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Família de jovem ferida em motanha-russa diz que parque cortou ajuda após alta
G1 — Brasil · 2026-09-22T11:56:31.000Z
Família de jovem ferida em motanha-russa diz que parque cortou ajuda após alta
O Hopi Hari informou que vai custear as despesas com os cuidados essenciais de Júlia Bossoni, de 21 anos, que sofreu traumatismo cranioencefálico após andar na montanha-russa Montezum. O pagamento será retroativo à data em que a jovem recebeu alta do hospital em Vinhedo (SP).
A decisão ocorre após a mãe da jovem afirmar que o suporte financeiro havia sido cortado depois da alta hospitalar. Em nota, o parque informou que identificou uma "lacuna" no atendimento prestado entre a saída da paciente do hospital paulista e o início da recuperação dela em Londrina (PR).
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À EPTV, afiliada da TV Globo, Danielle Rimolli disse que o Hopi Hari acionou o seguro para pagar a hospedagem dos familiares e alimentação durante os 57 dias em que Júlia ficou internada. Depois, representantes prometeram enviar ajuda financeira para custear fraldas, remédios e cadeira de rodas.
No entanto, o parque teria deixado de responder à advogada da família e o único valor pago após a alta foi de R$ 7 mil referente ao transporte de ambulância até o Paraná. A família entrou com processos cível e criminal e o caso também é investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
A direção do Hopi Hari lamentou o ocorrido com Júlia e afirmou que "tem como premissa principal a segurança e bem estar de seus usuários", e que "segue acompanhando a situação com atenção e respeito" (veja a nota completa abaixo).
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Jovem perde movimentos após andar em montanha-russa do Hopi Hari
Desaceleração brusca e 'efeito chicote': como montanha-russa pode provocar lesões neurológicas
Jovem perdeu movimentos após andar na Montezum
Segundo o laudo médico, o traumatismo foi causado por mecanismo de contragolpe durante ida na montanha-russa. "Apenas um movimento brusco de aceleração e desaceleração e rotação do crânio pode fazer a ruptura de vasos sanguíneos cerebrais", diz o neurocirurgião Victor Batistela.
Para garantir o tratamento da jovem com uma equipe de neurocirurgiões especialistas, que não atendem pelo plano de saúde, a família precisou pagar R$ 70 mil do próprio bolso. O valor foi arrecadado por meio de uma vaquinha.
A Montezum é a maior montanha-russa de madeira da América Latina. Inaugurada em 1999, cerca de de 42 metros de altura e pode alcançar uma velocidade de até 103 km/h em pouco mais de um quilômetro de extensão.
Jovem perde movimentos após andar em montanha-russa do Hopi Hari; MP investiga
Paralelamente à disputa financeira, o quadro de saúde de Júlia apresentou regressão. A jovem precisou ser internada novamente entre 4 de agosto e 5 de setembro para passar por novas cirurgias na cabeça devido a complicações.
Durante o procedimento para recolocação da calota craniana, os médicos descobriram que o couro cabeludo da jovem havia colado diretamente no cérebro, afirma Danielli. A complicação decorreu da gravidade da primeira cirurgia de emergência, feita em abril.
O procedimento cirúrgico, estimado em uma hora e meia, durou mais de cinco horas para descolar a membrana sem causar novos danos. Após apresentar acúmulo de líquido na cabeça (hidrocefalia), Júlia passou por outros procedimentos.
"Ela não está como estava antes dessas cirurgias. Regrediu. Os movimentos, a fala e as reações ficaram bem limitados. Ela fala muito baixinho e se comunica pouco", relata Danielle. A rotina da jovem agora inclui sessões diárias de fisioterapia, fonoaudiologia e eletromodulação.
Montanha-russa deixou outras vítimas
Jovem perde movimentos após andar em montanha-russa do Hopi Hari; MP investiga
Júlia não foi a primeira a sofrer um trauma ao andar na Montezum. Em 2018, aconteceu também com Nathalia Assenjo Motta. "Conforme a montanha-russa desceu e subiu para fazer a curva, o meu pescoço fez o mecanismo de chicote, deu aquele estalo. Meu corpo desligou totalmente.", relembra.
O deslocamento das vértebras foi tão grave que ela precisou colocar 12 pinos e duas hastes na região cervical. Três dias depois, a professora recuperou os movimentos do corpo, mas perdeu a mobilidade do pescoço. O Hopi Hari pagou uma indenização a Nathalia por danos materiais.
Hoje, ela ainda lida com uma rotina difícil. "Fisioterapias, hidroterapia que eu tive que pagar particular, que o plano não cobre. Eu tenho essas dores absurdas e preciso tomar remédios fortíssimos".
Márcio também foi vítima da Montezum, em 2014. Depois de andar na montanha-russa, ele ficou tetraplégico. O motoboy morreu em 2023, por complicações decorrentes de uma infecção urinária.
"Houve de fato o rompimento de duas vértebras, mas o problema neurológico que desenvolveu a tetraplegia, conforme consta do laudo, foi o movimento de chicote", diz o advogado João Erhardt.
Em uma plataforma de avaliação de consumidores, foram encontrados ao menos 40 registros feitos, nos últimos dois anos, por pessoas que alegam ter sofrido lesões ao andar na Montezum. Os relatos são de dores no pescoço, lesões no joelho e até costelas quebradas.
O que diz o Hopi Hari
"O Hopi Hari lamenta profundamente o ocorrido com Júlia Bossoni e se solidariza com ela e seus familiares neste momento. O parque que tem como premissa principal a segurança e bem estar de seus usuários, segue acompanhando a situação com atenção e respeito.
Após conversas com os familiares, o parque identificou uma lacuna, entre a saída do hospital em Vinhedo e o início da fase de recuperação em sua cidade natal. Em função disso, a direção do Hopi Hari irá custear as despesas de Júlia em seus cuidados essenciais. O pagamento será retroativo à data de alta do hospital em Vinhedo.
Em relação ao processo referente ao pagamento de indenização à família, a questão segue os trâmites naturais. Vale lembrar que, até o último dia de permanência de Julia e seus familiares em Vinhedo, todas as despesas de hospedagem, alimentação e custos para o suporte necessário à Júlia durante a internação foram honrados.
O Hopi Hari prestou atendimento imediato após o episódio, realizou os primeiros socorros no ambulatório do parque e providenciou seu encaminhamento à Santa Casa de Vinhedo. A direção acompanhou o atendimento e manteve contato com a família durante o período de permanência da visitante em Vinhedo."
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