ramo do entretenimento. O nome do suplente apareceu em uma planilha na Operação Overclean, da Polícia Federal, que investiga um esquema de fraudes em licitações e desvios de verbas públicas de emendas parlamentares. Netinho, no entanto, não está entre os investigados e não foi indiciado por nenhum crime.
A candidata citou que a escolha passou também pela coligação da qual faz parte - Netinho Lins é do Republicanos - e defendeu a candidatura do suplente.
"Eu queria dizer que Netinho é um cara que é do setor de entretenimento e que foi um cara que começou, que eu vi que ele começou numa banda e começou a agenciar isso e chegou a um volume de trabalho que ele cresceu. Netinho é meu suplente, é um nordestino que conseguiu chegar no auge com o setor de entretenimento, gerando emprego e renda", disse.
"Não ser investigado homem público ou empresas nesse país é raro de a gente encontrar. E no fim, gente, foram apresentados os documentos. Eu sei que ele veio ali do Seridó paraibano. Nunca esqueçam que esse currículo, e com todas as certidões, foi para o TRE, e o TRE acatou essa candidatura", apontou.
Ela disse ainda que não vê problema em o candidato ser paraibano. Ela mesmo disse ter registro de nascimento na cidade de Brejo da Cruz (PB), apesar de ter vivido toda a vida no Rio Grande do Norte.
"Então, isso não seria motivo para desmerecer a candidatura desse empresário do entretenimento que gera emprego e renda e que, se está investigado, é muita gente investigada nesse país e eu não sou contra a investigação. Investigação tem que ser feita mesmo", disse.
Pesquisas e relação com presidência
Na primeira pesquisa Quaest, encomendada pela Inter TV, do dia 24 de agosto, Zenaide Maia apareceu em segundo lugar com 10% dos votos, seguida por Samanda de Lula e Rafael Motta, com 8%. São duas vagas neste ano para o Senado.
A candidata disse que não se preocupa, neste momento, com o cenário e que tem atuado para apontar o que já fez pelo estado e o que pode ainda fazer nos próximos oito anos.
"Continuando o meu trabalho no dia a dia, crescendo e tentando conquistar os votos, porque isso é o meu papel, o poder de convencer que eu fiz um bom trabalho e que posso fazer mais. É esse o meu papel", disse.
A candidata citou ainda que vai atuar em projetos que acredita independente se o presidente eleito for o apoiado por ela ou não.
"Quando um projeto faz bem às pessoas, mesmo eu sendo da base de Lula, por exemplo, eu cito aqui o cigarro eletrônico. Quem encabeça isso é o Girão e Damares. Mas como eu sou médica e sei, tenho argumento eu estou lá de linha de frente. Na defesa da população", disse.
Nas considerações finais, a candidata disse que "já fez muito pelo Estado, mas pode fazer mais para a saúde, para a educação e para segurança pública".
Zenaide reforçou que, apesar de ter destinado emendas a todos os municípios do RN, o trabalho no Senado exige ainda um outro tipo de compromisso.
"Emendas são necessárias, mas elas são mínimas em relação ao trabalho que a gente tem que fazer no Senado, não só tentando aumentar os recursos para saúde, mas também segurando leis, projetos de leis, porque nem sempre o projeto deve ser aprovado. A gente está lá para aprovar a lei, mas tem projetos que não devem. Sempre em defesa da vida e do povo do Rio Grande do Norte", falou.