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PF faz operação no escritório do ex-deputado Jalser Renier em Boa Vista
G1 — Brasil · 2026-09-24T21:39:53.000Z
PF faz operação no escritório do ex-deputado Jalser Renier em Boa Vista
O candidato a deputado estadual Jalser Renier foi preso pela Polícia Federal, em Boa Vista, sob suspeita de crime eleitoral. Agentes cumpriam mandados de busca e apreensão no escritório dele, nesta quinta-feira (24), em uma investigação sobre lavagem de dinheiro, quando encontraram R$ 19 mil em dinheiro e planilhas relacionadas à campanha, o que levantou a suspeita de compra de votos.
Renier foi levado à sede da PF, onde prestou depoimento. Em entrevista ao g1, o advogado dele, Carlos Vilareal, disse que entre os documentos apreendidos, havia planilhas com nomes de cabos eleitorais, apoiadores remunerados e voluntários.
"O delegado entendeu que, inicialmente, isso poderia configurar, uma hipótese, havia indícios de crime de captação ilícita de sufrágio, a compra de votos. Nessa situação ele arbitrou uma fiança no valor de 100 salários mínimos, o que equivale a mais de R$ 160 mil", disse o advogado.
Durante o procedimento, a defesa considerou o valor da fiança "absurdo" e pediu ao delegado que baixasse. No entanto, após a conversa, o delegado federal revogou a fiança e acrescentou o enquadramento por associação criminosa ao caso, crime que não permite fiança. Com isso, o candidato permaneceu preso e deve passar por audiência de custódia.
A esposa de Jalser, a médica Tatyanne Aguillera, conhecida como Dra. Taty, candidata a deputada federal, chegou à sede da PF por volta das 17h40, mas não falou com a imprensa. Enquanto isso, apoiadores do candidato erguem bandeiras, gritam "injustiça" e o nome dele em frente ao prédio da PF.
Jalser Renier é candidato a deputado estadual nas eleições de 2026. Durante a operação, os agentes também identificaram indícios de crimes eleitorais no escritório e conduziram Jalser à sede da PF para prestar esclarecimentos.
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Viaturas da PF paradas na frente do escritório de Jalser Renier, em Boa Vista
João Gabriel Leitão/g1 RR
Batizada de Operação Filargíria, o trabalho desta quinta é desdobramento de uma investigação que prendeu um homem com R$ 305 mil em espécie em outubro de 2025.
"As apurações revelaram indícios de atuação reiterada na entrega de dinheiro em espécie a terceiros, além da utilização de contas de passagem para a movimentação de valores supostamente provenientes de recursos públicos", informou a PF.
A ideia da PF com a Operação Filargíria é ter acesso a novos elementos de prova que esclareçam a origem e a destinação dos recursos movimentados, além de identificar outros envolvidos ou beneficiários das operações financeiras investigadas.
O escritório alvo das buscas foi o mesmo em que Jalser foi preso em 2021 por mandar torturar e sequestrar o jornalista Romano do Anjos (entenda abaixo).
Agentes usaram duas viaturas descaracterizadas na operação. Os veículos ficaram estacionados em cada uma das entradas do escritório, que fica numa esquina. Além disso, parte da rua foi interditada.
Os mandados da operação foram cumpridos pelo Grupo de Pronta Intervenção (GPI), unidade especializada da PF que atua em situações de crise e em operações de médio e alto risco.
Histórico de Jalser Renier
Jalser Renier Padilha é um dos políticos mais conhecidos de Roraima. Ele foi deputado por 27 anos, mas teve o mandato cassado pela Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) em 2022, por quebra de decoro. A cassação ocorreu após ele ser acusado de ser o mandante do sequestro e da tortura do jornalista Romano dos Anjos, em 2020.
No processo penal sobre o caso do jornalista, ele é réu por sete crimes: sequestro qualificado, tortura qualificada, constituição de milícia privada, dano qualificado, roubo majorado, cárcere privado e violação de domicílio qualificada.
A cassação também havia deixado Jalser inelegível até 2030. No entanto, em agosto, o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu uma liminar que suspendeu parcialmente os efeitos da cassação. Com isso, ele ficou autorizado a participar da convenção e dos demais atos necessários para disputar as eleições deste ano.
Agentes da Polícia Federal na porta do escritório do ex-deputado e candidato, Jalser Renier, em Boa Vista (RR).
João Gabriel Leitão/g1 RR
Movimentação da PF em frente ao escritório de Jalser Renier, no Canarinho, em Boa Vista
João Gabriel Leitão/g1 RR
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