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'Foco, Força e Fé': facção 'Tropa do Urso' usava grupo no WhatsApp para vigiar a polícia em Colatina

Polícia diz que 'Tropa do Urso' monitorava a polícia em Colatina

G1 — Brasil · 2026-09-21T18:37:59.000Z

Polícia diz que 'Tropa do Urso' monitorava a polícia em Colatina

Um grupo no WhatsApp era usado por criminosos da facção 'Tropa do Urso' para vigiar movimentação da polícia em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo. Chamado de 'Foco, força e fé', o chat coletivo incluía os chamados olheiros (vigias do crime) e outros faccionados.

As informações estão presentes em três denúncias apresentadas pelo Ministério Público Estadual contra 42 integrantes do grupo criminoso. Até a publicação desta reportagem, 35 suspeitos foram presos e sete permaneciam foragidos.

Os investigados usavam o aplicativo de mensagens para falar sobre prisões, operações policiais, presença de viaturas, realização de blitz, deslocamentos e situação das áreas em que mantinham suas atividades.

Assim, conseguiam sustentar a distribuição e comercialização de drogas como cocaína, crack, maconha, ecstasy e lança-perfume.

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Pelo grupo, eles também mantinham a guarda e disponibilização de armas pesadas, que eram trocadas de locais de guarda de acordo com a movimentação policial. No final de julho deste ano, 30 suspeitos foram presos.

O MPES afirmou que o grupo de mensagens também servia como engrenagem financeira, com a utilização sistemática de chaves Pix e contas bancárias de terceiros para centralizar receitas e pagar fornecedores sem circular dinheiro físico.

Cabos de internet eram cortados por grupo criminoso em Colatina, a Tropa do Urso, que vigiava a ação da polícia pelo WhatsApp

Também pelo telefone, a 'Tropa do Urso' encontrava e chamava adolescentes para a atuar na venda das drogas e em tarefas de apoio à facção. A investigação apontou ainda a cidade de Colatina como centro das operações, com pontos de venda e gerências locais.

Serra era usada para abastecimento, São Roque do Canaã tinha uma célula da organização e a Grande Vitória funcionava como rota logística. Já o Rio de Janeiro era apontado como origem de armas e drogas sintéticas e como local de refúgio das lideranças.

Entre os presos estão Bryan Lyrio Deolindo, Hugo Henrique dos Santos e Vinicius Lung, apontados como chefes da "Tropa do Urso". Eles estavam foragidos no Rio de Janeiro e comandavam o grupo à distância.

A investigação deu origem à Operação Churchill, deflagrada em julho de 2026 após trabalho iniciado em 2025. Em outro processo, 13 integrantes foram condenados pela Justiça de Colatina e um foi absolvido.

A "Tropa do Urso" já foi alvo de outras investigações das forças de segurança. Em abril de 2025, uma operação da Polícia Federal cumpriu 16 mandados de prisão temporária e oito de busca e apreensão contra integrantes da facção em Colatina e na Serra. Na ocasião, três pessoas foram presas em flagrante.

Na época, a PF informou que a organização criminosa mantinha ligação direta com lideranças capixabas escondidas no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, área de atuação do Comando Vermelho.

Polícia Militar era vigiada pela organização criminosa Tropa do Urso

As investigações apontaram que ordens para o tráfico de drogas e até homicídios eram repassadas em tempo real por aplicativos de mensagens.

investigação federal teve início após a apreensão de celulares de integrantes do grupo. A análise dos aparelhos revelou um esquema criminoso marcado pelo uso de violência e pela participação em homicídios.

Mais recentemente, em fevereiro deste ano, a facção voltou a ser investigada após traficantes cortarem cabos de internet no bairro Operário, em Colatina, deixando cerca de 600 famílias sem conexão.

Segundo a Polícia Militar, os criminosos pretendiam obrigar moradores a contratar um provedor clandestino controlado pela organização.

Na ocasião, quatro suspeitos, dois adultos e dois adolescentes, foram detidos durante uma operação realizada em resposta à ação criminosa. De acordo com a polícia, o objetivo do grupo era monopolizar a oferta de internet na região.

*Com informações de Vilmara Fernandes.

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