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Augusto Torres foi preso com R$ 160 mil, em Três Lagoas (MS).
G1 — Brasil · 2026-09-24T20:33:03.000Z
Augusto Torres foi preso com R$ 160 mil, em Três Lagoas (MS).
Redes Sociais e PF/Reprodução
O ex-policial Augusto Torres Galvão Florindo, demitido da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul após um processo administrativo disciplinar relacionado a uma investigação sobre desvio e venda de cigarros eletrônicos apreendidos, está entre os alvos da Operação Infiltrados, deflagrada nesta quinta-feira (24).
A operação, relaizada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais.
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Segundo o MPMS, policiais teriam utilizado as funções públicas para retirar entorpecentes apreendidos e repassá-los a integrantes de uma organização criminosa.
Augusto foi preso em 28 de novembro de 2025, em Três Lagoas (MS), durante uma investigação que apurava o desvio e a comercialização de cigarros eletrônicos apreendidos.
Na ocasião, segundo a investigação, ele foi abordado após receber uma sacola com dinheiro. O valor inicialmente divulgado foi de R$ 130 mil. Ao longo do processo, porém, o montante apreendido foi registrado em R$ 153,5 mil.
Durante o processo, Augusto apresentou versões diferentes sobre a origem do dinheiro. Em um primeiro depoimento ele teria admitido participação na venda de produtos apreendidos.
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Posteriormente, porém, afirmou à Justiça que havia sido contratado para realizar um transporte de valores.
Em agosto de 2026, o juiz federal Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini absolveu os três réus das acusações de corrupção passiva e corrupção ativa.
Na decisão, a Justiça entendeu que não havia provas suficientes para demonstrar que o dinheiro recebido por Augusto estava relacionado à função pública exercida por ele.
A absolvição, portanto, ocorreu por insuficiência de provas para comprovar o crime de corrupção, e não por uma conclusão de que o dinheiro tinha origem lícita.
Na sentença, a Justiça reconheceu que os R$ 153,5 mil apreendidos tinham origem ou finalidade ilícita, mas considerou que não havia elementos suficientes para comprovar a prática do crime de corrupção atribuído ao então investigador.
Apesar da absolvição no processo criminal, o caso teve consequência na esfera administrativa. Em setembro de 2026, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) publicou a demissão de Augusto da Polícia Civil, após a conclusão de um processo administrativo disciplinar.
Agora, Augusto é novamente alvo de uma investigação, desta vez relacionada ao desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais.
Segundo o MPMS, os investigadores identificaram duas formas de atuação: a omissão de parte dos entorpecentes nos registros oficiais das apreensões ou a retirada de drogas diretamente dos depósitos das delegacias.
Ainda conforme o Ministério Público, os entorpecentes desviados, principalmente cocaína, seriam repassados a traficantes ligados a uma organização criminosa e posteriormente recolocados no mercado ilegal.
A investigação teve início em outubro de 2025, a partir de elementos obtidos durante as Operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco.
Ao todo, nesta quinta-feira, são cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
De acordo com o MPMS, a investigação identificou a participação de agentes de segurança pública no esquema. Os suspeitos teriam se aproveitado dos cargos e do acesso às estruturas policiais para desviar drogas apreendidas em operações e ocorrências.
A operação conta com apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal.
Ao menos nove policiais que estavam na ativa foram presos nesta quinta-feira. Entre os agentes com prisão confirmada estão Douglas Tobias, Neverson Vieira de Araújo, Nilton César Sales dos Santos e Augusto Torres Galvão Florindo. Outros dois policiais, identificados inicialmente apenas como Nelson e Luiz, também foram presos.
Outros três policiais são alvos de mandados de prisão que ainda não foram cumpridos e devem se apresentar nesta tarde, conforme o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol).
Entre os procurados está o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e o policial Roberto Palmeira da Silva. A operação também resultou na prisão de outros dois civis: Heberti Barbosa e Weslei Benítez. O envolvimento deles com o caso também não foi revelado.
A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) também acompanha as diligências realizadas na residência de uma advogada.
Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que os servidores das forças de segurança envolvidos na operação já eram investigados pelas respectivas corregedorias por tráfico de drogas e outros crimes.
A secretaria afirmou ainda que não compactua com desvios de conduta ou práticas ilícitas cometidas por integrantes das forças de segurança e que eventuais irregularidades serão apuradas conforme a legislação, com respeito ao devido processo legal e às garantias individuais dos investigados.
Leia a íntegra da nota:
"A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informa que a Operação “Infiltrados”, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) juntamente com as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar visa o cumprimento de mandados de busca e apreensão e prisão de investigados por tráfico de drogas e outros crimes.
A operação envolve servidores das forças de segurança pública que já eram investigados pelas respectivas Corregedorias, sendo que três deles já haviam sido presos anteriormente e um inclusive exonerado recentemente.
A Sejusp e as forças de segurança de Mato Grosso do Sul não compactuam com qualquer desvio de conduta ou prática ilícita por parte de seus integrantes. Eventuais desvios serão apurados com rigor, observando a legislação vigente, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.
A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a máxima transparência e o fortalecimento dos mecanismos de controle e correição das instituições que a integram."