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MP-SP e Receita investigam o uso de fundos de investimento para lavar dinheiro do PCC
G1 — Brasil · 2026-09-25T00:07:58.000Z
MP-SP e Receita investigam o uso de fundos de investimento para lavar dinheiro do PCC
O Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal realizaram nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A força-tarefa investiga o uso de fundos de investimento para lavar dinheiro do PCC no setor de combustíveis. Entre os alvos está o operador do banqueiro Daniel Vorcaro.
A força-tarefa esteve em 27 endereços em sete estados. Os alvos da operação eram agentes financeiros e advogados suspeitos de lavar dinheiro para os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo. Os dois estão foragidos desde 2025, quando a Carbono Oculto apontou a infiltração do PCC no setor de combustíveis.
Desta vez, os investigadores se concentraram na compra da Terrana, uma das maiores distribuidoras do país. Entre esses executivos está Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, dono da Entre Investimentos. O nome de Freixo Junior já havia aparecido nas fraudes do Banco Master. A Polícia Federal aponta o empresário como operador do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso.
O STF homologou a delação premiada de Freixo sobre o Master. Na delação, Antonio Carlos Freixo Júnior admitiu o envio de dinheiro a um fundo nos Estados Unidos que teria sido usado para bancar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O repasse teria chegado a R$ 63 milhões.
Segundo o Ministério Público, a operação desta quinta-feira (24) não tem ligação com as investigações sobre o Banco Master. A força-tarefa em São Paulo revelou que, em seis anos, o dono da Entre Investimentos apareceu 570 vezes como ganhador de apostas e prêmios, que somam R$ 176 milhões. Para o Ministério Público, a frequência das premiações pode indicar lavagem de dinheiro.
No Rio de Janeiro, policiais ficaram três horas no apartamento de Humberto Tupinambá, ex-diretor do Banco Genial. De acordo com a investigação, Tupinambá ajudou a montar a estrutura financeira que permitiu a aquisição da Terrana.
“Não só nós temos a atividade criminal que gera o dinheiro ilícito, e aí ela pode ser de qualquer natureza, mas nós temos hoje também pessoas prestando o serviço de blindagem patrimonial ou de ocultação da origem de valores dentro do mercado financeiro ou de capital”, diz Márcia Meng, superintendente da Receita Federal/ SP.
Receita Federal e Ministério Público de São Paulo investigam o uso de fundos de investimento para lavar dinheiro do PCC
Jornal Nacional/ Reprodução
A operação aponta que o dinheiro da compra da distribuidora passou por fundos de investimento e por empresas ligadas a Roberto e Mohamad. Segundo os promotores, R$ 120 milhões circularam entre contas, às vezes em questão de minutos, até chegar ao fundo que financiou o negócio.
Em uma das mensagens obtidas pelos investigadores, um empresário citado na operação desta quinta-feira (24) conta que aceitou receber uma comissão de cerca de R$ 1 milhão e mais um salário de R$ 100 mil por mês para atuar como laranja da distribuidora. Segundo os promotores, ele agia sempre sob as ordens dos verdadeiros donos.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a Receita vai intensificar o trabalho de fiscalização:
“O que nós estamos vendo é que muitas fintechs, muitos bancos e muitas administradoras não só deixam de fazer a comunicação devida para as autoridades, como foram capturadas e estão a serviço do crime organizado. Portanto, a dificuldade de elucidação exige que nós tenhamos coordenação entre vários órgãos de inteligência, porque senão a gente não consegue”.
O Banco Genial declarou que, desde maio, Humberto Arthur Tupinambá Neto não é diretor nem sócio da instituição. O banco afirmou também que renunciou à administração do fundo investigado na operação e tem colaborado com as autoridades.
A Entre Investimentos e Antonio Carlos Freixo Junior disseram que não vão se manifestar sobre o caso.
As defesas de Roberto Leme e Mohamed Hussein afirmaram que eles desconhecem os fatos em investigação.
O Jornal Nacional não localizou a defesa de Humberto Arthur Tupinambá Neto e não teve resposta da Terrrana.
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