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Condenada pela morte de jovem queimada em Franca, SP, perde o semiaberto após suspeita de ameaçar assistente social

Lauany Viodres do Prado é acusada da morte da comerciante Núbia Ribeiro, em Franca, SP

G1 — Brasil · 2026-09-23T20:30:25.000Z

Lauany Viodres do Prado é acusada da morte da comerciante Núbia Ribeiro, em Franca, SP

A Justiça transferiu de forma provisória para o regime fechado a mulher condenada pela morte da comerciante Núbia Ribeiro, queimada viva em Franca (SP) em 2017. A decisão foi tomada depois que uma assistente social da Penitenciária Feminina de Ribeirão Preto (SP) registrou boletim de ocorrência por ameaça contra a detenta.

Lauany Viodres do Prado, de 29 anos, cumpria pena no regime semiaberto desde 2023. Em agosto, ela teve negado o pedido para passar ao regime aberto, com base em um laudo assinado pela mesma assistente social.

Na decisão, de 4 de setembro, o juiz Hélio Benedini Ravagnani, do Departamento Estadual de Execução Criminal (Deecrim) de Ribeirão Preto, afirma que ela teria cometido, em tese, falta disciplinar grave. A regressão definitiva só será decidida depois que Lauany for ouvida e a penitenciária concluir a apuração. Cabe recurso.

O g1 tentou contato com o advogado de Lauany por telefone e mensagens, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.

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Segundo o boletim de ocorrência, o episódio foi em 3 de setembro, na ala do semiaberto da penitenciária.

A assistente social relata que Lauany já havia questionado a negativa do laudo em outra ocasião. Por isso, foi atendê-la acompanhada do chefe de plantão.

De acordo com a servidora, Lauany propôs que as duas se encontrassem fora da unidade, durante a saída temporária, com a mãe dela, para que a assistente social explicasse o parecer. Ainda segundo o registro, a detenta disse querer "conversar lá fora, na rua".

A servidora afirma que se sentiu ameaçada. No dia seguinte, Lauany foi levada para uma cela disciplinar, e a penitenciária abriu procedimento para apurar o caso.

O boletim de ocorrência foi encaminhado ao 6º Distrito Policial de Ribeirão Preto.

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Regime aberto negado

Lauany atingiu o tempo mínimo de pena para pedir o regime aberto em 2025. Para analisar o pedido, a Justiça determinou um exame criminológico, com avaliações de um psicólogo e de uma assistente social da penitenciária.

O relatório social, feito a partir de uma única entrevista, apontou contradições no relato dela sobre o crime, pouca autocrítica e ausência de manifestações de arrependimento. Já o relatório psicológico registrou capacidade de autocrítica preservada, mas apontou que ela tende a atribuir parte da responsabilidade a terceiros.

A comissão técnica da penitenciária se manifestou a favor da progressão. O Ministério Público foi contra, e o juiz negou o pedido em 18 de agosto.

A defesa recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O recurso ainda não havia sido julgado até a última movimentação do processo consultada pelo g1.

Em abril, Lauany já havia sido transferida provisoriamente para o regime fechado após uma denúncia anônima. Ela foi absolvida no procedimento disciplinar e voltou ao semiaberto em julho.

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Relembre o caso

Núbia Ribeiro, de 21 anos, desapareceu em Franca em 24 de setembro de 2017. O corpo foi encontrado dois dias depois na zona rural de Patrocínio Paulista (SP). Segundo a Polícia Civil, ela sofreu traumatismo craniano e teve o corpo parcialmente queimado quando ainda estava viva.

De acordo com o Ministério Público, o crime foi planejado por Lauany depois que ela descobriu que o namorado, Leonardo Gonçalves Cantieri, havia tido um breve relacionamento com a vítima.

Em 2020, Lauany e Leonardo foram condenados por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Ítalo Vinícius Neves, amigo do casal, foi condenado por homicídio simples. As penas foram aumentadas depois, em recurso do Ministério Público.

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