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Entrevista na NSC: Gelson Merísio prevê convocação de policiais da reserva para suprir déficit de efetivo e propõe incentivos fiscais específicos por regiões do estado

Gelson Merisio: entrevista com candidato à governador de SC

G1 — Brasil · 2026-09-18T16:37:28.000Z

Gelson Merisio: entrevista com candidato à governador de SC

Gelson Merísio, candidato do PSB ao governo de Santa Catarina, foi entrevistado nesta sexta-feira (18) pela NSC TV dentro do Jornal do Almoço.

Ao longo de 30 minutos, foi questionado pelos apresentadores Raphael Faraco e Laine Valgas sobre propostas de campanha e posicionamento de candidatura. Entre os planos, caso eleito, prevê a convocação de policiais da reserva para suprir o déficit de policiais e defendeu incentivos fiscais específicos por áreas do estado, visando o desenvolvimento em comum do potencial econômico das regiões.

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🔍🗣️ A entrevista faz parte de uma série de sabatinas com os postulantes ao governo catarinense realizadas a partir desta segunda (14) até a sexta-feira (18). A ordem dos candidatos segue a posição na pesquisa Quaest encomendada pela NSC e divulgada em 24 de agosto (confira os dados do levantamento).

Convocação de militares da reserva para compor efetivo

Questionado sobre segurança pública, Merísio apontou como principal proposta o reforço no efetivo das polícias, defendendo dobrar os números atuais que, segundo ele, são de 9 mil militares e 3 mil civis.

Propôs uma política de concursos públicos aliada à convocação de policiais da reserva para atuar no patrulhamento ostensivo. Merísio apontou que são pelo menos 7 mil policiais aposentados que podem ser chamados.

"Primeiro eu tenho que aumentar o efetivo e a forma de aumentar o efetivo rapidamente é você trazer de volta os da reserva que podem ainda trabalhar no policiamento ostensivo. Depois é uma programação de concursos, tem que fazer 6 meses da academia. Uma prioridade em segurança pública. Não tem nenhum investimento melhor para o estado do que segurança pública".

A convocação de policiais da reserva pode atender, segundo o candidato, a ampliação da oferta de atendimento para mulheres vítimas de violência. Defende ainda o uso de tornozeleira eletrônica por agressores a partir da decretação de medida protetiva.

"Nós temos policiais civis aposentadas que se o governo convocar e pagar um salário digno, voltam para receber as mulheres em todas as regiões do estado. Isso tem que ser feito de uma forma urgente. Quando você manda sinais da violência, não é possível, nós termos um estado como o nosso culturalmente preparado, sermos um o estado com mais denúncias contra a violência à mulher e de ameaça de violência no Brasil. Não é possível! Alguma coisa tá errado, alguma coisa de muito errado nós estamos fazendo como sociedade".

Descentralização de incentivos fiscais por regiões

Na área econômica, Merísio defende rever os incentivos fiscais e reposicioná-los dentro de um projeto de estado. Exemplificou que áreas litorâneas se tornam mais atrativas e citou que regiões como as de Canoinhas (Norte), Serrana e o extremo Oeste têm que ter um tratamento tributário diferenciado.

"Santa Catarina é um estado competitivo hoje porque trabalhou muito bem os incentivos fiscais ao longo do seu tempo. Ocorre que a economia é muito rápida e o estado não teve a rapidez para reavaliar esses incentivos. Hoje nós temos áreas que não precisam mais de incentivo e continuam tendo. Temos um processo de litoralização, que no mundo inteiro ocorre. Nós temos um estado que é um modelo de descentralização. Se você não tiver um tratamento tributário diferenciado, a empresa que for ampliar ou se instalar, ela vem para o corredor da BR 101".

Outros temas abordados na entrevista

Parceria com o governo federal para infraestrutura das rodovias federais

Jornal do Almoço - SC: Gelson Merísio responde sobre infraestrutura de rodovias federais

"E essa questão da infraestrutura, ela tem que ser esclarecida. E nós temos que remontar a 2019, porque isso é importante, um corte histórico. Eleitos em 2018: presidente Jair Bolsonaro, o governador Carlos Moisés, o senador Jorginho Mello, que indicou o diretor do DNIT em Santa Catarina, ministro dos transportes, o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Esse grupo, essa equipe elaborou um projeto de concessões das rodovias federais e as alimentadoras estaduais de Santa Catarina. Esse projeto construído pelo governo Bolsonaro previa R$ 24 bilhões de reais de investimento durante todo o governo do Bolsonaro, muito embora não tenha investido nada em obras em Santa Catarina, nem a BR-470 que parou, mas ele deu continuidade a esse projeto de concessões".

"Foram feitos os projetos de viabilidade econômica com a participação de todos esses agentes, foram feitas as audiências públicas e chegou 2022. Eleitos em Brasília, presidente Lula para governar o Brasil e aqui o Jorginho Mello. O que o Jorginho Mello fez? Governador do estado, tendo participado da elaboração do projeto de concessões, tendo concordado com as audiências públicas, ele retirou as dúvidas estaduais de Santa Catarina do projeto apresentado. Se o Bolsonaro tivesse ganho, talvez não tivesse tirado, mas como ganhou o Lula, retirou os projetos. O que isso ocasionou? Todos os processos voltaram à estaca zero. As audiências públicas do projeto de viabilidade econômica, tudo voltou a estaca zero. Resultado prático: o Paraná, que o estado vizinho aqui, continuou de onde parou. Ele não mudou em função do presidente que se elegeu. Lá no Paraná R$ 8 bilhões de reais já foram investidas nas rodovias estaduais e nas federais".

"O que nós temos que fazer aqui? Primeiro é reencontrar Santa Catarina com o Brasil. Nós estamos há 8 anos de costas para o governo federal. O Moisés, mesmo do meu partido do presidente eleito, brigou, nunca teve uma audiência com o presidente da República em 4 anos. O Jorginho nunca recebeu o presidente aqui, nunca pediu uma audiência em Brasília. Isso é um desserviço para o estado. Então, primeiro tem que reencontrar o estado com o Brasil. Segundo essas obras de infraestrutura, assim interesse nacional. Nós temos um setor portuário que é da logística nacional. Ela é importante para o Brasil, não só para os catarinenses".

"O projeto de concessões, que como eu disse, foi retomado lá atrás, está na fase final agora das audiências públicas para fazer novo o processo das federais e nós temos as estaduais. E aí tem que ser dito, em 8 anos Santa Catarina não duplicou 1 quilômetro da rodovia. Eu não entendo. Se você olhar para trás, eu fiz um calculozinho bem básico. Em 2015, a receita do estado era R$ 22,5 bilhões. Se você corrigir para o IPCA até 2025, vai chegar a R$ 36 bilhões. A receita do estado de Santa Catarina em 2025 foi de R$ 56 bilhões. São R$ 20 bilhões a mais do que 2015 corrigido, vezes 4 anos são R$ 80 bilhões. Aí você olha para o estado onde é que está esse recurso? Não duplicamos um quilômetro de rodovia, não fizemos um presídio novo, não construímos um processo prioritário na educação, porque nós temos 23º pior salário do Brasil. Quer dizer, sumiu o recurso, onde é que sumiu, pulverizaram. Então o que nós temos que ter? Nós temos que ter um projeto de estado que tem um começo, meio e fim, que busque parceria com o BNDES, que busque parceria com o governo federal, que busque instrumento de financiamento, porque o financiamento é bem-vindo".

Convicções políticas e apoio a Bolsonaro em 2018

Jornal do Almoço - SC: Gelson Merísio responde sobre suas conviccções políticas

"Em 2018, eu no meio da eleição, não sei o apoio para o Bolsonaro e disse o motivo. O meu eleitor queria aquilo e em respeito aos meus eleitores, eu acompanhei. Passada a eleição, aconteceu algo que para mim é inaceitável e eu já falei no começo: como o governador que se elegeu com 71% dos votos junto com o presidente com 73% dos votos e eu perdi a eleição para eles, não me queixei, não encontrei culpados, briga com o governador e o presidente no primeiro mês? O Bolsonaro ficou 4 anos sem vir uma vez a Santa Catarina como presidente, nem recebeu o governador. Fora isso, teve uma condição da pandemia que permitiu que pessoas morressem se precisar. Foi uma tragédia. Politizaram um processo que era científico, que era médico. Chegou 2022, não tinha como votar Bolsonaro mais. E fui conhecer o presidente Lula e passei a ser um admirador e um amigo. E eu acredito que seja recíproco".

Governabilidade e relação com Governo Federal e a Assembleia Legislativa

Jornal do Almoço - SC: Gelson Merísio responde sobre diálogo com governo federal

"Você tem que ter maturidade, que é o que está faltando para o governador, maturidade política. Aliás, o que aconteceu aqui no estado? Desde o primeiro dia do governo, o Jorginho e o João Rodrigues disputavam para ver quem era mais bolsonarista. Um não podia ser aproximar do governo federal, porque o outro ia ocupar o espaço dentro da bolha aqui, porque é uma bolha. Essa que é a verdade. O estado se é prejudicial ou não, não tem importância nenhuma. A bolha bolsonarista aqui, que é muito forte, nós temos que respeitar. É um processo que tem que ser respeitado. Agora para o estado tem que ter diálogo. O Ratinho, o Tarcísio conversam com o presidente da República, como eu vou conversar com o [Flávio] Bolsonaro no primeiro dia, com todo respeito, com toda maturidade, preservando a questão partidária, ideológica, mas colocando estado em primeiro lugar".

"Eu vou até dizer, vou falar uma coisa agora aqui que vai deixar muito incomodado a maioria dos deputados estaduais. Nós temos uma excrescência hoje no processo de relação do Legislativo com o Executivo. Eu fui presidente da Assembleia por três mandatos, por cinco anos fui presidente. Antes disso, eu era presidente da Comissão de Finanças. Eu nunca permiti que fossem aprovadas emendas impositivas. Eu acho emenda impositiva um desserviço para o estado. Hoje é R$ 20 milhões para cada parlamentar de emenda impositiva, R$ 800 milhões por ano, vezes quatro, são R$ 3,2 bilhões de emenda de recursos do estado para ser pulverizados em ações pontuais. Nada contra esses investimentos, só que não tem sinergia e não é a função do parlamentar. Eu fui eleito três vezes presidente da Assembleia, as três vezes por unanimidade".

Jornal do Almoço - SC: Gelson Merísio responde sobre relação com a Alesc caso seja eleito

Combate à violência contra a mulher

"Quando você manda uma mensagem para a sociedade de ódio, de violência, de racismo, você estimula o ignorante, o estúpido que está em casa. Eu, infelizmente, estou assistindo cenas que eu lamento muito. Quando o governador de estado aparece com uma metralhadora na televisão, falando para a bolha dele, quando aparece alisando um pau de beisebol, dizendo que aqui 'é na porrada', quando enaltece e elogia a postura da Polícia Militar que agrediu uma mulher em Jaraguá do Sul de uma forma vergonhosa e covarde, ele manda uma mensagem trocada para aquele ignorante, para aquele estúpido que está em casa. Então, primeiro nós temos que melhorar a mensagem".

"Quem tem responsabilidade, tem que ser mais responsável na mensagem que manda. Vale para deputado, vale para governador, vale para qualquer um. Essa é a primeira conta. A segunda, você tem que ter uma porta de entrada para a mulher. A porta de entrada no posto de saúde, você tem que ter uma sala com um psicólogo, com uma assistente social, porque a mulher que está tendo um relacionamento abusivo em casa, é onde começa o feminicídio, onde começa a violência, ela não tem saída, ela tem que buscar um lugar seguro para conversar, tem que ser no posto de saúde. Isso para prevenção. Se nós tivermos ali um preparo, ela vai no tratamento em casa do relacionamento abusivo, eliminar muitos problemas. Bom, aconteceu, a resposta tem que ser rápida, tem que ser contundente, ela tem que ter uma porta de entrada nas delegacias 24 horas que tem que ter efetivo para fazer. Primeiro tem que ter efetivo, não adianta cobrar da polícia, a polícia não faz porque não quer. Não faz porque não tem efetivo".

Impactos do El Niño e mudanças climáticas

"Nós temos que fazer crescer o IMA primeiro, que é o Instituto de Meio Ambiente do Estado. Isso é fundamental. Nós temos que ter prazos exequíveis. Nós temos que ter equipe preparada. Porque o capital ele se move pela oportunidade. Se você tem um 'não' no tempo certo bem dado ele se move para o outro caminho. Então, primeiro é regular essa ação do órgão de fiscalização do Estado. Segundo é investir de uma forma efetiva na prevenção. Não com propaganda. O governo gasta muito com propaganda.

"Mas, lá na ponta, nós temos um projeto para as barragens que foi construído muito bem feito que não foi executado. Agora chega na hora do aperto que vem o El Niño aí sai todo mundo fazendo propaganda. Tem que ser um projeto de Estado com tempo, com investimento, com programação. Coisa que não foi feita e agora nós corremos um risco. Meio ambiente, primeiro arrumar o IMA para ter tempo, prazo e respostas e muita rigidez no licenciamento. Terceiro integrar a comunidade nos problemas de prevenção e investimento público para que as obras aconteçam".

Gelson Merísio (PSB), candidato ao governo de Santa Catarina

Quem são os candidatos ao governo de SC em 2026?

O primeiro turno das eleições de 2026 será realizado em 4 de outubro. O segundo turno, se for necessário, está marcado para 25 de outubro. Em Santa Catarina, os partidos definiram oito nomes na disputa pelo governo. São eles:

Bruno Pedreiro (PCO)

Gelson Merísio (PSB)

João Rodrigues (PSD)

Jorginho Mello (PL)

Laís Chaud (Unidade Popular)

Marcelo Brigadeiro (Missão)

Professor Marcus Sodré (PSTU)

Ralf Zimmer (PRD)

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