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Casagrande defende redução da maioridade penal, maior controle das bets e promete ser 'fiscal' das obras na BR-262

Veja a entrevista com Renato Casagrande, candidato ao Senado nas eleições 2026

G1 — Brasil · 2026-09-21T14:33:56.000Z

Veja a entrevista com Renato Casagrande, candidato ao Senado nas eleições 2026

O candidato ao Senado pelo Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), defendeu a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes contra a vida, maior controle sobre as apostas esportivas (bets) e afirmou que, se eleito, será um "fiscal" das obras de duplicação da BR-262.

As propostas foram apresentadas durante entrevista ao vivo ao Bom Dia Espírito Santo nesta segunda-feira (21).

“Eu, como senador, vou ser um fiscal, um vigilante, alguém que vai estar acompanhando dia a dia esses investimentos, porque eu sei da importância”, afirmou.

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Sobre as bets, Casagrande disse ser contra o fim das plataformas de apostas, mas defendeu regras mais rígidas para o setor, com maior tributação, redução da publicidade e criação de um cadastro nacional de apostadores.

Segundo o candidaro, parte da arrecadação poderia ser destinada ao tratamento de pessoas dependentes de jogos.

Durante um pingue-pongue no início da entrevista, Casagrande respondeu 'sim' à pergunta sobre a redução da maioridade penal. Mais tarde, detalhou que defende a mudança de 18 para 16 anos especificamente para crimes contra a vida.

“Não é possível que uma pessoa que tenha 16, 17 anos, cometa um crime, tira a vida de alguém e fique internado por três anos”, afirmou.

Renato Casagrande participou de sabatina no Bom Dia Espírito Santo

Pesquisa Quaest no ES: Ricardo Ferraço, 35%; Lorenzo Pazolini, 28%; Helder Salomão, 10%

O candidato também defendeu mudanças na legislação penal para impedir a progressão de regime em casos de homicídio. Segundo ele, a medida deveria valer para qualquer tipo de homicídio.

Questionado sobre as apostas esportivas on-line, Casagrande afirmou que não pretende acabar com as bets. Ele defendeu uma regulamentação mais rígida, com maior tributação, limites para publicidade e um cadastro nacional de apostadores.

“Defendo uma regulamentação mais forte, uma tributação mais forte, defendo redução da publicidade”, disse.

Casagrande também foi questionado sobre a autorização, durante seu governo, para que o Banestes, banco do estado, criasse uma plataforma própria de apostas. Ele afirmou que o banco, por ser uma instituição pública, terá que seguir as regras estabelecidas pelo governo e adotar medidas para proteger os usuários.

O candidato não apresentou um percentual ou valor para a tributação que defende para o setor. Segundo ele, parte dos recursos poderia ser destinada ao atendimento de pessoas dependentes de apostas.

Brasil é o quinto maior mercado mundial de bets, segundo levantamento recente.

A situação da BR-262 também foi tema da entrevista. Casagrande afirmou que, durante seu governo, foram destinados R$ 2,3 bilhões de recursos do acordo de Mariana para iniciar as obras de duplicação da rodovia.

Segundo ele, o governo aguarda a publicação do edital pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

O projeto de duplicação da BR-262 no Espírito Santo foi ampliado e deve incluir a construção de 50 viadutos, 28 pontes, 6 passarelas, 4 túneis e 40 quilômetros de ciclovias ao longo de 180 quilômetros.

Casagrande afirmou que, caso seja eleito para o Senado, pretende acompanhar de perto a execução dos investimentos na rodovia.

Projeto de duplicação da BR 262 no Espírito Santo.

Reforma do Judiciário

Casagrande também defendeu mudanças no funcionamento do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre as propostas estão a redução do mandato dos ministros para dez anos, regras para impedir que parentes de até terceiro grau dos integrantes da Corte atuem em processos no Supremo e a limitação de decisões monocráticas.

"Eu defendo que a gente possa ter um mandato de dez anos para ministro do Supremo Tribunal Federal", afirmou.

Sobre o impeachment de ministros do STF, o candidato disse que não considera necessária uma mudança na Constituição. Para ele, os mecanismos atuais já permitem a abertura de processos de investigação e eventual impedimento.

“Nós não precisamos. Nós já tivemos experiências que envolveram o presidente da República, o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello, o impeachment da presidente Dilma. Nós já tivemos experiência que os instrumentos que nós temos na Constituição hoje já são suficientes”, disse.

8 de janeiro

Questionado sobre uma eventual anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, Casagrande afirmou que não concederia o benefício a quem esteve à frente ou na coordenação do movimento.

Para os demais participantes, porém, ele avaliou que as penas aplicadas foram rigorosas demais e defendeu que sejam consideradas as diferentes formas de participação nos atos.

"Quem esteve à frente, não. Quem esteve participando, chamado, mobilizado para participar, eu acho que as penas foram rigorosas demais", afirmou.

No início da entrevista, durante o pingue-pongue, Casagrande também havia respondido que era necessário regulamentar uma eventual anistia para estabelecer penas adequadas aos atos cometidos.

Na área de segurança pública, Casagrande defendeu o endurecimento da legislação penal e a integração de informações entre as forças de segurança.

O candidato afirmou que o Espírito Santo passou de 2.034 homicídios em 2009 para 796 em 2025 e atribuiu a redução ao trabalho de coordenação do programa Estado Presente.

"É assim que funciona: a hora que você dá ao policial, a hora que você valoriza o policial, a hora que você dá as condições de trabalho para ele, motiva esse trabalho, a hora que você investe na inteligência, você consegue resultado", afirmou.

Para o combate às organizações criminosas, Casagrande defendeu a integração entre as polícias estaduais, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, além de um sistema nacional de informações.

Ele também foi contrário à classificação de facções criminosas como grupos terroristas.

Casagrande afirmou que Rose de Freitas (MDB), que integra sua coligação, é sua candidata para a segunda vaga ao Senado. Ele também reconheceu o apoio declarado dos petistas Fabiano Contarato e Helder Salomão, mas disse que não apoia a candidatura de Contarato para a outra vaga. “Minha candidata é a Rose de Freitas, da minha coligação”, afirmou.

Para a Presidência da República, Casagrande declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O candidato afirmou que pretende manter uma atuação independente das diferenças partidárias e ideológicas.

“Eu sempre coloquei, acima das diferenças ideológicas, acima das diferenças partidárias, o interesse do Espírito Santo”, disse.

Casagrande também defendeu uma reforma administrativa que envolva os três Poderes e instituições com autonomia administrativa e financeira.

Ele afirmou ser contrário a benefícios que considera privilégios e defendeu que o teto remuneratório seja aplicado de forma ampla.

"A reforma administrativa não pode excluir ninguém. A reforma administrativa tem que envolver todos os poderes, tem que estabelecer com clareza o teto de remuneração, tem que incluir no teto de remuneração os penduricalhos", afirmou.

Fim da escala 6x1 ainda precisa passar por diversas etapas legislativas antes de virar lei

Casagrande manteve a posição favorável ao fim da escala 6 por 1 sem redução de salário. Questionado sobre o impacto da mudança para pequenos empresários, ele defendeu medidas de compensação.

Entre as possibilidades citadas estão redução da carga tributária para empresas afetadas pela mudança ou linhas de financiamento com custo menor.

"Eu sou sim pelo fim da escala 6 por 1, mas sou também sim para que a gente possa estabelecer algum tipo de tratamento diferenciado para esses empreendedores", afirmou.

Casagrande defendeu o fortalecimento da Defesa Civil e a desburocratização do repasse de recursos para obras de prevenção e adaptação às mudanças climáticas. Ele citou o Fundo Cidades como exemplo de iniciativa adotada no Espírito Santo.

"A gente repassou recursos para os municípios, para o muro de arrimo, para a represa, lagoas, para a contenção de água, para a reservação de água em época de estiagem".

O candidato também citou investimentos feitos em Vila Velha e afirmou que as obras ajudaram a enfrentar os problemas de alagamento no município.

“Vila Velha era a 'Veneza Capixaba', a gente fez investimentos históricos na cidade”, lembrou.

Casagrande também afirmou que pretende fortalecer, no Senado, a Comissão Mista de Mudanças Climáticas, criada durante o período em que foi senador e deputado federal.

Violência contra a mulher

Na última pergunta, Casagrande defendeu o endurecimento da legislação para crimes de violência contra a mulher e afirmou ser contrário à progressão de regime para os autores desses crimes.

Ele também citou ações de prevenção, como a ampliação das escolas em tempo integral e o trabalho das polícias Militar e Civil, incluindo a Companhia Independente Maria da Penha.

"Nós saímos de 32 escolas para 132 escolas. É a educação que vai mudando essa ideia machista que a gente tem de que o homem é proprietário da mulher e que pode fazer dela o que quiser. Isso a gente tem que investir forte na família e forte na educação", afirmou.

Renato Casagrande participou de sabatina no Bom Dia Espírito Santo

Sobre o candidato

Renato Casagrande é de Castelo, na Região Sul do Espírito Santo. Foi eleito deputado estadual em 1990, deputado federal em 2002 e senador em 2006. Também foi governador do Espírito Santo por três vezes, eleito em 2010, 2018 e 2022. Deixou o cargo em abril deste ano para disputar novamente uma vaga no Senado.

Série de entrevistas

O Bom Dia Espírito Santo iniciou nesta segunda-feira (21) a série de entrevistas ao vivo com candidatos ao Senado. Pelas regras definidas pela TV Gazeta, participam os candidatos que tiveram 5% ou mais na última pesquisa Quaest contratada pela emissora e que estejam entre os cinco primeiros colocados no levantamento.

A ordem das entrevistas segue a posição dos candidatos na pesquisa. Cada candidato tem 30 minutos de entrevista e mais um minuto para considerações finais. As entrevistas também são transmitidas pelo g1 e pelo Globoplay.

Depois de Renato Casagrande, a série segue nesta terça-feira (22) com Sérgio Menegheli (PSD). Na quarta-feira (23), será a vez de Fabiano Contarato (PT). Na quinta-feira (24), Rose de Freitas (MDB) participa da entrevista, e na sexta-feira (25), a entrevistada será Maguinha Malta.

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