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Crianças seguem caminhão de transporte do elefante Sandro em MT
G1 — Brasil · 2026-09-18T17:12:19.000Z
Crianças seguem caminhão de transporte do elefante Sandro em MT
Estudantes e jovens que voltavam da escola pararam o ônibus escolar para vivenciarem de perto a chegada de Sandro em Mato Grosso nesta sexta-feira (18). Com olhares atentos e entusiasmados, os alunos transformaram a passagem do comboio em um momento de alegria (assista acima).
A movimentação mobilizou também a comunidade local, que se concentrou ao longo do percurso para acompanhar a entrada do novo morador do estado. Se no antigo lar, em Sorocaba (SP), a despedida foi marcada por protestos e resistência, em solo mato-grossense o clima foi de festa, curiosidade e orgulho.
Depois de mais de quatro décadas no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), o elefante Sandro, de 54 anos, deixou a cidade na quarta-feira (16) e percorreu mais de 1,6 mil quilômetros até Chapada dos Guimarães.
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Para a moradora Rosa, que acompanhou a movimentação, a vinda do elefante representa um marco de valorização para a região.
"É importante para a nossa comunidade, que precisa cada vez mais ser valorizada. O santuário traz isso para a gente. Apesar de não podermos vê-lo de perto, a chegada do Sandro tem uma relevância enorme porque aqui ele vai viver com outros elefantes. A liberdade é para todos, e quando temos liberdade, vivemos melhor", afirmou.
Com olhares atentos e entusiasmados, , os alunos transformaram a passagem do comboio em um momento de alegri
Antes de seguir para a etapa final do trajeto, a comitiva com Sandro fez uma parada estratégica em Campo Verde (MT). No local, o elefante foi alimentado, passou por avaliação veterinária e a caixa de transporte foi transferida para um caminhão menor, adequado para o trecho final de acesso ao santuário.
Diante das críticas, a presidência do Santuário de Elefantes reforçou que a mudança busca garantir bem-estar e convivência com outros da mesma espécie.
"A gente tá dando para esses animais uma vida que no zoológico nunca ia poder dar. Desde espaço, estrutura, atendimento especializado, pessoas capazes, até uma área muito maior. Para você ter ideia, a área que o Sandro vai ficar é maior do que o próprio zoológico inteiro de Sorocaba. É uma proporção que a gente não consegue nem comparar", ressalta o presidente.
Para a moradora Rosa, que acompanhou a movimentação, a vinda do elefante representa um marco de valorização para a região.
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Santuário de Elefantes, em Chapada dos Guimarães
Santuário de Elefantes/Divulgação
Criado para oferecer uma alternativa ao confinamento, o Santuário de Elefantes Brasil (SEB) atualmente abriga seis elefantas fêmeas e se prepara pra receber o primeiro macho, Sandro, nesta sexta- feira (18). O local não é aberto à visitação pública do turismo tradicional, para que não haja exposição dos animais ao estresse do público ou a rotinas de apresentações.
Localizado em Chapada dos Guimarães, a organização sem fins lucrativos atua na recuperação e no acolhimento de elefantes resgatados, oferecendo um ambiente com vasta vegetação, lagos e estímulos naturais para que os animais recuperem comportamentos típicos da espécie.
Segundo o presidente do SEB, Raphael Bontempi, a proposta do local é garantir proporções e condições de vida que estruturas urbanas de exposição não conseguem alcançar.
"A gente é uma associação, uma ONG sem fins lucrativos. O nosso objetivo é o resgate desses elefantes. A gente nasceu para poder trabalhar com os elefantes da América do Sul, que tínhamos aproximadamente 50 quando começamos o projeto. Agora tem muito menos. A gente resgatou ao redor de 13, que vieram morar aqui no santuário", explica Raphael.
Segundo Raphael, a diferença entre o ambiente do santuário e os recintos tradicionais de cativeiro é um dos pilares para a reabilitação física e psicológica dos elefantes. As áreas destinadas a cada morador contam com dezenas de hectares, permitindo caminhadas longas, exploração de terreno acidentado e contato com diferentes tipos de solo.
Diferente de zoológicos, o Santuário de Elefantes Brasil não é aberto à visitação pública do turismo tradicional, garantindo que os animais não sejam expostos ao estresse do público ou a rotinas de apresentações.
🐘 As novas companhias de Sandro
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Atualmente moram no Santuário as elefantas Baby, Maia, Rana, Mara, Bambi e Guillermina. Conheça um pouco sobre cada uma:
Nascida em 1992, no estado da Flórida, nos Estados Unidos, Baby passou parte da vida em um circo antes de ser levada para o parque Beto Carrero World.
Santuário dos Elefantes Brasil
Nascida em 1992, no estado da Flórida, nos Estados Unidos, Baby passou parte da vida em um circo antes de ser levada para o parque Beto Carrero World, em Santa Catarina, onde se tornou uma das atrações.
A elefanta se tornou a segunda moradora mais jovem do Santuário, ficando atrás apenas de Guillermina, que possui 25 anos.
Maia, uma elefanta asiática de cerca de 50 anos, foi a primeira moradora do Santuário.
Santuário dos Elefantes Brasil
Maia, uma elefanta asiática de cerca de 50 anos, foi a primeira moradora do Santuário. Antes de chegar, em outubro de 2016, ela passou aproximadamente 30 anos em circos. Após ser retirada dessa situação, permaneceu por cinco anos acorrentada em uma fazenda, sem um local adequado para viver.
Conhecida pela personalidade dócil e pela energia intensa, Maia se tornou um dos símbolos do santuário. Segundo os cuidadores, ela superou os medos trazidos pelo passado em cativeiro e passou a demonstrar comportamentos mais naturais à medida que ganhou espaço para explorar.
Apaixonada por comida, especialmente mangas, a elefanta também é descrita como cooperativa e carinhosa, características que ajudaram em seu processo de adaptação e recuperação.
Rana, uma elefanta asiática de cerca de 65 anos, chegou ao Santuário em dezembro de 2018.
Santuário dos Elefantes Brasil
Rana, uma elefanta asiática de cerca de 65 anos, chegou ao Santuário em dezembro de 2018. Antes do resgate, ela viveu cerca de 40 anos em circos e passou os últimos anos em um zoológico no litoral brasileiro. Conhecida por sua capacidade de se adaptar aos outros elefantes, Rana é considerada pelos cuidadores uma espécie de "comitê de boas-vindas" do santuário.
Segundo a equipe do SEB, a elefanta passou por uma grande transformação após a chegada ao local. Inicialmente reservada e distante, ela se tornou uma das moradoras mais comunicativas do santuário, famosa pelas vocalizações que faz ao longo do dia. Rana também demonstrou evolução no convívio social com as demais elefantas e passou a explorar comportamentos naturais, como nadar, tomar banhos de lama e aproveitar os espaços abertos.
De acordo com os cuidadores, ela transmite sinais constantes de bem-estar e continua avançando em seu processo de recuperação após décadas em cativeiro.
Mara, uma elefanta asiática de cerca de 58 anos, chegou ao Santuário em maio de 2020.
Santuário dos Elefantes Brasil
Mara, uma elefanta asiática de cerca de 58 anos, chegou ao Santuário em maio de 2020. Nascida na Índia, ela foi levada ainda jovem para um zoológico na Alemanha e, posteriormente, para circos na América do Sul. Desde 1995, vivia no então Zoológico de Buenos Aires, na Argentina, onde permaneceu por mais de duas décadas até ser transferida para Mato Grosso.
Após uma vida marcada pelo confinamento, Mara chegou ao santuário com alguns problemas de saúde, incluindo lesões nas patas e no tornozelo dianteiro direito. Apesar de ter sido considerada agressiva em parte da vida, os cuidadores descrevem a elefanta como dócil, comunicativa e bastante afetuosa.
Conhecida pelas vocalizações frequentes, ela desenvolveu uma forte ligação com a elefanta Rana logo após chegar ao SEB. Segundo a equipe, Mara segue em processo de recuperação física e emocional, ganhando mais confiança e aproveitando a liberdade e os espaços amplos oferecidos pelo santuário.
Bambi, uma elefanta asiática de cerca de 60 anos, chegou ao Santuário em setembro de 2020.
Santuário dos Elefantes Brasil
Bambi, uma elefanta asiática de cerca de 60 anos, chegou ao Santuário em setembro de 2020. Antes do resgate, ela passou mais de 40 anos em circos e, após ser apreendida, viveu por cerca de uma década em zoológicos no interior de São Paulo. Quando foi transferida para Mato Grosso, apresentava baixo peso, pouca massa muscular e perda da visão de um dos olhos.
Apesar das condições de saúde encontradas no momento do resgate, Bambi surpreendeu os cuidadores ao demonstrar uma personalidade ativa e curiosa. Descrita como brincalhona e facilmente empolgada, ela passou a explorar os espaços do santuário com entusiasmo e a apresentar comportamentos mais naturais. Segundo a equipe do SEB, a elefanta ganhou autonomia, cuidados individualizados e melhores condições de bem-estar, fatores que contribuíram para sua recuperação física e emocional após décadas de cativeiro.
Guillermina, uma elefanta asiática de 25 anos, nasceu no Ecoparque de Mendoza, na Argentina, e passou toda a vida em cativeiro
Santuário dos Elefantes Brasil
Guillermina, uma elefanta asiática de 25 anos, nasceu no Ecoparque de Mendoza, na Argentina, e passou toda a vida em cativeiro antes de ser transferida para o Santuário. Filha das elefantas Pocha e Tamy, ela cresceu em um recinto com espaço extremamente limitado, onde tinha poucas oportunidades para explorar comportamentos naturais da espécie.
Descrita pelos cuidadores como curiosa, brincalhona e dona de uma personalidade marcante, Guillermina chegou ao santuário ainda muito dependente da mãe e insegura diante das novidades. Com a adaptação ao novo ambiente, passou a descobrir gradualmente elementos que nunca havia experimentado, como áreas amplas, vegetação, lama e o convívio com outros elefantes.
Segundo a equipe do SEB, a jovem elefanta segue desenvolvendo autonomia e habilidades sociais, enquanto explora o espaço e constrói novas relações após uma vida inteira em confinamento.
Conheça o Santuário
Para conhecer o Santuário não é preciso ir lá, até porque os elefantes vivem soltos e se escondem na mata, e a intenção é justamente que eles não sejam uma atração como foram durante a vida toda nos cativeiros onde viveram.
No entanto, nas redes sociais e no portal é possível acompanhar os relatos do dia a dia destes animais, assim como assistir aos vídeos que os tratadores conseguem fazer durante o atendimento a elas.
Quem quiser ajudar de forma mais efetiva, pode participar da campanha "Adotar um Elefante", enviando recursos especialmente para os cuidados de qualquer uma das moradoras.