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Como a urna eletrônica mudou as eleições brasileiras

Urna completa 30 anos.

G1 — Brasil · 2026-09-20T00:20:04.000Z

Urna completa 30 anos.

Há 30 anos, a democracia brasileira ganhou uma nova trilha sonora. As quase 570 mil urnas eletrônicas que serão usadas agora são resultado de uma história de evolução. Antes delas, as eleições tinham muito papel.

A polícia descobriu que a lentidão na contagem dos votos no Rio fazia parte de um esquema de fraudes montado antes das eleições.

“Não eram só fraudes que ocorriam, mas também havia erros decorrentes do cansaço dos escrutinadores, ou seja, dos contadores de voto, e de outros elementos que trabalhavam na junta apuradora, submetidos durante dias a fio na contagem e totalização dos votos”, afirma José D’Amico Bauab, pesquisador do Centro de Memória Eleitoral do TRE-SP.

A gota d’água para mudar um sistema com tantos problemas aconteceu nas eleições de 1994.

Em Alagoas, votos em branco foram desviados para candidatos. No Amapá e em Roraima, urnas sumiram e mapas de apuração foram adulterados.

No Rio de Janeiro, foram tantas as fraudes que a eleição chegou a ser anulada. Até agora, 14 apuradores, mesários e digitadores foram presos.

Criada por um grupo de engenheiros que incluiu militares das Forças Armadas brasileiras, a urna eletrônica passa por testes rigorosos e constantes.

O Tribunal Superior Eleitoral descobriu que esses piratas da informática estudavam um jeito de criar problemas na votação eletrônica. O TSE diz que eles não têm a menor chance.

“Nenhuma fraude foi até hoje detectada com o uso da urna eletrônica nesses 30 anos de sua implementação. Muito pelo contrário, camadas de segurança vêm sendo desenvolvidas de lá para cá, inclusive o famoso registro digital do voto, que permite pelo site do TSE comparar o resultado obtido nas totalizações dos boletins de urna”, explica Bauab, pesquisador do TRE-SP.

O voto eletrônico deixou também no passado as apurações que demoravam dias.

“Aquilo, quando dava erro, tinha que recontar, e recontar de novo. Era 4, 5 horas da manhã. Não dava”, afirma Roberto Barbarini, artista plástico e mesário desde 1981.

Quando percebeu o risco que a sucessão de erros representava, o TRE começou a reter os mapas no protocolo de correções e conferências.

Nem cédulas, nem mapas de urna. Junto com a montanha de papel, desapareceram também os erros e as fraudes. Aquele cenário caótico deu lugar ao voto realmente secreto, que respeita a vontade do eleitor.

E essa não foi a única conquista democrática celebrada graças à urna eletrônica. Nas últimas eleições, o resultado saiu em menos de três horas.

Como mesário, Roberto vem acompanhando as mudanças desde os anos 70.

“Eu confio [na urna eletrônica] porque eu estou vendo, eu faço parte disso aqui, não tem como alterar. Não há como alterar”, reitera Roberto Barbarini.

Confiante e querido na seção, onde máquina e humano formam a parceria que deu certo, Roberto conta que recebe o carinho dos eleitores. “Eu recebo frutas, balas, chocolates, pastéis... enfim, é o carinho.”

E qual é o seu carinho pela democracia? “Ah, é muito grande. É muito grande”, enfatiza.

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