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Imóveis de fintech alvo de operação da PF contra fraudes e lavagem de dinheiro vão a leilão em Campinas

Um dos imóveis da Inovepay que foi colocado a leilão

G1 — Brasil · 2026-09-24T22:04:49.000Z

Um dos imóveis da Inovepay que foi colocado a leilão

Quatro imóveis da fintech Inovepay, empresa que foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) contra fraudes no sistema financeiro e lavagem de dinheiro, foram levados a leilão judicial a partir desta quinta-feira (24). As propriedades, avaliadas em cerca de R$ 2,6 milhões, estão localizadas em Campinas (SP).

O leilão foi determinado pela 1ª Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem de Campinas após a falência da proprietária.

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Segundo a própria Inovepay no pedido de autofalência, as investigações decorrentes da operação policial culminaram "no bloqueio de suas atividades e de seus ativos financeiros, comprometendo sua operação e contribuindo para sua insolvência".

Em julho de 2026, a Justiça determinou o leilão de 11 veículos da fintech, avaliados em cerca de R$ 3,88 milhões. A frota incluía um Dodge Charger Coupe de 1969, registrado como veículo de coleção, um Porsche Panamera híbrido, duas BMWs híbridas blindadas, além de outros automóveis.

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Terreno e apartamentos

Um dos apartamentos que foi colocado a leilão

Dessa vez, serão leiloados um terreno e três apartamentos em Campinas. O certame será realizado exclusivamente pela internet, por meio da Positivo Leilões — leiloeira escolhida pela Justiça.

A primeira rodada começa às 11h de 24 de setembro e segue até o dia 29, com lances a partir de 100% do valor de avaliação dos imóveis.

Caso não haja propostas, o certame avança para a segunda rodada, até 14 de outubro, com lance mínimo de 50% da avaliação.

Se também não houver lances nessa etapa, o leilão avança para a terceira e última rodada, entre 14 e 29 de outubro, com lances a partir de R$ 1 mil.

Veja quais são os imóveis:

Terreno de 1.282,38 m² em condomínio de alto padrão no distrito de Sousas, avaliado em R$ 833,5 mil.

Uma penthouse no Cambuí, avaliada em R$ 627,6 mil;

Dois apartamentos no Cambuí, avaliados em R$ 579,9 mil e em R$ 588,7 mil.

A operação foi deflagrada pela PF em 28 de agosto de 2024 e tinha como alvo uma quadrilha que movimentou R$ 7,5 bilhões em crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.

De acordo com a investigação, o grupo criou dois bancos digitais não autorizados pelo Banco Central (Bacen) para a prática das fraudes financeiras. Os bancos digitais, chamados de fintechs, suspeitos de envolvimento no esquema foram o Inovepay e o T10 Bank.

Segundo a Polícia Federal, as fintechs tinham contas em bancos tradicionais e ofereciam, por meio da internet, contas clandestinas que permitiam transações dentro do sistema bancário oficial.

Ainda de acordo com a corporação, essas operações acabavam "invisíveis" ao sistema financeiro. Por isso, o esquema atendia, principalmente, pessoas blindadas por ordens de bloqueio, penhora e rastreamento.

As transações eram usadas por facções criminosas, além de empresas com dívidas trabalhistas e tributárias. A movimentação de R$ 7,5 bilhões permitia, de acordo com a PF, um "padrão de vida luxuoso aos envolvidos".

Desdobramento da operação buscou combater fraudes no BNDES

Durante a investigação, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) denunciou as irregularidades ao Ministério Público Federal (MPF). Além das contas em bancos tradicionais, o grupo também usava máquinas de cartão de crédito em nome de empresas de fachada, o que caracteriza a lavagem de dinheiro.

A PF informou que identificou, na apuração, todos os envolvidos de alguma forma nas fraudes financeiras, seja no apoio logístico, financeiro ou operacional.

Na época da ação policial, os advogados do Inove Global Group negaram veementemente ter relação com os fatos mencionados pelas autoridades policiais e veiculados pela imprensa. O grupo também ressaltou total disposição em colaborar com as investigações.

Em outubro de 2024, houve um desdobramento da operação por conta de uma tentativa de fraude de R$ 300 milhões no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O nome da operação, "Concierge", é uma palavra francesa que denomina o profissional que atende necessidades específicas de clientes e faz alusão à oferta de serviços clandestinos para ocultação de capitais.

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