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Escudo das Américas: quais facções são alvos de sanções de aliança de Trump com governos do continente

Trump pede ações contra grupos narcoterroristas na América Latina

G1 — Brasil · 2026-09-24T04:00:00.000Z

Trump pede ações contra grupos narcoterroristas na América Latina

Os membros do Escudo das Américas assinaram na última terça-feira (22) um acordo para designar formalmente as facções narcotraficantes como "ameaças compartilhadas" e torná-las alvos de sanções. As facções brasileiras PCC e CV estão entre os 24 grupos citados como alvos da proposta.

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Só participam do grupo governos ideologicamente alinhados ao governo Trump. O Brasil, por exemplo, não foi convidado para a reunião de fundação do Escudo, bem como o México e a Venezuela. Organizações criminosas desses três países constam na lista divulgada.

Especialistas apontam a criação da aliança como um reflexo da a "Doutrina Donroe", projeto do governo Trump de manter os países da América sob a zona de influência dos EUA.

A lista do Escudo das Américas inclui dois grupos surgidos nos próprios EUA, o MS-13 e o Barrio 18.

Líderes de países do continente se reúnem com Trump na primeira reunião do Escudo das Américas, em 7 de março de 2026

Veja abaixo quais são as outras facções mencionadas pelo Escudo das Américas como alvos de sanções, além do PCC e do CV:

Mara Salvatrucha (MS-13): originalmente uma gangue de imigrantes salvadorenhos fundada em Los Angeles, nos EUA, na década de 1980. Atualmente atua em Ela Salvador, Honduras, Guatemada e México, além dos EUA e do Canadá.

Tren de Aragua: grupo da Venezuela, considerado pelo "think tank" InSight Crime como "o mais poderoso do país" e "a única facção venezuelana que conseguiu projetar seu poder além das fronteiras". Age na fronteira do Brasil.

Cárteles Unidos: organização mexicana formada por outros grupos criminosos, incluindo o Cartel de Sinaloa e Los Viagras (leia mais abaixo).

Cartel del Golfo: um dos grupos criminosos mais antigos em atuação nas Américas, estabelecido na década de 1930 em Matamoros, no México, imediatamente ao lado da fronteira com os EUA.

La Nueva Familia Michoacana: cartel mexicano envolvido no tráfico de fentanil aos EUA, liderado por Johnny Hurtado Olascoaga. O Departamento de Estado dos EUA estipulou uma recompensa de até US$ 5 milhões (R$ 25,8 milhões) por sua captura.

Cártel del Noroeste: outro grupo mexicano; surgiu de uma cisão de Los Zetas.

Cartel de Jalisco Nova Geração: uma das principais facções mexicanas, que foi liderada por "El Mencho" até fevereiro, quando ele foi morto em uma operação do Exército mexicano.

Cartel de Sinaloa: um dos maiores grupos criminosos do México até a prisão de seus principais líderes, Joaquín 'El Chapo' Guzmán (pelas autoridades mexicanas, em 2016) e seu filho, Ovidio Guzman Lopez.

Gran Grif: gangue haitiana. O país vive um período demais de uma década de instabilidade e perda do controle, culminando no assassinato do presidente, Jovenel Moïse, em 2021. As facções criminosas exercem de fato o poder em seus territórios.

Viv Ansanm: outra gangue haitiana, declarada como organização terrorista pelo governo Trump em 2025, junto à Gran Grif.

Los Lobos: facção do Equador que assumiu a responsabilidade pelo assassinato do candidato à Presidência do país Fernando Villavicencio, em 2023.

Los Choneros: outra facção do Equador, que vem perdendo poder com a ascensão de Los Lobos.

Barrio 18: também conhecida por seu nome em inglês, 18th Street, é uma das maiores gangues da cidade de Los Angeles, nos EUA. Seus integrantes possuem origens em diferentes países.

Cartel de los Soles: uma das inclusões mais debatidas da lista, pois há questionamentos sobre sua existência. Autoridades dos EUA afirmam que o grupo é formado por militares da Venezuela que atuam no tráfico de drogas, mas especialistas apontam uma atuação na forma de uma rede difusa, e não de um grupo coeso. O governo Trump afirmava que Nicolás Maduro era o chefe da organização, mas recuou da acusação após a captura do presidente venezuelano.

Clan del Golfo: considerada atualmente a maior organização criminosa da Colômbia, após a desmobilização das Farc. Ao contrário desta, nunca almejou tomar o poder no país. Formada nos anos 2000, atua principalmente no tráfico de drogas para a América do Norte e a Europa.

Chone Killers: facção do Equador, surgida de uma dissidência de Los Choneros.

Los Viagras: grupo mexicano que disputa territórios com o Cartel de Jalisco Nova Geração. É liderado por Nicolás Sierra "El Gordo" Santana, pelo qual os EUA também oferecem US$ 5 milhões como recompensa pela captura.

Cartel de Juárez (La Línea): formado nos anos 2000 na Ciudad Juárez, cidade na fronteira com os EUA.

Dissidentes das Farc: a lista inclui num mesmo item todos os grupos de dissidentes da facção que recusaram o acordo de paz assinado com Bogotá em troca da anistia e seguem atuando como guerrilhas nas regiões rurais e de floresta da Colômbia. O principal deles é o grupo liderado por Iván Mordisco.

ELN: o Exército de Libertação Nacional tem raízes nos movimentos revolucionários colombianos nos anos 1960, assim como as Farc. É considerado o maior grupo guerrilheiro do país atualmente e se financia pela extorsão, mineração ilegal e narcotráfico.

Sendero Luminoso: foi o principal grupo guerrilheiro do Peru, travando um dos conflitos mais sangrentos com o governo central nos anos 1980 e 1990, que deixou cerca de 70 mil mortos ao longo de duas décadas. Atualmente, há poucos remanescentes na ativa, e o grupo tem pouca capacidade ofensiva. A última grande ação atribuída ao grupo ocorreu em 2021, mas ele não tem participação relevante comprovada na onda mais recente de violência urbana no país.

Los Tiguerones: facção equatoriana, uma das outras tantas dissidências surgidas de Los Choneros, surgida em 2020.

Sanções contra 'narcoterroristas'

O texto do Escudo das Américas que anuncia sanções contra as facções é assinado por Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago.

"Reconhecendo que uma ameaça imediata e universalmente compartilhada em nosso hemisfério é aquela representada por organizações narcoterroristas transnacionais — as quais põem em risco a paz e a segurança do hemisfério, bem como a segurança e a prosperidade de nossos cidadãos —, anunciamos hoje a primeira ação conjunta no âmbito de nossos pilares recém-anunciados: ação individual e coletiva para enfrentar o flagelo do narcoterrorismo", diz o documento assinado pelos membros da Aliança e divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA.

"Nesse sentido, declaramos nossa intenção de impor, conforme aplicável e em conformidade com nossas respectivas obrigações legais internacionais e internas: o congelamento de ativos; restrições de imigração e de visto para membros, associados e apoiadores dessas organizações; e a responsabilização criminal de indivíduos que, conscientemente, forneçam apoio material — incluindo apoio logístico — a tais organizações, entre outras medidas. Esta primeira ação conjunta concentrar-se-á nas 24 organizações listadas abaixo, independentemente da denominação que recebam em cada um de nossos países", diz o texto, que elenca PCC e CV entre os alvos das medidas.

O documento diz que acionará um mecanismo de reciprocidade da Organização dos Estados Americanos (OEA) para viabilizar a medida.

O tráfico de drogas foi um dos temas abordados por Trump em sua fala na Assembleia Geral da ONU, na terça.

Veja quem são os atuais integrantes do Escudo das Américas:

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas na sede da ONU, na cidade de Nova Iorque, EUA, em 22 de setembro de 2026

Inclusão de traficantes na lista de terroristas

O governo Trump classificou as facções brasileiras PCC e CV como "terroristas globais". O governo brasileiro discorda da denominação.

Na legislação brasileira, terrorismo é definido pela prática de atos violentos "por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio ou a paz pública".

Em maio do ano passado, após ser questionado por uma comitiva americana sobre o assunto em uma reunião no Ministério da Justiça, o então secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, explicou a diferenciação brasileira.

“Estas organizações criminosas [brasileiras] não têm qualquer viés ideológico, não têm qualquer viés político, religioso, não querem mudar o sistema. Muito pelo contrário, elas pretendem a prática de infrações penais, lavagem de dinheiro”, afirmou o secretário.

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