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Seu Jorge e Trio Mocotó ajudam Paulo Ricardo a encarar Marvin Gaye em 'Sangue bom', versão de 'What's going on'

Capa do single 'Sangue bom', de Paulo Ricardo com Seu Jorge

G1 — Brasil · 2026-09-23T13:10:45.000Z

Capa do single 'Sangue bom', de Paulo Ricardo com Seu Jorge

Arte de Speto

♫ CRÍTICA DE SINGLE

Título: Sangue bom

Artista: Paulo Ricardo e Seu Jorge

Cotação: ★ ★ ★ 1/2

♬ Pedra fundamental da soul music dos anos 1970, o álbum “What’s going on” se tornou marco instantâneo da discografia do cantor e compositor norte-americano Marvin Gaye (2 de abril de 1939 – 1º de abril de 1984), ao ser lançado em maio de 1971, por captar as tensões sociais dos Estados Unidos.

Antes mesmo do álbum, a música-título “What’s going on” fez barulho ao ser apresentada em 10 de janeiro de 1971 em single que antecedeu o LP. Parceria de Gaye com Al Cleveland (1930 – 1996) e Renaldo Obie Benson (1936 – 2005), a música “What’s going on” se tornou um hino contra a Guerra do Vietnã e contra o preconceito racial em ebulição nos EUA. Com uma música, Gaye traduziu todo o estado de ansiedade, fervura e inquietação de um país.

É essa música, repleta de consciência social, que ressurge 55 anos após o lançamento na voz de Paulo Ricardo em versão em português intitulada “Sangue bom” e lançada em single hoje, quarta-feira, 23 de setembro, dia em que o cantor, compositor e músico carioca faz 64 anos.

Avalizada e autorizada pelos herdeiros de Marvin Gaye, a letra em português de Paulo Ricardo aborda a violência contra mulheres e crianças, em tempos de intolerância e radicalismo, e consegue captar um pouco do sentimento dos versos originais de “What’s going on”, sem ser uma tradução.

Embora seja cantor identificado com o universo do pop rock no imaginário nacional por ter sido projetado como vocalista da banda RPM nos anos 1980, sem ter tradição no canto do soul, Paulo Ricardo se cercou de artistas que transitam pelo universo do soul à moda brasileira.

A simples presença de Seu Jorge – cuja voz aveludada carrega toda uma ancestralidade afro-brasileira – contribui para conferir certa legitimidade ao single editado por Paulo Ricardo com capa que expõe obra criada por Speto, artista visual ligado ao grafite e à cultura urbana.

Seu Jorge é grande cantor associado ao samba-rock, gênero formatado pelo Trio Mocotó na virada dos anos 1960 para a década de 1970. Dois ritmistas do Trio Mocotó, João Parahyba (timbales) e Nereu Gargalo (pandeiro), foram arregimentados para a gravação de “Sangue bom”, feita com produção musical do guitarrista Waldo Denuzzo.

A sonoridade do single é calorosa, mas o groove da gravação poderia ter ficado mais evidenciado na mixagem, já que a intenção foi trazer o standard de Marvin Gaye para o universo rítmico brasileiro.

De toda forma, “Sangue bom” sobressai entre os recentes lançamentos fonográficos de Paulo Ricardo com apuro perceptível já na capa do single. Seu Jorge e os músicos do Trio Mocotó ajudaram o cantor a encarar o hino de Marvin Gaye em gravação bem produzida que consegue escapar do risco da diluição.

Paulo Ricardo (à esquerda) canta com Seu Jorge uma inédita versão em português da música mais famosa de Marvin Gaye (1939 –1984)

Bella Pinheiro / Divulgação

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