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Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) fica na Avenida Agamenon Magalhães, no Recife
G1 — Brasil · 2026-09-19T03:00:00.000Z
Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) fica na Avenida Agamenon Magalhães, no Recife
A disputa eleitoral em Pernambuco ficou mais judicializada em 2026 em comparação com a última eleição no estado. A pedido do g1, oTribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) fez um levantamento que mostra que o total de processos eleitorais subiu de 299 para 540 no comparativo com o pleito de 2022 (veja mais abaixo).
Os dados coletados compreendem o período de 1º de janeiro a 16 de setembro de 2022 e de 1º de janeiro à última quarta-feira (1). A maior parte do crescimento corresponde ao salto no número de representações entre as candidaturas, que passou de 205 para 499 em quatro anos. São processos que os partidos ou candidatos movem em denúncia a algum ato ilícito, geralmente sobre adversários.
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Em relação com 2022, a eleição deste ano apresentou 143% a mais no volume de representações. O número de representações especiais, que são quando o caso pode terminar em multa, subiu com ainda mais intensidade, passando de seis para 23 no período. Crescimento de 283%.
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O aumento mais expressivo foi o das petições cíveis, que saltaram de três para 77 de uma eleição para outra, o que representa um crescimento de 2.466%.
De acordo com o TRE-PE, esse volume de petições cíveis leva em conta ações sobre pesquisas eleitorais, como tentativas de barrar a divulgação de levantamentos ou questionar o formato das pesquisas.
A subida mais modesta foi no total de direitos de resposta, que aumentaram de 11 para 15, um avanço de 36% entre os dois pleitos.
O levantamento do TRE-PE soma os processos eleitorais envolvendo todas as candidaturas para as eleições de 2026 no estado: deputado estadual, deputado federal, além das disputas ao Senado e governo do estado.
Neste ano, são 910 candidaturas concorrendo, número 8% menor que as 997 candidaturas de 2022. Deste modo, mesmo com menos candidaturas, mais processos eleitorais foram registrados. Para o advogado Humberto Vieira de Melo, o aumento do volume de processos é reflexo de uma disputa extremamente polarizada.
"Sempre que você tem uma eleição acirrada, há muito uma utilização do Poder Judiciário eleitoral entre as candidaturas. Como essa é uma eleição em que está muito apertada a diferença, as campanhas buscam tentar ganhar alguma coisa no Judiciário, alegando irregularidades da outra campanha. Isso é muito natural, o aumento quando a eleição é acirrada como atual", explicou.
Em relação às eleições de 2022, o número de cargos em disputa é maior em 2026, já que serão eleitos dois senadores, e não apenas um, como no pleito passado. No entanto, na disputa pelo governo do estado, o número de candidatos recuou de 11 para oito.
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Na última eleição para o governo, cinco candidaturas se mostraram competitivas do início ao fim do pleito, que terminou em 2º turno, com a vitória de Raquel Lyra (PSD) — agora candidata à reeleição. Já neste ano, conforme as pesquisas apenas duas candidaturas se mostram em condições de alcançar a vitória.
Disputa nos tribunais antes das urnas
Na quinta-feira (17), as campanhas da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) e do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), também candidato ao governo, voltaram a trocar acusações e abriram novos capítulos na disputa judicial que tem marcado a campanha desde o início.
As duas candidaturas trocaram acusações após uma confusão antes de um comício do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), no Centro do Recife, na quarta-feira (16).
Um homem acusado de roubar material de campanha de Raquel Lyra para se "infiltrar" no comício ficou ferido depois que um policial civil disparou um tiro de contenção.
A defesa da coligação Pernambuco de Coração, que apoia a governadora, afirmou que o homem, identificado como Alexsandro Pereira da Silva, tem ligação com a "cúpula do PSB".
Já a Frente Popular de Pernambuco, que representa a candidatura do ex-prefeito do Recife, disse que o policial Uberdan de Menezes Matos Júnior, que disparou o tiro que feriu o ourto homem, é sócio e filho da dona de uma empresa contratada pela campanha adversária.
Mas o acirramento judicial da eleição já tinha sido deflagrado pouco após o início oficial da campanha, em 16 de agosto.
Com pouco mais de dez dias de campanha, em 27 de agosto, antes mesmo do início do guia eleitoral no rádio e na TV, a candidatura de João Campos (PSB) anunciou um pedido formal de investigação no TRE-PE contra a campanha de Raquel Lyra sob a alegação da existência de um "gabinete do ódio" que atuaria para atacar adversários.
As duas campanhas moveram ações ao mesmo tempo e praticamente sobre a mesma motivação de "gabinete do ódio" no estado. Entre os processos, uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije). Apesar de mais complexas, ações como essas não são incomuns em eleições.
"A Aije é utilizada em quase todas as campanhas. Ela tem por objetivo verificar a realização de atos, situações que possam impugnar a candidatura. O objetivo dela é apurar para ver se vai haver cassação de mandato para quem está eleito, cassação de diploma para quem é eleito e não assumiu ainda, ou mesmo a cassação da própria candidatura", explica o advogado Humberto Vieira de Melo.
Outro capítulo na guerra judicial entre João Campos e Raquel Lyra está relacionada a panfletos apócrifos no estado. A Justiça Eleitoral proferiu duas decisões determinando a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar a existência de cartazes apócrifos contra a governadora.
No material, ela é acusada de, para ser eleita em 2022, ter matado o marido, o empresário Fernando Lucena. Ele sofreu um mal súbito no dia do 1º turno da última eleição estadual.
A investigação foi pedida inicialmente pela coligação de Raquel Lyra. Posteriormente o grupo de João Campos também acionou a Justiça e pediu a ampliação do inquérito, o que também foi deferido.
A campanha eleitoral de 2026 já está em sua reta final com o 1º turno no dia 4 de outubro e o 2º turno, se houver, no dia 25 de outubro.
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