ITATIBA1

Entre versos, música e imagem, centenário de Max Martins é celebrado em programação gratuita no Sesc Ver-o-Peso

Max Martins completaria 100 anos em 2026

G1 — Brasil · 2026-09-21T20:19:16.000Z

Max Martins completaria 100 anos em 2026

Cem anos após o nascimento de Max Martins (1926-2009), poemas do escritor paraense ganham voz, música e movimento em uma programação especial em Belém. Nesta terça-feira (22), às 19h, Arthur Nogueira, André Vallias e Age de Carvalho apresentam gratuitamente o espetáculo lítero-musical Diz (de novo, sempre, outra vez), no Teatro Sesc Ver-o-Peso. Com leituras, canções inéditas e videopoemas, a apresentação integra o Colóquio Max Martins 100 anos, que celebra o centenário de nascimento do poeta.

Quem foi Max Martins

Nascido em Belém, em 20 de junho de 1926, Max Martins construiu ao longo de mais de cinco décadas uma das obras de referência da poesia produzida no Pará. Estreou em livro com O Estranho, em 1952, e integrou uma geração que movimentou a vida intelectual e literária paraense ao lado de nomes como Benedito Nunes, Mário Faustino, Haroldo Maranhão e Ruy Barata. Em 1993, recebeu o Prêmio Olavo Bilac, da Academia Brasileira de Letras, por Não para consolar, e, em 2001, o título de doutor honoris causa da Universidade Federal do Pará (UFPA).

A inquietação com a própria forma de fazer poesia atravessou sua trajetória. Max experimentou com a disposição dos versos, os espaços vazios, a fragmentação das palavras e a dimensão visual do texto, incorporando à página elementos que também participavam da construção de sentido. A obra atravessou diferentes momentos da poesia brasileira do século XX e dialogou com experiências de vanguarda sem que o escritor aderisse formalmente a um movimento.

“Embora não tenha vestido a camisa de nenhum movimento vanguardista, Max Martins acompanhou tudo com atenção, fazendo suas experimentações com naturalidade e coerência, sem entrar em polêmicas e distante de qualquer dogmatismo”, afirma André Vallias. Para ele, é justamente essa liberdade que ajuda a compreender a atualidade da produção de Max.

A Amazônia também atravessou essa poesia de uma maneira particular. Max viveu em Belém e manteve uma relação próxima com Mosqueiro, onde construiu, na década de 1980, a cabana conhecida como Porto Max, na praia do Marahu. Em entrevista a Elias Ribeiro Pinto, em 1990, respondeu assim ao ser questionado sobre não escrever poemas diretamente sobre a região:

“Uma vez me perguntaram por que eu não escrevia poemas sobre a Amazônia como natural daqui: respondi que a Amazônia é que de um modo qualquer me escrevia.”

Conexão Viena, Rio e Belém

O espetáculo desta terça-feira foi concebido à distância, em encontros virtuais que conectaram os três artistas em diferentes cidades: Age de Carvalho, em Viena, André Vallias, no Rio de Janeiro, e Arthur Nogueira, em Belém. O trio se reúne presencialmente pela primeira vez na capital paraense para os ensaios e a apresentação.

“Concebemos o espetáculo sobre a obra de Max Martins em animadas reuniões online: Age em Viena, André no Rio e eu em Belém. A partir de uma série de videopoemas criados por André Vallias, pensamos um roteiro que combinará leituras de poesia, canções inéditas que compus a partir de textos de Max e outras surpresas”, conta Arthur.

Embora os três já se conhecessem, esta será a primeira vez que trabalham juntos. Para Arthur, a estreia ganha ainda outro significado por acontecer no lugar onde Max nasceu e construiu sua trajetória. “Estou animado com essa estreia na minha cidade, cidade do Max”, afirma.

O poema para além da página

Os videopoemas que integram o espetáculo foram criados por Vallias a partir de textos de Max e dialogam com o interesse do escritor pelas possibilidades visuais da poesia. Vallias recupera uma declaração em que o próprio Max descrevia o desejo de ver o poema sendo construído diante do público: “Uma das coisas que há muito tempo sonhava em fazer era mostrar numa tela de tevê o poema se fazendo: uma palavra aqui, outra ali embaixo, trazendo esta para cá, este jogo, este brinquedo.”

Para Vallias, experiências que aproximam texto, imagem e som retomam possibilidades que acompanham a poesia desde antes da palavra impressa.

“A poesia dita experimental ou expandida, como alguns preferem denominá-la hoje, não é somente um salto para o futuro, mas o resgate de práticas soterradas pela hegemonia da cultura letrada. Nosso cérebro é multimídia.”

A celebração ocorre também em um momento em que a produção de Max está reunida em uma coleção de 11 volumes organizada por Age de Carvalho e publicada pela Editora da UFPA. O acervo do poeta, que morreu em Belém em 9 de fevereiro de 2009, aos 82 anos, foi adquirido pela universidade em 2010 e está preservado no Museu da UFPA.

Clique e siga o canal do g1 Pará no WhatsApp

Na sexta-feira (25), Vallias volta à obra do escritor na palestra Visualidade e experimentalismo na poesia de Max Martins, às 10h, no Espaço Rui Paranatinga Barata, na UFPA. “O vigor e a atualidade da poesia de Max Martins: os 11 volumes, organizados por Age de Carvalho e editados pela UFPA, são prova inequívoca”, diz Vallias.

Vallias lança antologia de Byron em Belém

A passagem de André Vallias pela capital paraense inclui ainda o lançamento de Byron – Poemas, cartas, diários &c., da editora Perspectiva, obra vencedora do Prêmio Jabuti de Tradução 2025. O encontro será na quarta-feira (23), às 18h, na Travessia Livraria, com sessão de autógrafos e conversa com Otávio Guimarães Tavares.

A antologia reúne poemas em versões bilíngues, além de cartas e diários do escritor britânico. “Procurei dar ênfase à poesia irreverente e política de Byron, para contrabalançar a imagem mórbido-sentimentaloide que ele ainda evoca no meio literário”, explica Vallias.

Diz (de novo, sempre, outra vez)

Espetáculo lítero-musical com Arthur Nogueira, André Vallias e Age de Carvalho

Quando: 22 de setembro, às 19h

Onde: Teatro Sesc Ver-o-Peso, em Belém

Lançamento de Byron – Poemas, cartas, diários &c. (Perspectiva)

Sessão de autógrafos e conversa entre André Vallias e Otávio Guimarães Tavares

Quando: 23 de setembro, às 18h

Onde: Travessia Livraria, Avenida Alcindo Cacela, 1404, Umarizal, Belém

Visualidade e experimentalismo na poesia de Max Martins

Palestra com André Vallias

Quando: 25 de setembro, às 10h

Onde: Espaço Rui Paranatinga Barata — Auditório do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFPA

A programação do centenário pode ser acompanhada pelo perfil @maxmartins100 no Instagram.

Agora no g1

Vídeos com as principais notícias do Pará

Leia no Itatiba1 →