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Montezum, motanha-russa do Hopi Hari é investigada pelo MPSP após visitante perder movimentos
G1 — Campinas e Região · 2026-09-21T13:06:55.000Z
Montezum, motanha-russa do Hopi Hari é investigada pelo MPSP após visitante perder movimentos
Localizada no Hopi Hari, em Vinhedo (SP), a Montezum é considerada a maior montanha-russa de madeira da América Latina. O brinquedo é alvo de investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) após a visitante Júlia Bossoni, de 21 anos, sofrer traumatismo cranioencefálico e perder movimentos.
A estrutura tem 42,4 metros de altura e 1.030 metros de extensão. O percurso completo dura 58 segundos, com o trem atingindo a velocidade máxima de 103 km/h. Para evitar acidentes em caso de perda de força na subida, o sistema é equipado com o dispositivo anti-rollback, que impede o recuo do trem de ré.
Jovem perde movimentos após andar em montanha-russa do Hopi Hari
Mãe de jovem diz que Hopi Hari cortou ajuda após alta
Inaugurada em 1999, junto com a abertura do parque de diversões, a motanha-russa levou 18 meses para ser concluída. De acordo com informações publicadas no blog do parque, o nome é inspirado no imperador asteca Moctezuma II, popularmente conhecido como Montezuma.
Para erguer o brinquedo, foram necessários 1,5 mil funcionários. A obra utilizou 235 blocos de concreto, 690 toneladas de madeira e equipamentos, cinco milhões de parafusos e mais de mil tubulações subterrâneas.
A composição dos materiais da pista interfere diretamente na sensação do usuário durante o trajeto. O próprio Hopi Hari salienta que “por ter seus trilhos feitos de madeira, é normal que o trem balance um pouco durante o percurso, totalmente comum em todas as Montanhas Russas desse mesmo tipo”.
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600 visitantes por hora
De acordo com dados divulgados pelo parque em 2022, a montanha-russa é uma das atrações mais procuradas do complexo. O fluxo médio chega a 600 visitantes por hora de operação, totalizando cerca de 5 mil pessoas por dia. Em 2021, o brinquedo obteve uma certificação internacional de segurança emitida pelo grupo europeu TÜV NORD.
A operação do brinquedo passou por alterações ao longo dos anos. Inicialmente, a Montezum operava com cinco vagões acoplados, transportando até 30 pessoas por trem. Posteriormente, esses vagões foram retirados. Atualmente, a atração funciona com dois trens que comportam, juntos, até 48 pessoas.
Jovem perdeu movimentos após andar na Montezum
Jovem perde movimentos após andar em montanha-russa do Hopi Hari; MP investiga
Em abril deste ano, Júlia passou mal após andar na Montezum. Ela ficou desacordada e teve convulsões ao retornar à plataforma da atração. Encaminhada à Santa Casa de Vinhedo, foi diagnosticada com hemorragia intracraniana e edema cerebral e precisou passar por uma cirurgia.
Segundo o laudo médico, o traumatismo foi causado por mecanismo de contragolpe durante ida na montanha-russa. "Apenas um movimento brusco de aceleração e desaceleração e rotação do crânio pode fazer a ruptura de vasos sanguíneos cerebrais", diz o neurocirurgião Victor Batistela.
A jovem permaneceu 57 dias internada e, segundo a família, perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo, além de apresentar dificuldades na fala e alterações de memória. Um laudo médico apontou traumatismo cranioencefálico associado a um mecanismo de contragolpe durante o passeio.
O MPSP investiga o caso e solicitou uma perícia na montanha-russa. O Hopi Hari afirma que prestou atendimento à jovem, acompanhou sua internação e que a atração passa por inspeções e possui certificação internacional de segurança.
Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, a mãe Danielle Rimolli afirmou nesta segunda-feira (21) que o parque deixou de prestar assistência à jovem após a alta hospitalar. Segundo ela, o suporte financeiro do parque limitou-se ao período de internação inicial de 57 dias.
"Eles acionaram o seguro exclusivamente para pagar nossa hospedagem e alimentação por dois meses em Vinhedo. Para a Júlia, não foi feito absolutamente nada [...] Eles sumiram e não deram mais um centavo", afirma Danielle.
Danielle diz que representantes do parque prometeram enviar ajuda financeira semanal para custear fraldas, remédios e cadeira de rodas, mas deixaram de responder à advogada da família. O único valor pago após a alta em Vinhedo foi de R$ 7 mil, referente ao transporte de ambulância até o Paraná.
Para garantir o tratamento da jovem com uma equipe de neurocirurgiões especialistas, que não atendem pelo plano de saúde, a família precisou pagar R$ 70 mil do próprio bolso. O valor foi arrecadado por meio de uma vaquinha.
O g1 pediu uma posição ao Hopi Hari sobre a queixa da família. Nesta reportagem, veja a nota enviada pelo parque ao Fantástico.
Montanha-russa deixou outras vítimas
Jovem perde movimentos após andar em montanha-russa do Hopi Hari; MP investiga
Júlia não foi a primeira a sofrer um trauma ao andar na Montezum. Em 2018, aconteceu também com Nathalia Assenjo Motta. "Conforme a montanha-russa desceu e subiu para fazer a curva, o meu pescoço fez o mecanismo de chicote, deu aquele estalo. Meu corpo desligou totalmente.", relembra.
O deslocamento das vértebras foi tão grave que ela precisou colocar 12 pinos e duas hastes na região cervical. Três dias depois, a professora recuperou os movimentos do corpo, mas perdeu a mobilidade do pescoço. O Hopi Hari pagou uma indenização a Nathalia por danos materiais.
Hoje, ela ainda lida com uma rotina difícil."Fisioterapias, hidroterapia que eu tive que pagar particular, que o plano não cobre. Eu tenho essas dores absurdas e preciso tomar remédios fortíssimos".
Márcio também foi vítima da Montezum, em 2014. Depois de andar na montanha-russa, ele ficou tetraplégico. O motoboy morreu em 2023, por complicações decorrentes de uma infecção urinária.
"Houve de fato o rompimento de duas vértebras, mas o problema neurológico que desenvolveu a tetraplegia, conforme consta do laudo, foi o movimento de chicote", diz o advogado João Erhardt.
Em uma plataforma de avaliação de consumidores, foram encontrados ao menos 40 registros feitos, nos últimos dois anos, por pessoas que alegam ter sofrido lesões ao andar na Montezum. Os relatos são de dores no pescoço, lesões no joelho e até costelas quebradas.
O que diz o Hopi Hari
"A Montezum Possui certificação internacional emitida pelo Grupo TUV Nord, uma das maiores organizações de inspeção e testes de atrações do mundo. As inspeções acontecem anualmente no caso de atrações radicais como a Montezum, e bianuais, em atrações de baixa complexidade. Outros importantes protocolos de segurança, treinamento de pessoal e de atenção ao visitante fazem parte da rotina diária do Hopi Hari em todas as suas atrações. O parque também segue rigorosamente a norma nacional para parques de diversões 'ABNT NBR 15926-2023 Equipamentos de Parques de Diversão'.
Antes mesmo de acessar a Montezum, placas contendo dados sobre a atração estão colocadas em pontos de fácil visualização para que todos os visitantes tenham informações claras e detalhadas sobre o funcionamento da montanha russa, além de recomendações e restrições. Ainda quando estão na fila para acessar a atração, um sistema de áudio destaca as recomendações e restrições. E, no momento do embarque, os operadores da atração também reforçam as informações, por meio de um sistema de som. Os procedimentos seguem normas internacionais adotadas em atrações ao redor do mundo e integram rotinas obrigatórias de segurança e operação. De janeiro de 2026 até o momento, mais de 870 mil pessoas frequentaram o parque e, deste total, aproximadamente 470 mil pessoas passaram pela atração, que é a mais visitada do Hopi Hari.
Também é importante destacar que, recentemente, o Ministério Público emitiu parecer sobre a atração enfatizando não haver risco coletivo, defeito no projeto da montanha russa ou qualquer negligência. No texto do parecer, o MP destaca "a regularidade do funcionamento da atração "Montezum" sob a ótica da tutela coletiva e difusa da segurança e saúde dos consumidores". O parecer acrescenta, ainda, que "o estabelecimento prestador do serviço adota protocolos rigorosos de prevenção, manutenção e segurança operacional".
E enfatiza que 'a montanha-russa Montezum é submetida a rotinas periódicas de inspeção técnica diária , abrangendo a estrutura de madeira, trilhos, fixações, travas de segurança, cintos, sensores fotoelétricos, painéis elétricos e sistemas de frenagem, com supervisão por equipe de engenharia e certificações técnicas pertinentes. Ademais, constata-se a existência de sinalização visual e sonora no local, informando previamente a classificação da atração como radical, as forças e movimentos nela envolvidos, além das expressas contra indicações de uso a pessoas com problemas na coluna, gestantes e portadores de condições clínicas específicas', descreve o parecer. As placas indicativas com as informações nelas contidas, também estão anexadas neste email.
O Hopi Hari esclarece ainda que a visitante do Paraná acessou a atração por duas vezes no mesmo dia de sua visita ao parque, conforme imagens anexadas. A primeira ida à Montezum ocorreu às 11h da manhã e a segunda, cerca de cinco horas depois, por volta de 16h30 do mesmo dia.
O episódio envolvendo a jovem paranaense ocorreu em sua segunda passagem pela atração, quando apresentou um quadro de convulsão e recebeu pronto atendimento das equipes do parque, seguindo todos os protocolos de segurança. A providência inicial foi prestar os primeiros socorros no ambulatório do parque. A visitante foi encaminhada para a Santa Casa de Vinhedo, onde permaneceu internada até apresentar condições de retorno à sua cidade. A direção do parque acompanhou de perto o tratamento prestado, sempre em contato com os familiares, custeando as despesas durante a permanência em Vinhedo.
Vale ressaltar que o departamento jurídico do Hopi Hari também manteve contato com os familiares da visitante paranaense para o suporte necessário durante todo o processo de atendimento da paciente em seu tratamento. O corpo jurídico, assim como a direção do parque, seguem à disposição da família da visitante. Importante destacar também que o Hopi Hari dispõe de um seguro que foi franqueado à família.
O Hopi Hari segue investindo em normas, procedimentos e treinamentos visando a segurança das atrações do parque que, nos últimos 5 anos, já recebeu mais de 5,5 milhões de visitantes.
Sobre as ocorrências mencionadas de anos anteriores, esclarecemos que os dados pertencem a gestões passadas. A atual administração tem seu foco estrito na rigorosa cultura de segurança implementada nos últimos 5 anos, responsável por receber mais de 5,5 milhões de visitantes de forma segura.
Normas que seguimos e que regem as inspeções que seguimos 100%.
Decisão Normativa 52, de 25 de agosto de 1994, do CONFEA.
Ato Normativo nº 02, de 14 de dezembro de 2001, CREA-SP.
ABNT NBR 15926:2023, Equipamentos de Parques de Diversão.
ABNT NBR 16071:2012, “Playgrounds”.
ABNT NBR 5410:vigente, Instalações Elétricas de Baixa Tensão.
ABNT NBR 9050, Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços equipamentos urbanos.
ABNT NBR ISO 21101:2014, Turismo de Aventura – Sistema de Gestão de Segurança – Requisitos.
NR 10 - Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade.
NR 13 - Caldeiras, Vasos de Pressão e Tubulações.
Equipe técnica que trabalha dedicada, na atração
1 técnico em mecânica (média de 5h por dia)
1 técnico em elétrica (média de 2h por dia)
12 carpinteiros (média de 7h por dia)
Argumentos sobre a decisão do MPT
Não foram analisadas somente documentação, tivemos inspeções e avaliações técnicas dos engenheiros do CAEx para elaboração dos pareceres.
Preventiva diária (realizada diariamente antes da abertura do parque)
5-6 horas de trabalho realizado por um técnico em mecânica
1-2 horas de trabalho realizado por um técnico em elétrica
3-4 horas de trabalho realizado pela equipe de carpintaria (3-4 pessoas)
Preventiva semanal (realizada toda semana nos dias de parque fechado)
6-7 horas de trabalho realizado por um técnico em mecânica
2-3 horas de trabalho realizado por um técnico em elétrica
14-15 horas de trabalho realizado pela equipe de carpintaria (8-9 pessoas)
Preventiva mensal (realizado durante o mês em que foi gerada, conforme programação)
4-6 horas de trabalho realizado por um técnico em mecânica
2-3 horas de trabalho realizado por um técnico em elétrica
Anual (realizada nos trens após 1800-2000 horas de trabalho ou a cada dois anos)
30-50 dias de trabalho realizado pela equipe mecânica (2 mecânicos+1 supervisor)
Sobre o registro de 40 reclamações de visitantes
Em resposta ao questionamento da reportagem, cabe destacar a devida proporcionalidade dos dados: o registro de cerca de 40 reclamações na plataforma Reclame Aqui ao longo dos últimos dois anos refere-se a um universo de aproximadamente 1,2 milhão de visitantes que passaram pela Montezum no mesmo período — o que demonstra um índice estatístico irrisório e abaixo da média mundial, diante do expressivo volume de operações da atração.
Em recente manifestação a respeito do assunto, o Ministério Público deu parecer onde destaca que "o histórico operacional demonstra que eventuais queixas de desconforto muscular constituem episódios isolados, inerentes ao impacto físico esperado em equipamentos de tal natureza, sem qualquer padrão de defeito sistêmico no brinquedo ou falha na prestação do serviço", diz o parecer.
Os casos relatados são encaminhados ao SAV (Serviço de Atendimento ao Visitante) que trata com atenção os relatos de queixas sobre lesões ou desconfortos físicos, passíveis em uma atração amplamente anunciada como radical, mantendo contato com o reclamante para inicialmente ouvir seu relato e seguir se necessário com o acompanhamento."
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