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Médico expõe prontuário e faz piada com paciente; HC vê preconceito e advogados apontam infração ética
G1 — Brasil · 2026-09-24T15:36:44.000Z
Médico expõe prontuário e faz piada com paciente; HC vê preconceito e advogados apontam infração ética
Um médico que atua no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP) publicou nas redes sociais uma imagem de um prontuário médico com tom de piada sobre um paciente com sobrepeso atendido na instituição. Advogados ouvidos pelo g1 avaliam que o caso configura uma infração ética.
Na postagem, feita no X no dia 21 de setembro, o médico - que se formou em 2025 e não tem especialidade registrada no CFM - expôs informações sobre o quadro clínico do paciente, como peso, altura, Índice de Massa Corporal (IMC) e descrição de doença respiratória.
Hospital classifica publicação como preconceituosa
O HCFMRP-USP afirmou que tomou conhecimento da publicação, classificou a atitude como preconceituosa e informou que adotava providências para retirar o conteúdo do ar e impedir que a conduta se repetisse.
“O HCFMRP-USP tomou ciência da publicação em rede social e considera a atitude preconceituosa. Embora não tenha ocorrido exposição de identidade, a publicação é inadequada e não condiz com a postura profissional preconizada por esta instituição. Já estamos tomando providências para que a postagem seja removida e que a conduta não se repita”, informou o hospital.
Agora no g1
O hospital não detalhou, porém, quais medidas foram adotadas em relação ao médico nem informou se ele continuava exercendo normalmente suas atividades.
CFM foi procurado
O g1 também procurou o Conselho Federal de Medicina (CFM) para obter um posicionamento sobre o episódio e sobre as implicações éticas da divulgação de informações de um prontuário médico em uma rede social.
Até a última atualização desta reportagem, o conselho não havia respondido.
Especialistas apontam infração ética
Advogados ouvidos pelo g1 avaliam que o caso configura uma infração ética porque informações de saúde do paciente foram expostas em uma rede social em tom de piada.
Embora a publicação não mostre diretamente dados como o nome do paciente, os especialistas destacam que as informações divulgadas são específicas e podem permitir que a própria pessoa reconheça que o prontuário publicado se refere a ela.
Entre os dados expostos estão peso, altura, IMC e informações sobre uma doença respiratória. Somados à data do atendimento e às características específicas do quadro, esses elementos podem tornar o caso identificável pelo próprio paciente.
Segundo os especialistas, portanto, a ausência do nome não elimina o problema ético relacionado à exposição. O fato de o paciente conseguir identificar que aquelas informações dizem respeito ao próprio atendimento já é considerado problemático.