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Aos 100 anos, avó que ama forró e mora sozinha inspira gerações no interior de SP

Avó que ama forró e mora sozinha inspira gerações no interior de SP

G1 — Brasil · 2026-07-26T11:00:40.000Z

Avó que ama forró e mora sozinha inspira gerações no interior de SP

O cheiro de café passado na hora. Os quadros pendurados na parede, cheios de memórias, colecionam imagens de entes falecidos, filhos e netos. As mãos enrugadas de quem vive no ambiente no qual o tempo reforça estar presente e cada segundo se torna ainda mais especial.

No Dia dos Avós, celebrado neste domingo (26), a centenária Otília Soares de Lima esbanja vitalidade, independência e alegria em Martinópolis (SP). Aos 100 anos, a matriarca mora sozinha, preserva o hábito de ir ao forró e faz questão de manter a autonomia no dia a dia.

Embora tenha a companhia de uma cuidadora no período noturno, Otília recebe visitas diárias do neto, o pedagogo e bacharel em Direito Marcelo Alexandre Silva. O neto optou por permanecer na cidade para acompanhar a rotina da avó.

“Eu amo a minha família, eu gosto dos meus. Meus pais moram em Rio Claro, pertinho de Piracicaba, e a minha avó ficou. Eu fiquei com ela, ‘o neto criado com vó’ e, para mim, é um privilégio estar com ela. Eu aproveito todos os dias”, descreve Marcelo.

Nascida em Urandi, no interior da Bahia, Otília emigrou para o estado de São Paulo há mais de oito décadas. Ela trabalhou em lavouras e fazendas da região de Martinópolis, município que possui 87 anos de emancipação e é mais novo que a própria moradora.

Vó centenária de Martinópolis (SP), dona Otília Soares de Lima

Marcelo Alexandre Silva/Arquivo pessoal

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‘Abraço que acolhe’

Com cinco gerações vivas, a matriarca tem 10 filhos, 26 netos, 44 bisnetos e 1 tataraneta. Marcelo relembra a trajetória da avó, que nasceu em Urandi, no interior da Bahia, e se mudou ainda jovem para SP, onde mora há mais de 80 anos.

Mulher preta e analfabeta, trabalhou no campo para garantir o sustento da família e a formação dos descendentes, o que é motivo de orgulho para Marcelo.

"Sou pós-graduado, mas nunca esqueço minhas raízes. Minha avó é uma mulher sábia, com um abraço que acolhe e uma gargalhada que se ouve longe. Ser neto dela é uma honra", destaca.

Vó centenária de Martinópolis (SP), dona Otília Soares de Lima

Marcelo Alexandre Silva/Arquivo pessoal

Segredo da longevidade

A receita para manter a saúde aos 100 anos combina atividade física constante e convívio social. Dançarina de forró desde os 15 anos, Otília garante que o segredo para não "travar o corpo" é continuar em movimento.

“Eu danço a música inteirinha. As pernas melhoram, porque se a gente fica parada, travam. Se fica deitada muito tempo, na hora de levantar elas não respondem. Só dei uma pausada no forró nos últimos meses por causa do frio”, diverte-se a idosa.

Mesmo durante reuniões de família, a aposentada faz questão de ter tarefas e recusar o excesso de mimos. "Ela quer pôr a mão na massa do jeito dela, pegar a vassoura e se sentir útil", explica o neto.

Para as novas gerações, a centenária deixa uma lição simples de vida: “Se divirta bastante e tenha bastante amizade. Eu estou velha, mas tenho amigos”.

Com mais tempo de passado do que terá de futuro ao lado da avó, Marcelo afirma que o importante mesmo é o presente. “Quando ela se for, eu me preocupo lá na frente. Hoje, eu me preocupo com ela viva."

Vó centenária de Martinópolis (SP), dona Otília Soares de Lima

Marcelo Alexandre Silva/Arquivo pessoal

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