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Na ONU, Lula diz que não vai 'terceirizar combate ao crime' em meio a divergência com EUA sobre PCC e CV

Lula fala em momento mais crítico da ONU e sentimento de 'indignação'

G1 — Brasil · 2026-09-22T14:11:15.000Z

Lula fala em momento mais crítico da ONU e sentimento de 'indignação'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, que o país não vai "terceirizar a responsabilidade" de proteger as próprias fronteiras contra o crime organizado, e reforçou a importância de combater facções criminosas e uma maior cooperação internacional na área.

"Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas", afirmou Lula. "Não vamos terceirizar a responsabilidade de proteger nossas fronteiras. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de dinheiro que abastece o crime organizado".

"Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos", disse.

"Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por crime novel brasileiro no exterior. por muito tempo, o Estado brasileiro atuaram cada um a sua maneira, o crime se aproveitou da falta de coordenação. Mas isso está mudando", destacou.

Lula fez o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nesta terça-feira (22). O Brasil é tradicionalmente o primeiro país a falar no mais importante debate diplomático global.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU, em Nova York, EUA, em 22 de setembro de 2026

O presidente citou acordos do Brasil com países vizinhos e a parceria mantida com os Estados Unidos.

A avaliação apresentada por Lula é que, como as organizações criminosas atuam além das fronteiras nacionais, o enfrentamento também precisa envolver os diferentes países, com troca de informações, compartilhamento de inteligência e atuação conjunta das forças de segurança.

Agora no g1

🌎 A Assembleia Geral da ONU é o principal evento das Nações Unidas e acontece anualmente em Nova York. Durante a assembleia, líderes dos 193 países membros da ONU discursam.

🗨️ O Brasil é tradicionalmente o responsável pelo discurso de abertura do debate de líderes na ONU, que está em sua 81ª edição.

🔎Cada país tem o direito de fazer um discurso para apresentar seu ponto de vista sobre o tema do encontro e a situação global. O tema deste ano é "Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas".

Debate sobre PCC e CV

O tema ganhou peso na relação entre Brasil e Estados Unidos. O governo Donald Trump tem afirmado que o governo brasileiro falhou no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).

Os Estados Unidos passaram a tratar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.

O governo brasileiro contesta esse enquadramento, embora defenda o endurecimento das ações contra as facções, com retomada de comunidades sob domínio do crime, reforço de segurança e fiscalização nas fronteiras e maior integração entre as forças de segurança.

Para o governo brasileiro, PCC e Comando Vermelho são organizações criminosas voltadas sobretudo à obtenção de lucro por meio de atividades como tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e controle de regiões, mas não grupos que se enquadram na definição de terrorismo prevista na legislação brasileira.

🔎A Lei Antiterrorismo brasileira considera terrorismo a prática de determinados atos por razões como xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, com a finalidade de provocar terror social ou generalizado.

É com base nessa diferença de motivação que o governo sustenta que as facções devem ser combatidas como organizações criminosas, e não enquadradas como grupos terroristas.

Ministério da Segurança Pública

O tema também tem aparecido nos discursos de campanha de Lula no Brasil. O presidente defende a criação de um Ministério da Segurança Pública e a aprovação da PEC da Segurança, proposta que amplia a participação da União no enfrentamento ao crime e busca aumentar a integração com estados e municípios.

A PEC também prevê mudanças nas atribuições das forças federais, com ampliação da atuação da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no início deste mês, mas ainda precisa ser analisada pelo plenário da Casa para começar a valer.

Lula discursa na ONU

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