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Ilustração mostra plesiossauros se alimentando no fundo do mar. Imagem teve auxílio de inteligência artificial.
G1 — Brasil · 2026-09-23T08:00:27.000Z
Ilustração mostra plesiossauros se alimentando no fundo do mar. Imagem teve auxílio de inteligência artificial.
Lente Artemieff/CC BY
Répteis marinhos que viveram há mais de 160 milhões de anos podem ter nadado até regiões mais rasas, próximas à costa, para vomitar conchas e outras partes de presas que não conseguiam digerir.
A hipótese aparece em um estudo publicado na revista científica "Geological Magazine", que analisou mais de 20 blocos de vômito fossilizado encontrados em sedimentos do período Jurássico, a cerca de 50 quilômetros da costa da Noruega.
Os blocos variavam aproximadamente do tamanho de uma noz ao de uma manga e continham restos de animais marinhos com partes duras, como conchas de moluscos, estruturas produzidas por vermes e fragmentos de outros invertebrados.
Mas o que chamou a atenção do paleontólogo Dirk Knaust, autor do estudo, foi o local onde esse material apareceu.
As presas encontradas nos fósseis viviam em ambientes marinhos com níveis relativamente estáveis de sal. Os blocos, porém, foram preservados em uma região que, no Jurássico, era um delta de rio, onde a entrada constante de água doce provocaria grandes mudanças na salinidade.
Isso levou o pesquisador a propor que os animais se alimentavam em águas mais profundas e depois se aproximavam da costa, onde eliminavam pela boca as partes duras das refeições.
“É a primeira vez que vômito de plesiossauro e os moluscos presentes nele são identificados, e essas criaturas podem nos contar muita coisa”, afirmou Knaust.
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Os principais suspeitos são os plesiossauros, grandes répteis marinhos que viveram na mesma época dos dinossauros. Algumas espécies tinham pescoço longo, corpo largo e quatro grandes nadadeiras.
Segundo estudos anteriores sobre sua anatomia, esses animais provavelmente procuravam alimento no fundo do mar. Seus dentes, porém, não seriam adequados para triturar conchas e outras estruturas duras.
A hipótese é que esse material permanecia no estômago, era compactado e depois regurgitado em blocos, de forma semelhante ao que ocorre atualmente com algumas aves, que eliminam pela boca partes de suas presas que não conseguem digerir.
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Como os cientistas chegaram aos plesiossauros
Knaust comparou os fósseis com o que se conhece sobre vários animais que viviam nos mares do Jurássico.
Peixes produziriam blocos pequenos demais. Tubarões e crocodilos também foram considerados, mas costumavam se alimentar principalmente de peixes — e os pesquisadores não encontraram restos de esqueletos de peixes nos blocos analisados.
O tamanho do material e a mistura de restos de animais encontrados dentro dele se encaixaram melhor no perfil alimentar dos plesiossauros.
O grupo apontado como o candidato mais provável tinha animais de cerca de 4 a 8 metros de comprimento.
Knaust considera possível ainda que esses répteis se aproximassem da costa depois da caça para descansar e aproveitassem esse momento para regurgitar.
“Plesiossauros podem ter chegado perto da costa para relaxar ou dormir depois de caçar, e provavelmente era nesse momento que vomitavam”, disse.
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Imagem de amostra de rocha mostra areia de um antigo delta, com cerca de 160 milhões de anos, e um aglomerado de conchas e restos de plantas interpretado como vômito de plesiossauro.
Dirk Knaust/CC BY
O pesquisador compara o comportamento ao observado hoje em focas e crocodilos marinhos. A diferença é que os plesiossauros provavelmente permaneciam dentro da água, devido ao tamanho e ao formato do corpo.
Os cientistas também precisaram separar os possíveis vômitos de fezes fossilizadas, conhecidas como coprólitos. Os blocos considerados regurgitados tinham mais restos de alimento não digerido, formato irregular e uma composição mineral diferente.
A preservação desse material por milhões de anos também foi rara. Segundo o estudo, os blocos teriam sido compactados e envolvidos por muco antes de serem expelidos.
Boa parte provavelmente foi destruída por ondas e marés. Os exemplares que sobreviveram teriam sido rapidamente cobertos por sedimentos levados pelos rios ou preservados em buracos deixados por crustáceos no fundo do mar.
Para Knaust, esse tipo de fóssil pode ajudar a reconstruir não apenas o que animais extintos comiam, mas também como se comportavam depois das refeições.
“Ainda estamos só no começo. Há muito mais que podemos aprender examinando o que animais extintos vomitavam depois do jantar”, acrescentou.
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