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Na ONU, Lula trata de soberania e critica interferências externas em processos eleitorais
G1 — Brasil · 2026-09-23T12:05:21.000Z
Na ONU, Lula trata de soberania e critica interferências externas em processos eleitorais
Jornal Nacional/ Reprodução
O grupo Parceiros pelo Multilateralismo, do qual o Brasil faz parte, emitiu um comunicado à comunidade internacional no qual defendeu a soberania dos países e a integridade territorial e se manifestou de forma contrária sobre ameaças e uso da força entre países.
O comunicado foi divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) no contexto do debate geral da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que acontece nesta semana em Nova York (EUA).
Além do Brasil, integram o grupo a União Europeia, o Canadá, a Índia e a Austrália, além de outros países.
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Nesta terça, ao discursar na assembleia da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a soberania do Brasil e o processo eleitoral.
Ele acresscentou que o país não cabe no “quintal” de ninguém, em uma referência a ações americanas na região que o governo considera como tentativas de interferência no processo eleitoral.
“Sustentamos a necessidade de defender e fazer cumprir as normas, os princípios e os compromissos que seguem essenciais à ordem internacional e, ao mesmo tempo, renovar e reformar o sistema multilateral, de modo a torná-lo mais eficaz, representativo, inclusivo e adequado a seus propósitos", diz o documento do grupo.
O texto prossegue: "Reafirmamos nosso compromisso com o direito internacional e com os princípios da igualdade soberana, da integridade territorial, da solução pacífica de controvérsias e da proibição da ameaça ou do uso da força".
Discurso na ONU
Conforme auxiliares de Lula, ao fazer menção à soberania brasileira no discurso na ONU, sem citar o nome do presidente Donald Trump, o petista conseguiu dar um recado à comunidade internacional de que não aceitará ingerência externa no processo eleitoral, classificado por Lula como “moderno e robusto”.
Entre outros pontos, o governo brasileiro vê como tentativas de ingerência americana:
o tarifaço sobre produtos brasileiros;
a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas;
a indicação de um político de direita, e não de um diplomata, para o cargo de embaixador no Brasil.
Para além do cenário no Brasil, diplomatas dizem que ações americanas na região também têm representado violação da soberania interna dos países, como:
ação militar americana em Caracas que resultou na prisão do então presidente da Venezuela Nicolás Maduro;
ação militar aérea americana que atingiu embarcações na costa da Colômbia;
declarações de Trump de que Cuba “é a próxima” quando questionado sobre ações militares americanas no Irã.
Em outro trecho do comunicado, o grupo internacional afirma defender o chamado multilateralismo porque é “indispensável” perseguir os princípios da ONU, entre os quais a paz, a descolonização e a dignidade, num cenário em que causa preocupação a “crescente polarização”.
O grupo acrescenta, então, que é necessário os países cumprirem o direito internacional — diversos países têm criticado o governo de Israel nesse sentido, afirmando que a gestão de Benjamin Netanyahu fere os princípios internacionais em suas ações militares em Gaza.
“Nos preocupam a crescente polarização, a disseminação de conflitos, as violações do direito internacional e o recurso cada vez mais frequente à política do poder, ao protecionismo, à coerção e à ameaça ou ao uso da força", afirma o grupo.
"Essas tendências representam ameaça à paz e à segurança internacionais e prejudicam a cooperação global precisamente no momento em que ela se faz mais necessária do que nunca”, conclui o texto.