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Tio de consideração que disse ter matado adolescente a pauladas por considerá-la 'mal-educada' é condenado a 45 anos

Homem confessa que matou adolescente e corpo estaria enterrado em quintal

G1 — Brasil · 2026-09-19T13:39:38.000Z

Homem confessa que matou adolescente e corpo estaria enterrado em quintal

O tio de consideração que disse ter matado a adolescente Beatryz Emelly Nunes da Silva Ferreira, de 14 anos, a pauladas em Britânia, na região oeste de Goiás, porque ela "foi mal-educada" foi condenado a 45 anos de prisão. A menina foi morta em janeiro de 2026, quando foi à casa do tio ajudar com a leitura de alguns documentos. Paulo Fagundes de Oliveira foi condenado por feminicídio, ocultação de cadáver e estupro.

O g1 não localizou a defesa de Paulo Fagundes de Oliveira. A decisão cabe recurso.

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A sentença foi proferida nesta quinta-feira (17) após julgamento em Tribunal do Júri de Aruanã. Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), o homem constrangeu a adolescente com violência física e prática de atos libidinosos, além de matá-la e enterrar o corpo no quintal para assegurar sua impunidade e não por ela ter sido "mal-educada", como ele alegou inicialmente.

Tio de consideração é condenado por matar Beatryz Emelly Nunes da Silva Ferreira, de 14 anos, em Goiás

"Durante luta corporal, ele utilizou um pedaço de madeira para desferir golpes na cabeça da vítima e, após a queda dela ao solo, empregou uma arma branca para cortar seu pescoço, causando a morte, conforme laudo de exame cadavérico juntado aos autos", diz a denúncia.

No documento da sentença consta que a defesa de Paulo pediu a desclassificação do crime de femincicídio e a absolvição pelo crime de estupro, alegando ausência de prova de materialidade. Entretanto, o Conselho de Sentença reconheceu a materialidade e autoria de todos os crimes, que resultou na condenação do réu.

Veja as penas para cada crime:

Feminicídio: 35 anos, 4 meses e 20 dias de reclusão;

Estupro: 9 anos;

Ocultação de cadáver: 1 ano.

Para dosar a pena, o juiz Joviano Carneiro Neto considerou que o crime envolveu "grave quebra na relação de confiança familiar", já que a vítima era sobrinha de consideração doa acusado. Além disso, reconheceu que a motivação do crime foi para "assegurar a impunidade do estupro".

O magistrado ressaltou que a pena para a ocultação de cadáver foi atenuada em 6 meses em razão da confissão espontânea. Determinou ainda a subtração do tempo em que o acusado esteve preso.

Ao fim da sentença, Paulo César Fagundes de Oliveira foi condenado a 45 anos, 4 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado, e ainda a pagar R$ 10 mil por indenização por danos morais aos familiares da vítima.

Ao g1, o advogado da família disse que a sensação é de que a Justiça foi feita, apesar de não trazer de volta a menina. "Nada poderá apagar a crueldade e a brutalidade com a qual o crime foi cometido, trazendo dor, saudade e muita tristeza a todos da família, mas o julgamento e a condenação do acusado conseguem trazer um alento", disse.

Tio de consideração diz que matou adolescente a pauladas por ela ter sido ‘mal-educada’, diz polícia

Adolescente morta por tio de consideração era meiga e trabalhadora, diz mãe

No dia 20 de janeiro de 2026, Beatryz deixou a casa da família com uma bicicleta para ajudar o tio e sua esposa, que não foi identificada, com alguns documentos.

Na época do crime, o delegado responsável pelo caso, William Caio, disse que o tio contou à polícia que a menina teria sido “grossa” e "mal-educada" com ele, e que pegou um pedaço de madeira atrás de uma porta e acertou a cabeça da menina.

"Ele fala que a esposa falou 'essa menina está precisando de um corretivo mesmo. Pode bater mais'. Ele deu mais duas (pauladas). Aí, a menina ficou imóvel no chão", contou o delegado.

Beatryz Emelly era uma adolescente sonhadora, meiga e trabalhadora, segundo a sua mãe. À dir., a jovem na função de serva do altar, durante uma missa na paróquia que frequentava, em Britânia

O acusado disse à época que a esposa teria lhe dito para "terminar" o crime, orientando-o a cortar o pescoço da jovem. A esposa de Paulo negou participação no assassinato. A defesa dela não foi localizada. O g1 entrou em contato com o MP-GO e com o delegado William Caio para saber se ela foi indiciada e aguarda retorno.

Segundo o Ministério Público, o acusado arrastou o corpo da vítima até o quintal da residência e o enterrou em uma escavação já existente no local, além de esconder a bicicleta da adolescente para despistar as buscas policiais.

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