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Cantor Alexandre Pires é alvo em operação da PF
G1 — Brasil · 2026-09-23T20:32:07.000Z
Cantor Alexandre Pires é alvo em operação da PF
Dois endereços em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, ligados ao cantor Alexandre Pires, foram alvos de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (23).
O compositor foi um dos alvos da segunda fase da Operação Disco de Ouro que investiga a atuação de uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. O grupo é suspeito de vender cassiterita extraída ilegalmente da Terra Indígena Yanomami, em Roraima.
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Procurada pelo g1, assessoria jurídica de Alexandre Pires disse que a relação mantida entre o cantor e Matheus Possebon esteve restrita à intermediação da venda de shows do artista à época, e que não houve qualquer relação jurídica ou comercial entre os dois. Veja a nota na íntegra no final da matéria.
Os empresários Diego Possebon e Matheus Possebon também foram alvos da PF. A ação cumpre 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens judiciais para o sequestro de bens e valores, expedidos pela 4ª Vara da Justiça Federal em Boa Vista. Não há mandados de prisão.
A reportagem tenta localizar a defesa dos demais citados.
Mandados foram cumpridos em residência e escritório
Casa ligada à Alexandre Pires fica no bairro Jardim Karaíba e foi alvo de buscas da PF
Google Street View/Reprodução
A ordem dos mandados de busca e apreensão foi expedida pela Justiça Federal para ser cumprida em dois locais:
uma residência localizada na rua Atiaia, no bairro Jardim Karaíba
um escritório localizado na avenida Francisco Ribeiro, no bairro Santa Mônica
Segundo informações do mandado, a casa pertence à Alexandre Pires. Já no caso do escritório, o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), indicado na ordem judicial, é da empresa A. P. N. Serviços Ltda., do ramo de produção musical, de propriedade do cantor, mas com sede na avenida Rondon Pacheco, local diferente do endereço indicado para o cumprimento do mandado, onde está localizado um escritório de contabilidade.
O g1 contatou o responsável pelo escritório de assessoria contábil. Segundo o proprietário, "no passado esta empresa trabalhou pra ele, o Pires. Já não somos mais prestadores. Mas como éramos contadores externos, não sabemos sobre questões administrativas do cliente. Mas claro, iremos atender a PF sim".
A reportagem questionou sobre o endereço da contabilidade estar ligado ao CNPJ da empresa de Alexandre Pires, e o dono respondeu que não saberia responder o motivo e ressaltou que o escritório já não presta serviço contábil para ele [Alexandre Pires] há tempos.
A PF informou que os mandados solicitavam o recolhimento de mídias, documentos e bens, mas não detalhou quais materiais foram apreendidos nos dois locais.
Alexandre Pires já havia sido alvo da PF por suspeita de lavagem de dinheiro de garimpo ilegal em 2023
O que liga Alexandre Pires à investigação, segundo a PF
Cantor é investigado pela operação da PF desde 2023
O cantor e a empresa dele, a APN Serviços Ltda (produtora musical) são investigados de terem sido utilizados para fracionar, ocultar e dissimular valores obtidos com a fraude envolvendo a venda da cassiterita.
🔎 A cassiterita é o principal minério utilizado na produção de estanho, metal empregado na fabricação de diversos produtos, como latas de alimentos, peças automotivas, vidros e equipamentos eletrônicos, incluindo celulares e computadores. Por ter alto valor de mercado e grande demanda da indústria, a cassiterita é frequentemente alvo de exploração ilegal.
Alexandre Pires era empresariado por Matheus Possebon, irmão de Diego Possebon, apontado como operador central e líder da organização criminosa, segundo a investigação da PF. Alexandre Pires e a empresa dele foram incluídos no Núcleo Financeiro do grupo investigado.
A PF identificou R$ 31.035.050,00 em pagamentos feitos por três empresas investigadas no esquema para a empresa e para o próprio cantor. Veja a distribuição valores, segundo a investigação:
R$ 21.250.000,00 pagos pela Metalsur diretamente a Alexandre Pires.
R$ 5.351.000,00 pagos pela Metalsur à A. P. N. Serviços Ltda., empresa ligada a Alexandre Pires.
A Metalsur é do empresário Antônio Carlos Flores Mendes. A empresa é gerida pelo filho dele, Vinícius Mendes, amigo pessoal da família Possebon.
R$ 1,9 milhão pagos pela empresa Global Soluções à A. P. N. Serviços Ltda; e
R$ 2.534.050,00 pagos pela empresa americana Empire Strong à A. P. N. Serviços Ltda.
As duas firmas são controladas por duas empresárias. Foram elas que, após a primeira fase da operação, perceberam que tinham movimentado dinheiro para pessoas ligadas a um esquema de extração ilegal de minério e denunciaram à PF. Empire tem sede em Miami, nos Estados Unidos, e a Global, no Brasil.
Na investigação, as duas são citadas como “colaboradoras premiadas”. Elas também são apontadas como “doleiras” por receber dólares no exterior, pagos por compradores de minério, e fazer pagamentos equivalentes em reais, no Brasil, para contas indicadas pelos líderes do grupo, Christian Costa dos Santos e Diego Possebon. Dessa forma, o dinheiro não precisava atravessar fisicamente as fronteiras.
Além disso, as duas foram contratadas pelo advogado de Diego para fazer operações de câmbio para o grupo.
Ao denunciarem o esquema para a PF, elas fizeram um acordo de colaboração. Em troca dos benefícios previstos, entregaram documentos bancários, planilhas e conversas que ajudaram os investigadores a rastrear o caminho do dinheiro e identificar outros envolvidos.
Como funcionava o esquema
O grupo criminoso atuava na extração e comercialização ilegal de cassiterita, também conhecida como "ouro negro", retirada da Terra Indígena Yanomami. Segundo a investigação, os integrantes usavam licenças de lavra garimpeira de Itaituba (PA) para simular que o minério tinha origem legal.
Em operações em Roraima, a Polícia Federal apreendeu mais de 100 toneladas de cassiterita ilegal e cerca de 1 kg de ouro na sede da empresa Betser, de propriedade de Christian Costa dos Santos, apontado como um dos líderes do grupo investigado. Com a apreensão da mercadoria, o grupo liderado por Diego Possebon ficou sem minério para cumprir um contrato internacional com uma empresa suíça.
Para continuar recebendo os pagamentos antecipados, segundo a investigação, o grupo montou uma encenação em armazéns de Manaus (AM) e enviou areia e pó de brita com laudos químicos falsificados. A fraude causou um prejuízo estimado US$ 48 milhões.
Segundo a investigação, o esquema também enviava o dinheiro para o exterior e redistribuía no Brasil por meio de operações de dólar-cabo e contratos fictícios. O dinheiro era distribuído entre contas de familiares, empresas de fachada, conhecidos e intermediários sem vínculo com o setor minerário.
Operação Disco de Ouro
A investigação é um desdobramento da primeira fase da Operação Disco de Ouro, de 2023, que apura crimes relacionados à comercialização e à exportação de minério. A operação também investiga o uso de documentos falsos para dar aparência de regularidade a determinadas transações.
Os investigados poderão responder, de acordo com a participação de cada um, por lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica, operação irregular de instituição financeira e outros crimes que sejam identificados durante as investigações.
O que diz a defesa de Alexandre Pires
"A defesa do cantor Alexandre Pires vem a público esclarecer que a relação profissional mantida com o empresário Matheus Possebon esteve restrita à intermediação da venda de shows do artista à época.
Não houve qualquer outra relação jurídica ou comercial entre Alexandre Pires e Matheus Possebon além daquela diretamente ligada à atividade artística do cantor.
Eventuais fatos investigados pela Polícia Federal que estejam fora desse contexto dizem respeito exclusivamente a atos atribuídos ao citado empresário, praticados fora de sua atuação como intermediador na venda de shows de Alexandre Pires.
O cantor segue com tranquilidade sua vida pessoal e profissional, confiante no esclarecimento dos fatos e certo de que a verdade será devidamente demonstrada."
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