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Estátua da Justiça, em frente à sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília
G1 — Política · 2026-09-18T22:16:02.000Z
Estátua da Justiça, em frente à sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasília
Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (18) mostra quais são as autoridades e instituições públicas que despertam mais e menos confiança entre os brasileiros. Segundo o instituto, o Supremo Tribunal Federal é, numericamente, a instituição com o maior índice de desconfiança entre os eleitores.
O STF é alvo de desconfiança de 48% dos eleitores brasileiros, maior índice registrado pela Corte desde o início da série histórica do Datafolha, em 2012. Outros 35% dizem confiar um pouco no Supremo, enquanto 14% afirmam confiar muito. Veja os números:
Confia muito: 14%
Confia um pouco: 35%
Não confia: 48%
Segundo o Datafolha, é a primeira vez que o STF aparece numericamente no topo da lista de desconfiança. Em outros momentos da série, essa posição já foi ocupada por partidos políticos, Congresso Nacional e Presidência da República.
A desconfiança no Supremo subiu cinco pontos desde março, quando 43% afirmavam não confiar na instituição. Até então, era o maior índice da série.
O Congresso Nacional aparece em patamar próximo. Segundo o Datafolha, 45% dos eleitores dizem não confiar nos deputados e senadores, mesmo percentual registrado em março. Outros 43% afirmam confiar um pouco no Congresso, enquanto 11% dizem confiar muito.
A desconfiança no Supremo subiu cinco pontos desde março, quando 43% afirmavam não confiar na instituição — até então, o maior índice da série. Agora, além dos 48% que não confiam, 35% dizem confiar um pouco no STF e 14%, confiar muito. Veja os números:
Confia muito: 11%
Confia um pouco: 43%
Não confia: 45%
Presidência da República
A Presidência da República registra 42% de desconfiança, ante 43% em março. Ao mesmo tempo, 25% dos entrevistados dizem confiar muito na Presidência e 32%, confiar um pouco. Em março, esses percentuais eram de 22% e 34%, respectivamente. Veja os números:
Confia muito: 25%
Confia um pouco: 32%
Não confia: 42%
O maior índice de desconfiança na Presidência registrado pelo Datafolha foi de 65%, em junho de 2017.
Os partidos políticos são alvo de desconfiança de 45% dos eleitores brasileiros, segundo o Datafolha. O índice caiu sete pontos em relação a março, quando estava em 52%, e está distante do recorde de 69%, registrado em junho de 2017. Veja os números:
Confia muito: 9%
Confia um pouco: 44%
Não confia: 45%
O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo. O Datafolha ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 15 e 16 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR-04029/2026.
Os entrevistados também foram questionados sobre o nível de confiança em outras instituições, como a imprensa, as grandes empresas brasileiras, o Poder Judiciário e as Forças Armadas. Veja abaixo:
Confia muito: 22%
Confia um pouco: 44%
Não confia: 33%
Grandes empresas brasileiras
Confia muito: 29%
Confia um pouco: 46%
Não confia: 23%
Confia muito: 17%
Confia um pouco: 43%
Não confia: 38%
Confia muito: 34%
Confia um pouco: 39%
Não confia: 25%
Crise no STF e embates entre ministros
A pesquisa foi realizada em meio à crise no STF, intensificada nas últimas semanas depois que o ministro André Mendonça levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. Desde então, vieram a público outros documentos e mensagens — parte deles ainda sob sigilo — com citações a outros integrantes da Corte e a seus familiares.
Moraes e Gilmar Mendes criticam a condução de Mendonça no caso Master. Moraes o acusa de ter cometido irregularidades e de atropelar procedimentos aplicáveis a investigações que envolvem autoridades com foro. Gilmar afirma que a atuação do colega teve motivação político-eleitoral. Mendonça nega as acusações.
Na última terça-feira (15), terminou sem decisão a sessão extraordinária convocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, para discutir o relatório da PF que atribui a Moraes mensagens trocadas com Vorcaro. A sessão foi marcada por embates e trocas de acusações entre os integrantes do tribunal.
Flávio Dino pediu vista — ou seja, mais tempo para analisar o caso — e tem até 90 dias para devolver o processo ao plenário. O prazo termina em dezembro, após as eleições. Se ele não os devolver nesse período, o assunto fica automaticamente liberado para nova inclusão em pauta.