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O que são detectoristas? Conheça o hobby de 'caçar tesouros' que reúne adeptos no interior de SP

O que são detectoristas? Conheça hobby que reúne participantes em evento no interior de SP

G1 — Brasil · 2026-09-25T10:22:19.000Z

O que são detectoristas? Conheça hobby que reúne participantes em evento no interior de SP

Pode ser uma moeda antiga, uma joia, um objeto enterrado há décadas ou até um item de valor sentimental. Quem percorre praias, campos e outras áreas com detectores de metais tem algo em comum: a expectativa de encontrar um verdadeiro “tesouro perdido”.

Mas você sabia que existe um nome para quem pratica essa atividade? São os detectoristas. A paixão pela busca por objetos escondidos ou esquecidos reune praticantes em um evento que será realizado em Buri (SP), neste sábado (26) e domingo (27). Saiba mais nesta reportagem.

Ao g1, o advogado Pedro Luiz Conti Mariozi, de 62 anos, morador de Itapeva e organizador do evento “Detect Camp SP”, revelou que é detectorista há pelo menos 20 anos e que a Revolução Constitucionalista de 1932 teve influência para que ele começasse a prática.

“Há tempos, quando já estudava sobre a Revolução Constitucionalista de 32, precisava de um detector de metais a fim de localizar fragmentos nos locais de combate. Ao adquirir meu primeiro detector, vi o quanto é importante nestas buscas”, contou.

Pedro é detectorista há 20 anos e é organizador do evento em Buri

Pedro Luiz Conti Mariozi/Arquivo pessoal

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O interesse pela história da Revolução de 1932 levou Pedro a visitar as trincheiras paulistas em Guapiara (SP). Com a ajuda do detector de metais, ele conta ter encontrado diversos fragmentos relacionados ao conflito.

“Ser detectorista, após o primeiro achado, passou a significar uma necessidade que tem de ser praticada habitualmente. A parte mais emocionante é a de achar itens enterrados há mais de 100 anos”, disse.

Em uma das buscas, realizada em uma região litorânea, ele conta ter encontrado um objeto que parecia ser de ouro.

“Em uma certa ocasião, quando praticava na praia, eu achei uma coruja dourada. De imediato, eu pensei ser ouro, mas infelizmente a minha vontade não se firmou. Apesar disso, ela está em cima do armário”, revela.

O morador de Itapeva começou o hobby devido à Revolução Constitucionalista de 1932

Pedro Luiz Conti Mariozi/Arquivo pessoal

Para ele, a essência do detectorismo está na procura por objetos enterrados e a possibilidade de encontrar algo histórico é um dos principais atrativos da atividade.

“O sonho de todos é o de achar um tesouro perdido. A reação ao começar a prática é única, principalmente ao achar a sua primeira relíquia. Para mim, é um hobby, pois esse esporte me proporciona diversão e cultura."

A rotina dos detectoristas envolve caminhar pelo local escolhido, passar o equipamento pelo solo, cavar e identificar o material encontrado. Segundo Pedro, não existe um tempo determinado para cada busca.

Pedro aponta que, com a prática, os participantes acabam se acostumando a passar períodos mais longos procurando pelos objetos.

“Você se acostuma a ficar um tempo razoável na procura”.

Ele explica ainda que o detectorismo ganhou espaço no Brasil com a chegada de fabricantes de detectores de metais ao país, o que facilitou o acesso aos equipamentos pelos praticantes.

Com o aumento no número de pessoas interessadas na atividade, Pedro decidiu criar o evento para reunir detectoristas e promover atividades relacionadas ao hobby. A programação atraiu participantes de Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e de diferentes cidades de São Paulo.

"Existem muitos grupos de detectoristas por esse nosso Brasil. Me surpreendi com a adesão dos participantes, sendo que alguns de percorreram mais de 15 horas de viagem para participar”, finalizou.

Itens encontrados pela detectorista Susana pelo litoral do sul

Susana Hens/Arquivo pessoal

🥇 ‘Amo a emoção da expectativa'

Se nem sempre acham objetos valiosos ou históricos, os detectoristas garantem que a atividade também rende novas amizades. Foi por meio do detectorismo que Susana Hens e Pedro se conheceram.

Moradora de Barra Velha (SC), Susana, de 47 anos, percorreu cerca de 500 quilômetros até Buri (SP) para participar do evento e se encontrar com outros praticantes do hobby.

“Esse hobby conecta pessoas de vários lugares do Brasil e do mundo. Fazer parte dessa família, que é o detectorismo, é algo maravilhoso. São pessoas que se juntam à mesa para contar histórias de achados, tesouros perdidos e a amizade está acima de qualquer pódio”, analisa Susana.

Susana é moradora de Barra Velha (SC) e irá participar do evento em Buri

Susana Hens/Arquivo pessoal

Susana pratica detectorismo há 22 anos e, ao longo desse período, transformou o hobby em uma atividade compartilhada com a família. Juntos, eles formaram a equipe “Os Piratas do Detectorismo”. A paixão pela busca por objetos escondidos, no entanto, começou ainda na infância.

“O detectorismo é um hobby incrível para mim. Desde criança sempre fui fascinada por histórias de tesouros perdidos e de potes de moedas. Até que surgiu a oportunidade de comprar meu primeiro detector de metais e comecei a fazer resgate de itens perdidos”, contou.

Ao g1, Susana também relembrou o primeiro contato que teve com outro detectorista: um idoso que fabricou o próprio equipamento.

“Foi um senhor chamado Manoel. Ele fabricou seu próprio detector e praticava na praia em busca de moedas e outros objetos”.

Susana encontra diversos objetos com o detector de metais em praias de Santa Catarina

Susana Hens/Arquivo pessoal

O primeiro objeto encontrado por Susana durante uma busca foi uma chave de carro, enterrada na areia de uma praia, em uma área onde as pessoas costumavam fazer piqueniques. Depois de localizar o item, ela conseguiu encontrar o dono e devolvê-lo.

“O detectorismo veio pra minha vida como uma possibilidade de ter uma melhor qualidade de vida, equilíbrio físico e mental. Eu amo a emoção da expectativa do item que pode aparecer em cada ‘bip’ do detector”, citou.

A moradora diz que o hobby é uma possibilidade de ter uma melhor qualidade de vida

Susana Hens/Arquivo pessoal

Entre os itens já encontrados por Susana estão moedas antigas, joias e brinquedos colecionáveis. Para ela, no entanto, um dos principais benefícios da atividade é contribuir com a limpeza do meio ambiente, retirando das praias e de outros locais materiais como latas, embalagens, pedaços de ferro e pregos.

“Encontramos com o detector e descartamos em local apropriado. Dessa forma, ajudamos a cuidar desse presente maravilhoso que é a natureza. Já o lacre das latinhas, eles são guardados e doamos para instituições que trocam por cadeiras de rodas”, concluiu a detectora.

O “Detect Camp SP” reúne entusiastas do detectorismo neste sábado (26) e domingo (27), em Buri (SP). A programação inclui palestras, briefing técnico, uma atividade de “caça ao tesouro”, premiações e outros momentos voltados aos praticantes do hobby.

O evento será realizado em um restaurante localizado na Rodovia Engenheiro Lauri Simões de Barros, na altura do bairro Aracaçu.

Interessados em participar ou obter mais informações podem entrar em contato com o organizador pelas redes sociais.

*Colaborou sob a supervisão de Larissa Pandori

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