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Em discurso na ONU, Lula defende soberania, combate ao crime organizado, regulação de big techs e critica o 'tarifaço'

Não precisamos de porta-aviões, mas de cooperação, diz Lula sobre o crime organizado

G1 — Política · 2026-09-22T14:25:43.000Z

Não precisamos de porta-aviões, mas de cooperação, diz Lula sobre o crime organizado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos, no discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU.

Em sua manifestação, o petista também afirmou que não pretende "terceirizar o combate ao crime organizado no país", em meio aos embates com os Estados Unidos sobre a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas internacionais.

Ele também defendeu a regulação das big techs e do uso de Inteligência Artificial (IA), condenou o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e criticou a liberação das 'bets' que, segundo ele, aumentam o endividamento e destroçam famílias.

🌎 A Assembleia Geral da ONU é o principal evento das Nações Unidas e acontece anualmente em Nova York. Durante a assembleia, líderes dos 193 países membros da ONU discursam.

🗨️ O Brasil é tradicionalmente o responsável pelo discurso de abertura do debate de líderes na ONU, que está em sua 81ª edição.

🔎Cada país tem o direito de fazer um discurso para apresentar seu ponto de vista sobre o tema do encontro e a situação global. O tema deste ano é "Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas".

Veja o discurso ponto a ponto (clique para seguir o conteúdo):

Defesa da soberania

Combate ao crime organizado

Críticas a big techs, bets e defesa do PIX

Reforma do Conselho de Segurança da ONU

Críticas ao tarifaço

'Brasil não cabe no quintal de ninguém'

"Este Conselho [de Segurança da ONU] agora deve se debruçar sobre temas determinantes sobre o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre o multilateralismo e o unilateralismo. Soberania ou subordinação?", afirmou Lula.

Segundo Lula, o Brasil "não cabe no quintal de ninguém" e precisa de parceiros com agenda positiva, que fomente o desenvolvimento.

"Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para maior integração entre vizinhos. A democracia está novamente em cheque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais", prosseguiu.

Combate ao crime organizado

"O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades", afirmou.

Ele citou os desafios enfrentados por cidadãos no país diante do avanço das facções criminosas. "Trabalhadores são roubados. Mães perdem seus filhos. Policiais não voltam para suas casas As pessoas estão cansadas da violência".

"Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime", prosseguiu.

Lula então citou a proposta apresentada ao presidente Donald Trump. "Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao Presidente dos Estados Unidos. Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior".

Críticas a big techs, bets e defesa do PIX

"Vivemos uma revolução tecnológica sem precedentes, com grandes riscos e oportunidades. Um punhado de tecno-oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital, sem regras nem transparência", disse.

Em seu discurso, o petista condenou atitudes de grandes empresas que agem sem responsabilidade sobre os impactos causados aos usuários. "Empresas que conhecem os riscos de seus produtos transferem para as famílias a impossível tarefa de enfrentar os algoritmos".

Também reiterou as críticas que tem feito à indústria das bets: "A indústria bilionária das bets transforma o vício em lucro. Sua disseminação vertiginosa está endividando e destruindo lares.O Brasil não vai tolerar esse modelo de negócio".

O presidente também aproveitou a ocasião para defender, no maior fórum de debate internacional do mundo, o PIX.

"Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros".

Reforma do Conselho de Segurança da ONU

Lula iniciou o discurso falando sobre o marco de abrir os debates pela décima vez. "Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas".

"O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa", criticou.

Ele prosseguiu: "Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel".

Críticas ao 'tarifaço' e fim da escala 6x1

"Somos o terceiro maior destino de investimento estrangeiro direto. Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações. Ainda há muito a ser feito. O mundo do trabalho está em transformação", destacou.

No pronunciamento, o petista também falou sobre o fim da escala 6 por 1, um dos principais motes de campanha.

"O trabalhador precisa de tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família. No Brasil, concretizar esse objetivo passa pelo fim da chamada escala 6x1 para garantir ao trabalhador 2 dias livres por semana. Essa mudança é fundamental para aliviar a sobrecarga doméstica que ainda recai sobre as mulheres".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dedicou o trecho final do discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira (22) para falar sobre o processo eleitoral brasileiro. Durante pronunciamento em Nova York, o petista disse que os brasileiros vão escolher, no dia 4 de outubro, entre a "democracia" e o "negacionismo".

O candidato do PT à reeleição também defendeu a soberania e o sistema eleitoral do Brasil. E disse que o país não permitirá interferências externas no processo de escolha do próximo governante.

"Somos chamados a optar entre: multilateralismo ou unilateralismo; democracia ou extremismo; soberania ou subordinação.Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos. Isso é o que se espera de um Estadista".

- Esta reportagem está em atualização.

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