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Justiça do RJ manda prender ex-vereadora Veronica Costa, a 'Mãe Loira' do funk
G1 — Brasil · 2026-09-24T14:42:40.000Z
Justiça do RJ manda prender ex-vereadora Veronica Costa, a 'Mãe Loira' do funk
A empresária e ex-vereadora Veronica Costa, a Mãe Loira do funk, é considerada foragida após a Justiça determinar sua prisão por uma condenação por tortura contra Márcio Costa, seu ex-marido, a que não cabe mais recurso.
No depoimento prestado à polícia, Márcio afirmou que foi amordaçado e amarrado na cama do próprio quarto e que a tortura durou 20 horas. O ex-marido contou ainda que a empresária e parentes jogaram spray inseticida em seu rosto e derramaram gasolina pelo corpo, ameaçando queimá-lo vivo.
O g1 teve acesso ao termo de declaração de Márcio. O Ministério Público do Rio de Janeiro corroborou as afirmações da vítima na denúncia enviada à Justiça.
De acordo com a vítima, as agressões ocorreram entre 21 e 22 de fevereiro de 2011 na casa da família, em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio.
Márcio Costa com queimaduras no rosto em 2011
Acorrentado, vendado e amordaçado
De acordo com o processo, após retornar de uma reunião política no Centro do Rio, o casal chegou em casa na noite de 21 de fevereiro. Após o jantar, já na suíte do casal, Márcio relatou ter estranhado quando Veronica lhe ofereceu um copo de suco concentrado de laranja. Ele decidiu descartar a bebida na pia do banheiro, sem a então esposa ver.
Pouco tempo depois, ainda segundo os autos, 4 pessoas invadiram o quarto pela varanda e pela porta: eram Bruno Chaves Ribeiro, irmão de Veronica; Tatiane Chaves Ribeiro, irmã da empresária; Bruno Marcelo Bahia Marques, marido de Tatiane e cunhado da funkeira; e Sebastião de Oliveira Evangelista, o Abelardo, padrasto da empresária.
A denúncia sustenta que a ação foi coordenada por Veronica Costa. Márcio foi imobilizado na cama, amarrado com cordas, acorrentado, vendado e amordaçado.
A partir desse momento, conforme a acusação acolhida pela Justiça, teve início uma sessão de tortura que durou até a tarde do dia seguinte.
Márcio afirmou que a todo momento Veronica lhe perguntava de verbas eleitorais. “Eu sei que você desviou dinheiro da minha campanha. Onde é que está o dinheiro? O que você fez com o dinheiro?”, teria dito a Mãe Loira.
Segundo o relato de Márcio, ele foi levado para o banheiro da suíte, onde sofreu sucessivos afogamentos no vaso sanitário e na banheira.
A denúncia também aponta que um spray inseticida foi jogado em seu rosto e que derramaram gasolina em seu corpo todo — sob ameaças de atirarem um fósforo aceso caso não colaborasse.
Ainda de acordo com o processo, a vítima foi ameaçada com choques elétricos e permaneceu sob constante intimidação durante o período em que ficou mantida sob domínio do grupo.
Veronica Costa é considerada foragida
Dia seguinte às agressões
Na manhã de 22 de fevereiro, a irmã de Veronica e o cunhado deixaram o imóvel. Ao longo do dia, por causa do inchaço provocado pelas amarras, as mãos de Márcio teriam sido parcialmente soltas. Por volta das 17h, aproveitando um momento de distração, ele conseguiu fugir pela varanda de um quarto de hóspedes.
Após saltar o muro para a casa vizinha, Márcio recebeu ajuda de moradores, acionou a polícia e foi levado para atendimento médico. Na mesma noite, registrou ocorrência na 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes). A perícia também realizou uma vistoria no imóvel.
Márcio ficou 10 dias internado em 2 hospitais e chegou a ficar no CTI.
Queimaduras na região genital
O laudo de exame de lesão corporal emitido pelo Instituto Médico-Legal (IML) na vítima atestou a presença de diversas lesões contusas e queimaduras químicas graves pelo corpo.
O laudo descreveu a presença de “manchas pardas ou avermelhadas, por vezes com bolhas íntegras e rotas, em forma de faixas” passando pelas órbitas oculares, pescoço, punhos, área genital, região inguinal e glúteos.
Foram registradas cicatrizes em formato de faixa horizontalizada envolvendo toda a circunferência do pescoço e contornando os punhos e antebraço.
O relatório do IML e os boletins do Hospital Pasteur confirmaram queimaduras de 1º e 2º graus na face, pescoço, tronco, membros e região genital, provocadas pela exposição da pele a substâncias químicas e inflamáveis, como gasolina e desinfetante.
Caso que durou 15 anos
O caso deu origem a uma ação penal que tramitou por mais de 15 anos. Em março de 2019, Veronica Costa foi condenada em 1ª instância a 5 anos e 10 meses. Em 2023, o Tribunal de Justiça do Rio aumentou a pena da ex-vereadora para 10 anos e 8 meses de reclusão em regime fechado. Os demais corréus foram condenados a 10 anos de prisão.
A defesa de Veronica entrou com recursos, mas tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto o Supremo Tribunal Federal (STF) mantiveram a condenação.
Em abril de 2026, a 1ª Turma do STF rejeitou os últimos recursos apresentados, determinando o trânsito em julgado do processo e encerrando definitivamente a discussão judicial sobre o caso.
Na terça-feira (23), a juíza Daniele Lima Pires Barbosa, da 16ª Vara Criminal, mandou prender Veronica e seus parentes.