ITATIBA1

‘Delegado de elite’ que combatia tráfico é preso suspeito de desviar cocaína usando o próprio cargo em MS

Delegado e policiais suspeitos de desviar cocaína apreendida são alvos de operação em MS

G1 — Brasil · 2026-09-24T21:05:17.000Z

Delegado e policiais suspeitos de desviar cocaína apreendida são alvos de operação em MS

O delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, da 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, foi preso na tarde desta quinta-feira (24) durante a Operação “Infiltrados”, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Ele é suspeito de usar a função pública para desviar drogas apreendidas em ocorrências policiais.

Antes de ser transferido para a 6ª Delegacia, em junho deste ano, Hoffman foi titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e do Grupo de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras). Ele foi removido do Garras antes de assumir a 6ª Delegacia.

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp

O advogado do delegado Hoffman, Amilton Ferreira de Almeida, confirmou que o cliente não estava em casa durante o cumprimento dos mandados na residência. O g1 entrou em contato novamente com a defesa do delegado após ele se entregar, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

A operação investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais. Ao todo, são cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Até o momento, o Gaeco confirmou a prisão de nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal. Os mandados ainda estão em cumprimento, e o número de presos pode aumentar ao longo da operação.

Histórico do delegado

Delegado da Polícia Civil, Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa.

Ao longo de 12 anos, Hoffman passou por delegacias de Costa Rica e Campo Grande, atuou no combate ao tráfico de drogas e chegou a comandar o Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras).

2014 — Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa ingressou na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) como delegado. Antes disso, trabalhou por cinco anos como escrivão de polícia em Goiânia (GO).

2014 a 2019 — Atuou em Costa Rica e na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Piratininga, em Campo Grande.

2019 a fevereiro de 2026 — Passou a atuar na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), unidade responsável por investigações relacionadas ao tráfico de drogas. Ele chegou a assumir a titularidade da delegacia.

10 de fevereiro de 2026 — Foi designado para assumir a titularidade do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras), em Campo Grande.

Junho de 2026 — Deixou o comando do Garras e foi removido para a 6ª Delegacia de Polícia de Campo Grande.

24 de setembro de 2026 — Hoffman se tornou alvo da Operação Infiltrados, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Ele foi alvo de mandado de prisão preventiva e de busca e apreensão em uma investigação que apura a suspeita de participação de policiais em um esquema de desvio de drogas.

Três policiais civis presos

Até o momento, o g1 apurou que três policiais civis foram presos: Weslei Benítez, Kayon Lucas Leodoro da Silva, conhecido como “LK”, e Heberti Barbosa.

A defesa de Weslei afirmou que ele é inocente e que ainda busca esclarecer o motivo pelo qual ele é alvo do mandado de prisão. Segundo o advogado, Weslei era amigo próximo de Kayon e, como ele já havia sido preso anteriormente, a relação entre os dois teria motivado a inclusão de Weslei na investigação. A defesa também afirmou que ele não tem relação com os policiais presos na operação.

A defesa de Heberti afirmou que ainda não teve acesso aos documentos do caso e não sabe detalhes sobre a investigação. O g1 não localizou a defesa de Kayon.

Policiais são investigados por desvio de drogas

As investigações começaram em outubro de 2025, a partir de provas descobertas durante as Operações Traquetos e Blindspot, também do Gaeco. Segundo o Ministério Público, as apurações apontaram a participação de policiais em um esquema de desvio de drogas, principalmente cocaína.

De acordo com o MPMS, os policiais investigados usavam as funções públicas para desviar drogas apreendidas em ocorrências. Segundo a investigação, o esquema ocorria de duas formas: pela omissão de parte dos entorpecentes nos registros oficiais ou pela retirada da droga diretamente dos depósitos das delegacias.

Ainda segundo a investigação, a droga desviada era repassada a traficantes ligados à organização criminosa, que a colocavam novamente no mercado ilegal.

Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou que os servidores das forças de segurança já eram investigados pelas corregedorias por tráfico de drogas e outros crimes. Segundo a secretaria, três deles já haviam sido presos anteriormente e um foi exonerado recentemente, mas os nomes não foram informados. Veja a nota na íntegra ao final da reportagem.

A operação tem apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Bope e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal. A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) também acompanha as diligências na residência de uma advogada.

O nome da operação, “Infiltrados”, faz referência, segundo o MPMS, à presença de integrantes da organização criminosa em órgãos de segurança pública e ao uso de funções e estruturas destinadas ao combate ao crime para a prática dos delitos investigados.

O que diz a Sejusp

"A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informa que a Operação “Infiltrados”, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) juntamente com as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar visa o cumprimento de mandados de busca e apreensão e prisão de investigados por tráfico de drogas e outros crimes.

A operação envolve servidores das forças de segurança pública que já eram investigados pelas respectivas Corregedorias, sendo que três deles já haviam sido presos anteriormente e um inclusive exonerado recentemente.

A Sejusp e as forças de segurança de Mato Grosso do Sul não compactuam com qualquer desvio de conduta ou prática ilícita por parte de seus integrantes. Eventuais desvios serão apurados com rigor, observando a legislação vigente, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.

A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a máxima transparência e o fortalecimento dos mecanismos de controle e correição das instituições que a integram."

Leia no Itatiba1 →