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Rodrigo Carvalheira é condenado a mais de 22 anos de prisão no segundo caso de estupro de vulnerável

Empresário Rodrigo Carvalheira, em imagem de arquivo

G1 — Brasil · 2026-09-24T19:37:24.000Z

Empresário Rodrigo Carvalheira, em imagem de arquivo

O empresário Rodrigo Dib Carvalheira foi condenado a 22 anos e 4 meses de prisão por estupro de vulnerável em um dos três casos pelos quais responde. Além da pena, que deve ser cumprida inicialmente em regime fechado, a decisão de primeira instância determinou o pagamento de uma indenização no valor de R$ 100 mil por danos morais à vítima e das custas processuais. A defesa pode recorrer.

Esta é a segunda sentença contra o acusado desde que as denúncias vieram à tona, em 2024. Em novembro do ano passado, ele foi condenado a 12 anos de reclusão em outro caso. Ainda há mais um processo criminal tramitando na Justiça. As vítimas relataram ter dormido e acordado com sinais de abuso sexual após receberem um comprimido do réu (saiba mais abaixo).

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Em abril de 2024, o empresário foi preso acusado de estupro e violência contra mulheres e solto quatro dias depois. Foi preso novamente em junho daquele ano, passando mais cinco meses na prisão. Desde então, ele responde aos processos em liberdade. O g1 tenta contato com a defesa de Rodrigo Carvalheira.

A nova decisão, à qual o g1 teve acesso, foi proferida nesta quinta-feira (24) pela juíza Ana Maria da Silva, da 17ª Vara Criminal do Recife. Segundo os autos, a vítima contou que sofreu dois abusos.

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O primeiro, conforme a denúncia, aconteceu em novembro de 2018, durante uma viagem a Fernando de Noronha. De acordo com o relato, os dois se hospedaram na mesma pousada e, após passarem uma tarde ingerindo bebidas alcóolicas, o acusado insistiu para que eles retornassem à hospedaria e ofereceu à jovem um comprimido de um remédio tranquilizante.

No táxi de volta para a pousada, o réu teria tentado beijar a vítima à força. Quando chegaram ao quarto, a mulher disse que "apagou" e se lembra de ter acordado no dia seguinte com o empresário sobre o corpo dela.

O segundo abuso foi registrado em março de 2019, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Conforme a denúncia, a vítima foi à casa de uma amiga depois de uma festa e, enquanto ela dormia, o acusado entrou no quarto e tentou fazer sexo com ela.

Durante o processo, os advogados de Rodrigo Carvalheira alegaram que houve cerceamento da defesa e pediram a nulidade do interrogatório do réu durante o processo. O pedido foi negado pela juíza.

No documento, a magistrada afirmou que o conjunto de provas orais e documentais, como o boletim de ocorrência e depoimentos de testemunhas, sustenta a materialidade do crime, mesmo sem laudo pericial.

"A leitura cronológica do acervo revela, portanto, dado de máxima relevância epistêmica: a narrativa da ofendida encontra ancoragem em elementos produzidos em 2018 e 2019, muito antes da instauração da persecução penal e, consequentemente, antes de eventual exposição decorrente do processo, de contexto litigioso ou de contato entre supostas vítimas. Não se está, pois, diante de narrativa construída exclusivamente de forma retrospectiva, anos após os acontecimentos, mas de um relato que encontra pontos de confirmação em manifestações e comportamentos registrados contemporaneamente ou em período próximo aos fatos", escreveu a juíza na decisão.

Rodrigo Carvalheira e cronologia do caso

Empresário de 37 anos, ele faz parte de uma tradicional família pernambucana, com empreendimentos nas áreas de gastronomia, produção de eventos e imóveis;

Rodrigo Carvalheira já foi secretário de Turismo de São José da Coroa Grande, no Litoral Sul de Pernambuco;

Também já ocupou o cargo de presidente do diretório estadual do antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB);

Carvalheira foi alvo de cinco denúncias feitas por mulheres do círculo de amizade dele. Um caso prescreveu e outro ainda não teve andamento ou denúncia formal;

Preso preventivamente em 11 de abril de 2024, ficou sete dias detido no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife;

Foi solto, com uso de tornozeleira eletrônica, em 17 de abril de 2024;

Carvalheira voltou a ser preso em 6 de junho, a pedido do Ministério Público de Pernambuco, por causa de um telefonema que fez, em dezembro de 2023, para o tio de uma suposta vítima. O MPPE considerou que o empresário estaria interferindo nas investigações;

Foi solto novamente em 26 de novembro de 2024, após cinco meses detido, e passou a responder em liberdade.

Em novembro do ano passado, Carvalheira foi condenado a 12 anos de reclusão no julgamento do primeiro caso.

Nesta quinta-feira (24), foi condenado a mais de 24 anos de prisão no segundo caso, além do pagamento uma indenização no valor de R$ 100 mil por danos morais.

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