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'Estou com uma deformidade': empresária teve parte do glúteo retirada por infecção após aplicação de ácido hialurônico

Empresária do RS tem infecção e passa por três cirurgias após aplicação de ácido

G1 — Brasil · 2026-09-22T12:19:43.000Z

Empresária do RS tem infecção e passa por três cirurgias após aplicação de ácido

Depois de passar por três cirurgias e ter parte do tecido dos glúteos retirada para tratar uma infecção, a empresária Patricia Coelho Fernandes, de 25 anos, afirma que passou a conviver com mudanças no corpo e com o medo de enfrentar um novo procedimento.

Patrícia apresentou o quadro após realizar um preenchimento glúteo com ácido hialurônico, em 3 de agosto, em Porto Alegre. Durante as intervenções, os médicos precisaram retirar tecido comprometido pela infecção. Segundo a empresária, uma das regiões ficou mais funda depois das cirurgias.

A extensão definitiva das alterações ainda depende da cicatrização e de avaliação médica. Mesmo diante da possibilidade de uma intervenção reparadora, Patrícia diz que ainda não sabe se terá coragem de voltar a se submeter a um procedimento.

"Eu nem sei se vou reparar isso que ficou, porque estou realmente horrorizada de passar por alguma intercorrência de novo", afirma. "Eu tenho 25 anos e estou com uma deformidade."

Patricia relata que os primeiros sintomas começaram ainda durante o procedimento. Horas depois, ela foi levada pelo marido a um hospital após desmaiar dentro de casa.

Documentos médicos anexados a um processo judicial movido por ela contra a clínica e a biomédica responsável pelo procedimento registram infecções nos dois lados dos glúteos.

“Eu falei para o meu esposo: ‘Eu estou desmaiando, me leva para o hospital’. Depois, lembro de acordar com ele me sacudindo e pedindo para eu acordar", disse. “Eu só pedia para Deus não me levar."

Antes da infecção, Patrícia já havia realizado outros procedimentos estéticos, inclusive preenchimentos na região glútea e com a mesma profissional. Ela conta que nunca havia apresentado uma complicação e que considerava a aplicação de ácido hialurônico uma intervenção simples.

"Para mim, o preenchimento era como fazer um preenchimento no rosto. Eu pensava que o risco era um lado ficar um pouco maior do que o outro e depois ser corrigido. Jamais imaginei uma infecção, uma internação e três cirurgias."

Patrícia afirma que, durante as cirurgias, os médicos explicaram que parte do tecido havia sido comprometida pela infecção e precisava ser retirada. O procedimento, chamado de debridamento, consiste na remoção de tecido morto ou danificado para ajudar no controle da infecção e na recuperação da região.

Segundo Patrícia, uma das médicas explicou que tentou preservar o máximo possível dos glúteos, mas precisou retirar uma quantidade significativa de tecido.

“Ela foi bem sincera comigo e disse que teve que tirar bastante tecido. É o lado em que eu já percebo a deformidade, porque ficou fundo para dentro.”

Depois da alta, Patrícia continua o tratamento em casa.

3 de agosto : Patricia Coelho Fernandes realiza o preenchimento glúteo com ácido hialurônico em Porto Alegre. Segundo a paciente, a dor intensa começa ainda durante a aplicação.

Madrugada de 4 de agosto: Patrícia relata tremores, suor, fraqueza e desmaios em casa. O marido a leva ao Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre.

Primeira semana de agosto: a paciente permanece internada por alguns dias no HPS. Os primeiros exames não teriam identificado necessidade de drenagem e ela recebe alta.

Dias seguintes: Patrícia relata piora da dor e do inchaço. Após uma avaliação em clínica particular, procura o Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

15 de agosto: Patrícia é internada no Hospital Moinhos de Vento, segundo a documentação médica apresentada no processo.

18 de agosto: é realizada a primeira cirurgia, com drenagem de secreção e retirada de tecido comprometido. Material coletado identifica a bactéria Enterobacter bugandensis.

27 de agosto: Patrícia passa pela segunda cirurgia, com novo procedimento nos dois lados da região glútea.

1º de setembro: é realizada a terceira cirurgia, também com intervenção bilateral e tratamento local da infecção.

2 de setembro: Patrícia recebe alta do Hospital Moinhos de Vento e a ação por danos morais e materiais contra Carolina Machado Ramos e a Boto Lips Centro Estético Ltda. é distribuída à Justiça.

O que diz a clínica

Em nota, a clínica Boto Lips Centro Estético Ltda. afirmou que utilizou ácido hialurônico regular, que mantém a documentação do produto e que adotou protocolos de assepsia e biossegurança. A empresa também alegou que Patrícia descumpriu uma orientação ao realizar bronzeamento a jato menos de 30 minutos depois de deixar a clínica.

A clínica afirmou que mantém a rastreabilidade dos produtos, com etiquetas de identificação, lote e validade registrados na documentação da paciente.

“A clínica adota protocolos rigorosos de assepsia e biossegurança, além dos cuidados de armazenamento dos produtos. A documentação referente ao procedimento e aos produtos utilizados encontra-se preservada”, diz a nota.

Segundo a empresa, Carolina Machado Ramos é biomédica habilitada em Estética, regularmente inscrita no Conselho Regional de Biomedicina da 5ª Região. A empresa sustenta que a profissional atua dentro das atribuições da habilitação.

Segundo a empresa, Patrícia havia programado um bronzeamento e foi orientada a não realizá-lo. Mesmo assim, teria feito um bronzeamento a jato em outro estabelecimento menos de 30 minutos depois de deixar a clínica.

“As orientações pós-procedimento fazem parte do cuidado e são fundamentais para a segurança e adequada evolução do paciente”, afirma a empresa. “A clínica entende que a apuração deve considerar todo o contexto do atendimento, incluindo as condutas adotadas no período pós-procedimento, sem antecipar conclusões quanto à causa da intercorrência ou à atribuição de responsabilidade.”

Já a advogada Diandra Duflot de Abreu, que representa a paciente, contestou a versão. Segundo ela, o bronzeamento foi recomendado e oferecido pela própria biomédica para amenizar as marcas roxas.

A advogada também afirmou que médicas responsáveis pelo tratamento hospitalar descartaram a possibilidade de o bronzeamento ter provocado a infecção.

Nota da Clínica:

"A Boto Lips Centro Estético Ltda. esclarece que o procedimento mencionado foi realizado com ácido hialurônico, mantendo-se a rastreabilidade dos produtos utilizados, com as respectivas etiquetas de identificação, lote e validade registradas na documentação da paciente.

A clínica adota protocolos rigorosos de assepsia e biossegurança, além dos cuidados de armazenamento dos produtos. A documentação referente ao procedimento e aos produtos utilizados encontra-se preservada.

A profissional responsável é biomédica habilitada em Estética, regularmente inscrita no Conselho Regional de Biomedicina da 5ª Região, sob o CRBM-5 nº 2007, atuando dentro das atribuições de sua habilitação profissional.

Após tomar conhecimento dos sintomas apresentados, a profissional manteve contato com a paciente e prestou o suporte e as orientações cabíveis.

Ressalta-se que as orientações pós-procedimento integram o protocolo de segurança e a adesão do paciente a essas recomendações é fundamental. No caso mencionado, a paciente foi expressamente orientada a não realizar o bronzeamento que havia programado naquele momento. Apesar da orientação, realizou bronzeamento a jato em outro estabelecimento menos de 30 minutos após deixar a clínica, fato sobre o qual existem registros.

A clínica entende que a apuração deve considerar todo o contexto do atendimento, incluindo as condutas adotadas no período pós-procedimento, sem antecipar conclusões quanto à causa da intercorrência ou à atribuição de responsabilidade.

O caso encontra-se em discussão judicial, ainda sem decisão sobre eventual responsabilidade, e os demais aspectos técnicos e documentos pertinentes serão apresentados no âmbito adequado."

Empresária do RS tem infecção e passa por três cirurgias após aplicação de ácido hialurônico no glúteo

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