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O prefeito afastado de Coari Adail Pinheiro e a presidente da Câmara, Jeany Pinheiro
G1 — Brasil · 2026-09-18T15:51:51.000Z
O prefeito afastado de Coari Adail Pinheiro e a presidente da Câmara, Jeany Pinheiro
Jeany de Paula Amaral Pinheiro, presidente da Câmara Municipal de Coari, tomou posse como prefeita temporária nesta quinta-feira (17) da cidade. A mudança ocorreu após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar o prefeito Manoel Adail Amaral Pinheiro por 90 dias. Jeany é irmã do gestor afastado.
O prefeito afastado e o filho dele, o deputado estadual Adail Filho (MDB), são investigados pela operação Dinastia do Lago. A Polícia Federal apura suspeitas de desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas à gestão municipal de Coari, no interior do Amazonas.
A posse aconteceu em sessão extraordinária na sala de reuniões da Prefeitura de Coari. O espaço abriga temporariamente a Câmara Municipal, que passa por reforma. A sessão foi conduzida pelo vice-presidente da Casa, Orleilson de Oliveira Lima.
Jeany assumiu porque o vice-prefeito, Emanoel Pinheiro, também está afastado. Ele deixou o cargo para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nas eleições de outubro.
Operação da PF em Coari: deputado Adail Filho é alvo; prefeito e secretários afastados
O impedimento do vice-prefeito foi formalizado em ofício lido durante a sessão. O documento estabelece afastamento até o primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, com possibilidade de retorno a partir do dia 5, conforme a legislação eleitoral.
Após o juramento, o presidente da sessão declarou Jeany empossada no exercício temporário do cargo de prefeita de Coari. Depois da posse, a Mesa Diretora determinou uma série de providências, como o envio de ofício ao STF para informar o cumprimento das medidas decorrentes da decisão judicial.
Operação da PF
A Polícia Federal deflagrou na quarta-feira (16) a Operação Dinastia do Lago, que investiga suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos da Prefeitura de Coari, no interior do Amazonas.
Foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari. Também foram determinados os afastamentos do prefeito de Coari, Adail Pinheiro, e de secretários municipais.
Joias apreendidas durante Operação Dinastia do Lago deflagrada pela Polícia Federal no Amazonas
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes federais apreenderam cera de R$ 1 milhão, além de dólares, euros, joias e uma arma de fogo. A PF também apreendeu 21 veículos em Manaus e na cidade Coari.
Em Manaus, os agentes federais apreenderam R$ 352.750, US$ 10 mil e € 1.255, além de 11 carros em endereços ligados aos investigados. Em Coari, a PF encontrou cerca de R$ 637.750 e 10 veículos.
Operação começou após apreensão milionária no Aeroporto de Brasília
A operação é um desdobramento de um inquérito aberto no STF para investigar Adail Filho por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.
Dinheiro apreendido em mala no Aeroporto de Brasília
Polícia Federal/ Divulgação
A investigação começou após a prisão em flagrante de três empresários no Aeroporto de Brasília, em maio de 2025. Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho transportavam cerca de R$ 1,25 milhão em espécie em um voo entre Manaus e Brasília e não apresentaram, naquele momento, comprovação da origem do dinheiro.
Ligação de Adail Pinheiro e Adail Filho com empresários
A partir da apreensão, documentos e aparelhos eletrônicos recolhidos durante a investigação foram analisados com autorização judicial. Segundo o processo, o material apontou movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis relações com contratos da Prefeitura de Coari.
As apurações também identificaram empresas ligadas aos investigados que mantinham contratos com o município e que, segundo a investigação, podem ter sido usadas para fraudar licitações. O caso envolve ainda repasses de emendas parlamentares destinadas a Coari nos anos de 2024 e 2025.
Investigação identificou repasses em favor dos investigados
Segundo um despacho de Alexandre de Moraes, os documentos e dispositivos apreendidos indicaram, de acordo com a investigação, a realização de repasses financeiros por empresas vinculadas aos investigados em benefício de Adail Filho e de Adail Pinheiro.
"Na mesma ocasião, foram apreendidos documentos e dispositivos eletrônicos que, após análise autorizada judicialmente, revelaram a realização de repasses financeiros por pessoas jurídicas vinculadas aos investigados em benefício do Deputado Federal Adail Filho e de seu pai, Manoel Adail, prefeito do Município de Coari/AM", diz trecho da decisão.
Em 24 de junho de 2026, Moraes prorrogou a investigação por mais 60 dias, após pedido da Polícia Federal. Segundo a decisão, a PF apontou a complexidade dos fatos investigados, a quantidade de pessoas físicas e jurídicas envolvidas e a existência de diligências ainda pendentes.
Investigação também mira emendas parlamentares
Além dos contratos firmados diretamente com a Prefeitura de Coari, a investigação passou a analisar o destino de recursos federais enviados ao município por meio de emendas parlamentares em 2024 e 2025.
A apuração busca esclarecer se esses recursos foram desviados e qual teria sido a destinação dos valores.
Segundo os elementos da investigação, a análise de documentos e dispositivos eletrônicos apreendidos durante o caso apontou movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis relações com contratos mantidos pelas empresas investigadas.
Quem são Adail Pinheiro e Adail Filho, principais alvos de operação da PF que investiga corrupção e lavagem de dinheiro
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