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Alunos desenvolvem trilha ecológica para unir escola, áreas de cultivo e mata em MT

A iniciativa voltada ao desenvolvimento de trilhas ecológicas também prevê recuperação da vegetação, educação ambiental e capacitação dos alunos.

G1 — Brasil · 2026-09-24T23:38:22.000Z

A iniciativa voltada ao desenvolvimento de trilhas ecológicas também prevê recuperação da vegetação, educação ambiental e capacitação dos alunos.

Natureza por Toda Parte - Trilhas Ecológicas

Alunos da Escola Estadual Florestan Fernandes, no Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Doze de Outubro, em Cláudia (MT), participam de um projeto para criar uma trilha ecológica que deve conectar a escola, sistemas agroflorestais, uma área de produção de castanha e um fragmento de mata com nascente. A iniciativa também prevê recuperação da vegetação, educação ambiental e capacitação dos alunos para identificar espécies da fauna e da flora.

O projeto Natureza por Toda Parte – Trilhas Ecológicas começou como uma iniciativa escolar em 2025 e segue em andamento. Atualmente, a proposta tem duração prevista de 12 meses e pretende beneficiar diretamente 200 pessoas de 50 famílias e outras mil de forma indireta. O PDS Doze de Outubro tem 6.180 hectares e, segundo o documento do projeto, reúne cerca de 140 famílias.

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A proposta prevê o plantio de 100 mudas nativas nos trechos de capim que serão revegetados, além da instalação de placas educativas e pontos de parada ao longo do percurso. Os estudantes também devem participar de oficinas para aprender a identificar espécies e utilizar ferramentas de mapeamento e registro da vegetação.

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Segundo Maria Sofia, de 17 anos, aluna do 2º ano do ensino médio e uma das estudantes que participam da iniciativa, o projeto começou a partir de uma atividade escolar chamada Restaura Natureza. Com o interesse dos alunos, a proposta continuou sob o nome Natureza por Toda Parte – Trilhas Ecológicas.

“Eu faço um pouco de tudo, principalmente as apresentações e a metodologia do projeto. Foi uma experiência que me ensinou muito mais do que apenas a teoria em sala de aula”, contou.

Maria disse que o grupo começou com cinco estudantes, mas dois acabaram deixando a iniciativa. Atualmente, três alunos permanecem no projeto. Ela participou das atividades de plantio próximas à nascente e afirmou que essa foi uma das experiências mais marcantes da iniciativa.

“Me marcou participar diretamente da recuperação da área, no caso, plantar as mudas perto da área da nascente. Ver de perto as mudanças e perceber que nosso trabalho está ajudando a natureza tornou a experiência muito especial”, afirmou.

A professora e coordenadora do projeto, Cleonice de Paula, explicou que o percurso pensado para a trilha tem aproximadamente 3 km e passa por diferentes áreas do assentamento até chegar à nascente. No projeto apresentado ao Fundo Casa, porém, a previsão é de implantação de pelo menos 700 metros de trilha, conectando a escola, a área de produção de castanha, sistemas agroflorestais e o fragmento de mata com nascente.

A proposta é que o percurso também seja utilizado em atividades de educação ambiental e, futuramente, para receber visitantes interessados na observação da fauna.

O projeto prevê a capacitação de 10 alunos para identificação de espécies e uso de ferramentas de monitoramento e mapeamento. Também está prevista uma visita-piloto para observação da fauna, além da elaboração de um manual de boas práticas para turistas.

Maria disse que o grupo começou com cinco estudantes, mas dois acabaram deixando a iniciativa. Atualmente, três alunos permanecem no projeto.

Natureza por Toda Parte - Trilhas Ecológicas

Conexão com a fauna

O trabalho também tem relação com iniciativas de conservação de primatas na região. Segundo Christine Steiner, bióloga e diretora-executiva do Instituto Ecótono, a proposta de implantação de um corredor florestal no PDS Doze de Outubro pode beneficiar a fauna local, especialmente primatas.

O Instituto Ecótono auxilia tecnicamente a iniciativa e, de acordo com Christine, o projeto foi inspirado em um trabalho de restauração realizado no assentamento rural, Gleba Mercedes (Projeto de Assentamento Weslei Manoel dos Santos), em Sinop, a 503 km de Cuiabá, onde um corredor florestal foi plantado para conectar fragmentos de mata.

Na Gleba Mercedes, o corredor implantado em 2024 já apresenta mudanças na vegetação. Segundo Christine, algumas árvores alcançaram entre 3 e 4 metros de altura, e espécies como cajueiro e mamoninha-do-mato começaram a produzir frutos em 2026. A área continua sendo monitorada.

Os zogue-zogues-de-mato-grosso que vivem em um fragmento próximo ainda não utilizam o corredor. O primata está classificada na categoria Criticamente em Perigo de extinção, conforme classificação da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Segundo a bióloga, atualmente seis animais são monitorados em uma área de aproximadamente quatro hectares.

Christine explicou que a espécie depende de árvores mais altas e de copas interligadas para utilizar esse tipo de conexão. Segundo ela, a expectativa é que os macacos passem a utilizar o corredor entre sete e oito anos após o plantio, quando a vegetação atingir as condições necessárias.

Enquanto os zogue-zogues ainda não utilizam a área, insetos e aves já passaram a ocupar o corredor, segundo Christine. De acordo com a bióloga, flores e frutos produzidos pelas plantas servem de alimento para esses animais e indicam que o corredor já é utilizado por parte da fauna.

A experiência da Gleba Mercedes também é apontada pelo Instituto Ecótono como um modelo que pode ser reproduzido em outras áreas. A instituição afirma que pretende mapear novos locais para implantação de corredores e busca recursos para ampliar o trabalho, com a meta de chegar a dez propriedades até 2030.

No PDS Doze de Outubro, o projeto pretende envolver estudantes, agricultores e moradores no acompanhamento da vegetação, na identificação da fauna e na recuperação de trechos degradados. A iniciativa também prevê preparar a comunidade para receber visitantes e gerar renda complementar a partir da observação da fauna e de produtos da floresta.

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