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Nasa identifica nova cratera na Lua causada por 'impacto raro', que acontece só uma vez por século

Cratera McGetchin, à esquerda, em imagem feita em 2025, ao lado de registro da mesma região em 2011, antes do impacto. A mancha branca mostra material lançado pela colisão.

G1 — Brasil · 2026-09-21T16:55:39.000Z

Cratera McGetchin, à esquerda, em imagem feita em 2025, ao lado de registro da mesma região em 2011, antes do impacto. A mancha branca mostra material lançado pela colisão.

NASA Goddard/Intuitive Machines/Robert Wagner

A Nasa, a agência espacial norte-americana, identificou uma nova cratera na Lua formada por um “impacto raro”, de um tipo que, segundo cientistas, acontece aproximadamente uma vez por século ou até com menos frequência.

A estrutura, batizada de McGetchin, tem cerca de 220 metros de largura e 43 metros de profundidade. Ela surgiu depois que um asteroide ou cometa atingiu a superfície lunar.

Os pesquisadores estimam que o objeto tinha dimensões comparáveis às de um prédio de três a seis andares. A colisão aconteceu em algum momento entre 11 de abril e 22 de maio de 2024.

A descoberta foi feita por acaso pelo especialista em imagens Robert Wagner, da empresa Intuitive Machines, durante uma checagem de rotina nos dados da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO).

Ele cruzou mapas da superfície lunar feitos em períodos diferentes e notou um ponto claro fora do comum, cercado por um halo escuro — um indício de que o solo ali havia sido remexido.

“Eu simplesmente parei, larguei tudo e comecei a investigar o que era aquela mancha”, disse Wagner.

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Depois da comparação, os cientistas concluíram que se tratava da maior cratera recém-formada já identificada no Sistema Solar, segundo a Nasa.

🌕 A Lua recebe impactos com frequência porque praticamente não tem atmosfera capaz de frear ou destruir rochas espaciais antes que elas cheguem à superfície.

A LRO orbita o nosso satélite há mais de 17 anos e, nesse período, ajudou a identificar pelo menos 1.000 novas crateras de impacto e cerca de 100 mil outras mudanças na superfície ligadas a colisões e aos detritos lançados por elas.

Vista da Lua montada a partir de centenas de imagens; seta indica a cratera McGetchin.

NASA Goddard/Intuitive Machines/Robert Wagner

Os efeitos da colisão também foram sentidos além da borda da cratera. Observações posteriores mostraram uma área de cerca de 6,4 quilômetros de largura ao redor dela que fica aproximadamente 9°C mais fria durante a noite do que as regiões vizinhas.

Segundo os pesquisadores, isso acontece porque o impacto remexeu o regolito, camada de poeira e fragmentos de rocha que cobre a Lua, deixando o material menos denso e com menor capacidade de reter calor.

Os cientistas dizem ainda que a descoberta ajudará a entender melhor como grandes impactos modificam a superfície lunar e pode ter implicações para futuras missões, inclusive para a circulação de veículos sobre o solo da Lua.

Os resultados foram publicados neste mês na revista científica "Science Advances".

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