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'Pilili' foi criado em uma tarde e nunca foi mudado; conheça a história do som mais famoso das eleições brasileiras

De onde veio o 'pilili'? Criador da urna eletrônica explica escolha do som

G1 — Brasil · 2026-09-20T07:00:00.000Z

De onde veio o 'pilili'? Criador da urna eletrônica explica escolha do som

O projeto de criação da urna eletrônica estava quase sendo finalizado em 1996, há 30 anos, antes das eleições municipais daquele ano. Mas ainda faltava uma etapa: incluir um sinal claro que avisasse o eleitor que o processo foi concluído e seu voto computado.

“O lance do som, nos meados dos anos 1990, é que os equipamentos não tinham muita funcionalidade. O som que se podia emitir eram ‘beeps’. As placas mães não tinham funcionalidade multimídia”, explica Giuseppe Janino, de Canoas, ex-secretário de tecnologia da informação do TSE e um dos autores do projeto da urna eletrônica brasileira.

A equipe de quatro engenheiros do Tribunal Superior Eleitoral, mais Janino, se reuniu em uma tarde para definir como este aviso seria dado. A escolha foi feita neste encontro decisivo em São Paulo, em 1966, onde as primeiras urnas eram produzidas. A equipe técnica avaliou diversas opções sonoras apresentadas pelo fabricante.

“A gente definiu que tinha que ser um som diferenciado. Foram algumas opções, algumas sequências, fizemos vários testes e chegamos àquele resultado”, conta.

O som é composto de uma funcionalidade simples. São ‘beeps’ em sequências que formam o barulho da urna que, hoje, já se tornou o símbolo sonoro do processo eleitoral brasileiro.

“Entrou na cultura do eleitor e do mesário, virou uma questão cultural”, define Janino.

Infográfico - 'Pilili': o barulho que virou símbolo das eleições do Brasil

O voto eletrônico e a democracia

Para Giuseppe Janino, a modalidade eletrônica de votação amplia a democracia, sendo acessível em usabilidades que o voto de papel não era.

“(A urna) funciona sem energia elétrica. Funciona, inclusive, nas aldeias indígenas, por exemplo. Todas as teclas têm estampa em braille, que permite que o deficiente visual consiga identificá-las. Além disso, por meio de fones auriculares, ele consegue ouvir aquilo que é apresentado na tela”, destaca.

“Com esses recursos de usabilidade, vários segmentos das sociedades que até então estavam fora do processo eleitoral, do processo democrático, foram incluídos, como o deficiente visual, o analfabeto, o indígena e o idoso”, define.

Além desses recursos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) destaca que a urna tem um sistema de áudio com voz sintetizada e intérprete de Libras exibido no canto inferior da tela.

A voz de Letícia

Desde as Eleições 2024, a urna eletrônica conta com uma nova voz sintetizada para fornecer orientações durante o voto. É a voz “Letícia”, pertencente à cantora Sara Bentes, que nasceu com deficiência visual.

A mudança atendeu a uma solicitação encaminhada pela Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB). A voz fornece instruções básicas para o início da votação e informa o cargo em disputa, além dos nomes e números das candidaturas escolhidas.

Para isso, é utilizado um software livre que converte texto em fala e funciona como uma espécie de banco público de vozes. A ferramenta foi desenvolvida com a participação de programadores cegos.

Como funciona a urna eletrônica

Como nasceu a urna eletrônica?

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A urna eletrônica não é conectada à internet, ao Wi-Fi ou ao Bluetooth. Durante a votação, ela funciona de forma isolada e executa apenas programas previamente inspecionados, segundo o TSE. Antes das eleições, os sistemas utilizados na votação passam por etapas de inspeção, testes e fiscalização. Após, são gravados em mídias e lacrados para serem utilizados nas urnas.

Os eleitores de cada seção também estão cadastrados nas suas respectivas urnas. Com a identificação, o mesário habilita a urna para a votação.

Os votos são registrados individualmente, à medida que são inseridos na urna: cada voto digitado por cada eleitor representa um único arquivo. Os votos são armazenados em ordem aleatória, de modo que não seja possível associar um voto ao eleitor que o inseriu.

Ao final da votação, a urna imprime o Boletim de Urna (BU) e grava os dados do resultado em uma mídia. A partir daí, as informações seguem para os sistemas de totalização por uma rede utilizada exclusivamente pela Justiça Eleitoral.

TSE apresenta mascote

O aviso sonoro está tão inserido na cultura eleitoral do país que, em maio, o TSE apresentou ao público a mascote Pilili, fruto de um projeto que integra as ações de comunicação dos 30 anos da urna eletrônica.

O objetivo, segundo a Corte Eleitoral, é “levar para uma linguagem mais próxima das novas gerações um equipamento que já faz parte da história das eleições brasileiras”.

“Tem mesário que passa a noite em claro ouvindo esse ‘piripipi’ a noite toda depois de um dia de trabalho”, brinca Janino. “Mas ele é realmente uma característica importante que representa culturalmente a nossa urna eletrônica”.

Pilili e a então presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, no lançamento do mascote

Pilili, mascote das Eleições 2026

Imagem urna eletrônica

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