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Conheça a história da Vila de Taquarussu, um refúgio de 100 anos 'escondido' em São Paulo

Conheça a história da Vila de Taquarussu, um refúgio de 100 anos 'escondido' em SP

G1 — Brasil · 2026-07-26T09:00:16.000Z

Conheça a história da Vila de Taquarussu, um refúgio de 100 anos 'escondido' em SP

Uma propriedade com mais de um século de história, que recebeu imigrantes italianos e, naquela época, se tornou um ponto estratégico no distrito rural do Quatinga, em Mogi das Cruzes: esta é a Vila de Taquarussu. Apesar do rico passado, atualmente o local é pouco conhecido até mesmo por quem mora na região do Alto Tietê.

Localizada a quase uma hora de distância do centro de Mogi, uma curiosidade geográfica chama a atenção: a vila está muito mais perto de Santo André, no ABC Paulista. Uma curta viagem de carro, de pouco mais de 15 minutos, é o suficiente para chegar ao famoso distrito de Paranapiacaba, no município vizinho.

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Quem conhece a história de Taquarussu é Marlene Begliomini. Italianos, os avós dela, Marinella e Giuseppe Begliomini, se mudaram para Mogi durante a Primeira Guerra Mundial, iniciada em 1914.

“Durante a guerra, as pessoas passavam por problemas econômicos e saíam da Itália em busca de uma vida melhor. Eu não sei quem foi o primeiro, mas alguém veio para o vilarejo, onde já moravam alguns italianos, e meu avó e minha avô, com os irmãos, vieram para tentar a vida no Brasil”, conta Marlene.

Vila de Taquarussu fica no distrito do Quatinga, em Mogi das Cruzes

A vida na 'Vila dos Italianos'

Enquanto Taquarussu era a 'Vila dos Italianos', a vizinha Paranapiacaba era a 'Vila dos Ingleses'. Uma estrada de ferro ligava as duas e servia para escoar, em trens a carvão, mercadorias para o porto de Santos.

A principal atividade era a fabricação de lenha e carvão. Com o tempo, uma bomba de diesel – que ainda está no local – foi instalada para abastecer os caminhões. A vila tinha sua própria mercearia e uma escola.

Bomba de diesel era usada no abastecimento de caminhões

"Um mascate era quem levava os produtos para a venda, que, além de encomendas, vendia ainda café, arroz, feijão e outras mercadorias básicas. Tudo era vendido em sacos de juta para os moradores. Eram quase 100 pessoas que moravam ali, tinham várias casas de madeira que com o tempo foram se deteriorando", diz Marlene.

A promessa da capela

A tradição religiosa também é forte. Uma missa é celebrada todo dia 13 de dezembro na capela da vila, dedicada a Santa Luzia. O motivo é uma promessa.

"Um primo do meu pai era ateu e começou a perder a visão. A família fez uma promessa de que, se ele voltasse a enxergar, construiria a capela", relata.

O templo, iniciado em 1912, foi finalizado em 1945 e inteiramente pintado à mão por um artista italiano.

Capela foi pintada a mão por artista italiano

Tradição e recomeço

Com a popularização dos caminhões, a ferrovia e o carvão perderam espaço. As famílias foram deixando Taquarussu em busca de novos empregos.

O pai de Marlene, Sirio Begliomini, tinha um amor especial pelo local e comprou as terras dos familiares com quem tinha sociedade. Mas a vila foi ficando cada vez mais vazia.

Atualmente, apenas um caseiro e sua família são moradores fixos. Com o local aberto, os atos de vandalismo e o uso indevido se tornaram um problema. Por isso, a família precisou cercar a propriedade.

Agora, quem quiser conhecer a história e a natureza do local, que conta com lago e cachoeira, pode visitar a Vila de Taquarussu fazendo uma reserva antecipada. É possível acampar ou até mesmo se hospedar na casa centenária que resiste ao tempo.

Visitantes podem se hospedar em casa centenária

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