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Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) durante a propaganda eleitoral na TV nesta terça-feira (15).
G1 — Política · 2026-09-23T21:49:33.000Z
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) durante a propaganda eleitoral na TV nesta terça-feira (15).
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que apure a conduta do presidente Lula (PT) por suposta relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A petição foi apresentada nesta quarta-feira (23) ao ministro André Mendonça.
Segundo a notícia-crime apresentada pela defesa de Flávio Bolsonaro, mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro indicam tentativas de aproximá-lo do presidente e de autoridades do governo federal.
No documento, a defesa de Flávio pede que os fatos sejam encaminhados ao procurador-geral da República e que seja instaurado um inquérito para apurar condutas que, segundo a peça, podem configurar, em tese, os crimes de corrupção passiva e advocacia administrativa.
“Em razão disso, com base nas mensagens recentemente divulgadas pela mídia, é possível concluir, ao menos em tese, que o Presidente Lula teria utilizado de seu cargo de Presidente da República como forma de atender interesses ilícitos de Daniel Vorcaro junto ao Governo Federal, inclusive mediante o recebimento de vantagem indevida (presentes)”, diz o documento.
Procurada pelo g1, a defesa do presidente Lula ainda não se pronunciou sobre a notícia-crime apresentada por Flávio Bolsonaro.
De acordo com reportagem do jornal O Globo, o advogado de Vorcaro, Walfrido Warde, afirmou que o banqueiro presenteou o presidente Lula com um whisky, pelo qual o petista teria agradecido, e que, um mês após um encontro no Palácio do Planalto, o presidente teria mandado "um abraço". O Planalto enviou nota negando as alegações, declarando que não recebeu nenhum presente nem enviou qualquer recado ao proprietário do Banco Master.
Lula e Vorcaro se encontraram em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. O encontro não constou da agenda oficial e foi intermediado pelo ex-ministro Guido Mantega. A reunião entre Lula e Vorcaro foi citada por Flávio Bolsonaro durante entrevista ao Jornal Nacional, após o senador ser questionado sobre os seus encontros com o banqueiro.
O candidato afirmou que sua relação com Vorcaro era privada, negou ter oferecido qualquer favorecimento e direcionou as críticas ao presidente Lula.
“O que não é adequado é um presidente da República recebendo, em uma reunião secreta, um banqueiro, prometendo ajudá-lo a resolver o problema do seu banco. Então, fica a pergunta aqui: quem deve explicações é o Lula”, afirmou na entrevista.
Sobre esse encontro com Vorcaro, ocorrido no fim de 2024, Lula afirmou em fevereiro de 2026 que recebeu o então banqueiro a pedido, em compromisso sem registro na agenda oficial do Palácio do Planalto. Segundo o presidente, o ex-ministro Guido Mantega foi quem levou Vorcaro para vê-lo.
"Ele então me contou da perseguição que estava sofrendo, que tinha gente interessado em derrubar ele, não sei das quantas...", disse Lula. "O que eu disse pra ele: 'não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica, feita pelo Banco Central'. Foi essa a conversa", afirmou.