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Delegado e policiais suspeitos de desviar cocaína apreendida são alvos de operação em MS
G1 — Brasil · 2026-09-24T19:35:45.000Z
Delegado e policiais suspeitos de desviar cocaína apreendida são alvos de operação em MS
Entre os presos nesta quinta-feira (24), durante a operação que investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, estão familiares de Kayon Lucas Leodoro da Silva, conhecido como “LK”.
Kayon está preso desde março, suspeito de ser o atirador que deixou cinco pessoas feridas em um atentado ocorrido no dia 15 de fevereiro, no bairro Caiobá.
A força-tarefa deflagrada nesta quinta-feira (24) prendeu Valdenice da Silva Góis, mãe de LK; Ana Carolina da Silva, irmã dele; outra irmã, que é advogada e ainda não teve o nome divulgado; e a esposa de LK, cuja identidade também não foi confirmada.
Até o momento, a polícia não divulgou qual seria o envolvimento das mulheres no esquema investigado.
O g1 apurou que antes de ser preso pelas tentativas de homicídio, "LK" integrava o esquema de desvio de drogas apreendidas, atuando como comparsa dos policiais.
Em junho de 2025, junto a um policial penal e dois policiais militares, ele teria participado do monitoramento de um depósito de drogas com o objetivo de realizar a apreensão e, em seguida, comercializar a droga.
Ao menos nove policiais que estavam na ativa foram presos nesta quinta-feira. Entre os agentes com prisão confirmada estão Douglas Tobias, Neverson Vieira de Araújo, Nilton César Sales dos Santos e Augusto Torres Galvão Florindo. Outros dois policiais, identificados inicialmente apenas como Nelson e Luiz, também foram presos.
Outros três policiais são alvos de mandados de prisão que ainda não foram cumpridos e devem se apresentar nesta tarde, conforme o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol).
Entre os procurados está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e o policial Roberto Palmeira da Silva. A operação também resultou na prisão de outros dois civis: Heberti Barbosa e Weslei Benítez. O envolvimento deles com o caso também não foi revelado.
A defesa de Weslei afirmou que ele é inocente e que ainda busca esclarecer o motivo pelo qual ele é alvo do mandado de prisão. Segundo o advogado, Weslei era amigo próximo de Kayon e, como ele já havia sido preso anteriormente, a relação entre os dois teria motivado a inclusão de Weslei na investigação. A defesa também afirmou que ele não tem relação com os policiais presos na operação.
A defesa de Heberti afirmou que ainda não teve acesso aos documentos do caso e não sabe detalhes sobre a investigação.
O g1 não localizou a defesa de Kayon.
A força-tarefa da operação desta quinta-feira, batizada de "Infiltrados", saiu as ruas para cumprir 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Até o momento, o Gaeco confirmou a prisão de nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal. Os mandados ainda estão em cumprimento, e o número de presos pode aumentar ao longo da operação.
Nome mais conhecido entre os alvos, Hoffman foi titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). Em junho deste ano, foi removido do Garras e transferido para a 6ª Delegacia.
O advogado do delegado Hoffman, Amilton Ferreira de Almeida, afirmou que o cliente está em Campo Grande e que tomou ciência da operação por familiares. Ele confirmou que o cliente não estava em casa durante o cumprimento dos mandados na residência.
Policiais investigados se aproveitavam das funções públicas
As investigações começaram em outubro de 2025, a partir de provas descobertas durante as Operações Traquetos e Blindspot, também do Gaeco. Segundo o Ministério Público, as apurações apontaram a participação de policiais em um esquema de desvio de drogas, principalmente cocaína.
De acordo com o MPMS, os policiais investigados se aproveitavam das funções públicas para desviar drogas apreendidas em ocorrências. Segundo a investigação, o esquema ocorria de duas formas: pela omissão de parte dos entorpecentes nos registros oficiais ou pela retirada da droga diretamente dos depósitos das delegacias.
A droga desviada, segundo a investigação, era repassada a traficantes ligados à organização criminosa, que a colocavam novamente no mercado ilegal.
Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou que os servidores das forças de segurança já eram investigados pelas corregedorias por tráfico de drogas e outros crimes. Segundo a secretaria, três deles já haviam sido presos anteriormente e um foi exonerado recentemente, mas os nomes não foram informados. Veja a nota na íntegra ao final da reportagem.
A operação tem apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Bope e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal. A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) também acompanha as diligências na residência de uma advogada.
O nome da operação, “Infiltrados”, faz referência, segundo o MPMS, à presença de integrantes da organização criminosa em órgãos de segurança pública e ao uso de funções e estruturas destinadas ao combate ao crime para a prática dos delitos investigados.
O que diz a Sejusp
"A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informa que a Operação “Infiltrados”, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) juntamente com as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar visa o cumprimento de mandados de busca e apreensão e prisão de investigados por tráfico de drogas e outros crimes.
A operação envolve servidores das forças de segurança pública que já eram investigados pelas respectivas Corregedorias, sendo que três deles já haviam sido presos anteriormente e um inclusive exonerado recentemente.
A Sejusp e as forças de segurança de Mato Grosso do Sul não compactuam com qualquer desvio de conduta ou prática ilícita por parte de seus integrantes. Eventuais desvios serão apurados com rigor, observando a legislação vigente, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.
A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a máxima transparência e o fortalecimento dos mecanismos de controle e correição das instituições que a integram."
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